Alguém pode ser apaixonado por duas pessoas

Ou você pode estar vivendo um romance casual e descobrir que duas pessoas diferentes que você está vendo por um tempo atraem muito você.O tão esmagador remoinho de sentimento, que as pessoas ... Você pode estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo. Há relações superficiais em que há espaço para um relacionamento duplo e pessoas emocionalmente imaturas que querem viver continuamente as sensações de se apaixonar. Mas também existem relacionamentos maduros ou pessoas que não permitem que uma terceira pessoa entre em suas vidas, não estão em condições de fazê-lo e ... … você está em busca de alguém, simboliza a rejeição do seu poder e capacidade de persuadir as pessoas certas. Se você seguir ou perseguir alguma coisa, então este sonho pode ser interpretado que uma ideia não é aceita por alguém, porque essa pessoa tem incapacidade de aceitar o seu poder e influência. Isso significa que você precisa reavaliar seus pontos fortes e se concentrar. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um suvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. É possível estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo? ... enquanto indivíduo pode sentir-se atraído por pessoas que completam diferentes aspetos de quem é. ... sério encontre alguém ... Amar duas pessoas ao mesmo tempo pode ser problemático quando já estamos em um relacionamento com uma delas. Se o casal não concordou em manter um relacionamento aberto, a paixão por alguém fora da relação pode representar infidelidade emocional, o que provocaria sentimentos de sofrimento e traição no parceiro atual. Estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo envolve muitos sentimentos, que podem ocasionar o comprometimento do raciocínio e da objetividade, deixando tudo mais confuso. Sendo assim, esse sentimento pode trazer conturbações, que podem ser evitadas com a ajuda de um especialista. seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo No entanto, estar apaixonado por alguém e estar apaixonado pelo conceito de amor são duas coisas totalmente diferentes. Embora o amor seja, talvez, a força mais poderosa da terra, idealizar o amor é destrutivo. Mas quem pode culpar alguém por se apaixonar pela emoção de resolver os mistérios do amor? É um mistério nas profundezas da alma.

Por que as pessoas têm medo de assumir um namoro? Por que é tão difícil mergulhar no amor e aproveitar os bons momentos?

2020.09.13 22:39 TravsTravinho Por que as pessoas têm medo de assumir um namoro? Por que é tão difícil mergulhar no amor e aproveitar os bons momentos?

Eu (20H) conheci esse menino (19H) no Tinder faz alguns meses, acho que há uns 4 ou 5 pra ser mais exato. Ele é bem bonitinho e é o meu tipo rs, mora em uma cidade que fica meia-hora de estrada da minha. Eu me divido entre morar aqui e em outra cidade (300km de distância) onde faço faculdade, e ele faz faculdade do outro lado do Brasil. Ambos estamos de volta nas nossas cidades natais por conta da quarentena em 2020 e das aulas estarem rolando online.
Nós conversamos alguns dias sem parar por mensagem, eventualmente esquecemos um pouco, mas depois voltamos a conversar por ter dado um segundo match no Tinder, daí fui bem direto, já que nunca consigo um date nesse raio de aplicativo e resolvi chamá-lo pra sair (isso em Julho). Saímos, ele veio pra cá, e como eu tenho carro a gente começou a dar bastante rolê por aqui, e depois eu sempre levo ele de volta na cidade dele, ficamos sempre batendo papo até de madrugada no carro. Contudo, ele não pode ficar aqui em casa e nem eu posso ficar na casa dele, porque ambos estamos ficando na casa dos pais.
A maneira que achamos de ter um momento foi a de irmos para a cidade onde faço faculdade, lá eu tenho minha casa e podemos passar um tempinho mais íntimos. Acho que no nosso quarto date fomos passar uns 4 dias lá. De qualquer forma é meio caro, e pegar um avião pra cidade dele não é uma opção também, pelo menos não agora com o preço das passagens. Normalmente fazemos sexo no carro perto da casa dele, e sim, eu sei, é triste a vida do gay que não pode ter intimidade com alguém.
De qualquer forma toda semana a gente se encontra, ele não tem tanta grana e acaba que eu pago muitas coisas pra ele. Durante o mês de Agosto, entre a viagem pra minha cidade, idas e voltas da cidade dele, restaurantes e gasolina eu acabei gastando 2.100 reais!!! Eu não sou rico nem nada, eu só ganho uma boa bolsa de 1.500 reais pela faculdade, que não tenho usado pra nada esse ano (to na casa dos meus pais desde Março) e tenho um tantão desses meses todos guardado na poupança para viajar ano que vem.
Estamos muito bem até então, passamos noites e noites conversando no Discord, vendo Netflix juntos. Ele já sabe muito sobre a minha vida, sobre meus relacionamentos passados, meus amigos, minha família e eu sei sobre o dele, incluindo o péssimo passado que ele teve com um ex-namorado abusivo. Ele me diz que sempre foi um inocente apaixonado, e se jogou muito facilmente nesse relacionamento com o ex, o que gerou muitos traumas, crises de pânico, rolou traição e mais um monte de coisas bem pesadas que não quero falar aqui.
Eu sou um cara bem de boa, ele diz que eu sou um príncipe, que nunca conheceu alguém que o tratasse tão bem, que fosse tão inteligente, atencioso. Acho que parte disso é que nos meus relacionamentos passados eu aprendi a me importar muito com quem eu amo, e realmente, eu sempre faço muitos elogios pra ele, tento fazer ele se sentir seguro, e por mais que ele tenha dificuldades de acreditar que alguém realmente gosta dele, sempre gosto de afirmar como ele é importante, autossuficiente, e merece tudo de bom no mundo, que ninguém mais pode fazer com ele o que o ex fez. Eu sou o tipo de namorado que mostra o quanto gosta e se importa desde coisas pequenas, como abrir a porta do carro , até imaginar que eu me jogaria na frente de um tiro por quem eu amo, e eu o amo. Amo muito, nunca conheci alguém assim, e eu sei quando é paixão e quando é amor, sou novo, mas eu sempre fui meio precoce rs e precisei amadurecer muito cedo na vida.
Ele disse que me ama primeiro, não sei, eu aprendi a não admitir isso tão cedo, ver onde estou pisando e ver se realmente há reciprocidade. Posso tecer mil elogios mas só digo que amo quando tenho certeza. Tudo parece muito perfeito (exceto pelo dinheiro rs), mas ele não quer namorar, ele tem medo, muito medo. Medo de se entregar e fazerem de novo com ele o que ele sofreu, medo de que algum príncipe como eu resolva mudar meu jeito repentinamente e vire um monstro, usando da dependência emocional dele como arma, chantageando, traindo, etc. Medo de voltar para a cidade da faculdade dele e estar preso em um relacionamento com alguém há quase três mil quilômetros de distância, por mais que eu não veja problema em voar até lá para vê-lo. Medo da palavra “namorado”.
Sério, a gente já faz tudo que um casal de namorados faria, talvez seja meio cedo, mas ele diz que não quer ficar com outras pessoas além de mim, e eu digo o mesmo, ele diz que me ama e que não vê o dia dele sem falar comigo, que não consegue ficar longe de mim por muito tempo e já morre de saudade quando a gente se despede, ficamos conversando no carro, ouvindo música, mostrando qualquer coisa no celular um pro outro até a bateria acabar e perdermos noção do tempo. Já cheguei em casa 5h da manhã uma vez sem saber que horas eram ou por quanto tempo ficamos juntos. Ontem assistimos um filme em call pelo Discord e eu assisti ele dormir por umas duas horas enquanto eu estudava para uma prova que fiz hoje cedo, e quando ele acordou no meio da noite disse que não queria desligar, que queria dormir sentindo como se estivesse comigo, abraçando o travesseiro. Mesmo assim, ele não quer me chamar de namorado.
Mas, se o sentimento que eu sinto por ele é tão bom e puro, se nosso amor é tão saudável e cresce cada dia mais, por que precisamos nos segurar e não nos jogar no amor? Como pode uma pessoa traumatizar outra a ponto de alguém ter tanto medo de uma palavra?
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2020.08.17 02:59 gimme-that-potato Uma das melhores decisões que tomei foi começar a tomar remédio para depressão

Olá, meus queridos.
Como o título sugere, venho aqui compartilhar minha experiência, pois acredito que possa acabar ajudando alguém aqui. No mais, vou poder pôr algumas ideias em ordem e poder dar uma desabafada. Tentarei ser breve, mas sei que não vai rolar rs, e acredito que meu texto não será tão linear.
O negócio é o seguinte: nunca fui apaixonado pela vida, de modo geral. Sempre fiz minhas coisas e tudo mais, mas essa tendência já me fez ficar para baixo (talvez algumas vezes depressivo) em algumas partes de minha vida. Nada disso me impediu de viver normalmente, sentir alegria, felicidade, paixão, correr atrás do que gosto, etc.
Acontece que ano passado estava em uma época braba. Havia terminado a faculdade, saído do emprego para prestar um concurso que não passei, e estava desempregado. Porra, estar desempregado é foda. A sensação de ficar em casa sem produzir é péssima.
Chegou uma hora que quis me cortar. Nada de suicídio, e nunca acreditei que pudesse fazer isso (apesar de estar com a constante sensação de querer nunca ter nascido), mas não deixa de ser um sintoma bem preocupante. Quando comecei a me dar uns pequenos cortes (escondidos), entendi que era hora de voltar pra terapia. Voltei para a mesma psicóloga que conheço há uns anos e confio bem.
Cabe aqui fazer um parênteses sobre depressão: há vários jeitos de melhorar esta doença. Contudo, tem um estudo recente que analisou a mistura entre dois tratamentos variados (ioga com psicólogo; meditação com psiquiatra; prática de esportes com meditação; etc.), e a melhor combinação de tratamento encontrada foi: acompanhamento psicológico junto com psiquiátrico. Não significa que tem que deixar outros tratamentos de lado, mas essa foi a melhor fórmula comprovada para combater.
Outra coisa: se você quer buscar um psicólogo, o que super recomendo, não importa a linha que ele ou ela segue. Freud, Lacan, Jung... nada disso importa. São ferramentas elaboradas para chegar em um mesmo objetivo. O que importa é você encontrar alguém que você vá com a cara. Alguém que você confie em desabafar. Não adianta conversar com um psicólogo pica das galáxias se você não se sente à vontade com ele.
Enfim. Começando a terapia, comecei a perceber diversos outros sintomas. Já não estava com a mesma concentração de antes. Me perdia no meio de frases. Estava me desconectando do mundo. Até atividades mais prazerosas estavam soando trabalhosas ou cansativas demais para mim. Meu prazer em coisas comuns, como comer algo bom, estava diminuindo. Foi a primeira vez que minha psicóloga sugeriu eu procurar um psiquiatra para me ajudar.
De início me senti mal, pois nunca tomei remédios para a cabeça. Mas depois veio um certo alívio: eu simplesmente estava doente, como uma gripe, e talvez precisasse só tomar um remédio. Você tem ideia de como é um alívio entender que sua mente te prega peças, e o motivo de você estar mal pode ser simplesmente algo fora de seu controle? Como uma mera desregulação hormonal, ou falta de algum receptor no cérebro, algo assim.
Falando com o psiquiatra, ele me passou um remédio relativamente novo, que, a grosso modo, estimula a produção de receptores de certos neurotransmissores na minha cabeça. Em outras palavras, ele estimula o cérebro a "captar mais prazer", ao invés de criar o prazer em si (como uma droga ilícita geralmente faz). Tanto é que é um remédio de tarja vermelha, e que não vicia (apesar de dar efeitos colaterais).
O início do tratamento foi bem ruim. O primeiro efeito colateral era a sensação de estar sonhando, ou na beira de uma grande ansiedade. Como se eu estivesse caindo, mas aquela sensação de "estar caindo" tivesse durando minutos. Isso me fez aprender a deixar rolar, sabe? Eu sabia que era um efeito do remédio, então não podia fazer nada, senão deixar acontecer, seguir com a maré. Eu diria até que eu pude aproveitar minha ansiedade. Sentia que era o remédio que me causava essa aceleração, mas que era ao mesmo tempo ele que me possibilitava ter esse "freio".
Outro efeito ruim foi o sono. Na verdade era mais uma vontade incontrolável de bocejar em si do que sono.
Como um outro possível efeito era falta de libido, óbvio que nos primeiros dias a primeira coisa que fui testar foi a masturbação. Confesso que foi bem difícil chegar no orgasmo, parecia que eu ia criar fogo com as mãos hehe. Por outro lado, um tempo depois minha libido até melhorou, pois minha depressão me fazia não querer buscar sexo. Minha namorada me apoiou durante tudo isso e entendeu, quando conversamos, que o sexo poderia piorar, o que felizmente não ocorreu.
Depois esses efeitos melhoraram (acredito que em até 2 semanas). O de sono e bocejo passou por completo, assim como o da ansiedade. Eu sentia que o remédio era um freio para minha ansiedade. Se eu fosse um carro, era como se o remédio colocasse uma trava na velocidade máxima. Sentia ele me ajudando.
Uma coisa que demorou para melhorar foi meu fluxo intestinal. Estava acostumado a ir ao banheiro todos os dias, às vezes até duas vezes (aqui cabe ressaltar que sou homem e, quando comecei a tomar o remédio no ano passado, estava com 26 anos). O remédio me fodeu com isso. Comecei a passar uns dias sem ir ao banheiro, ou ficar totalmente desregulado. Hoje, meses depois, isso já melhorou 100%.
Umas semanas depois comecei a ter um pouco de insônia, que até hoje vem e volta, mas nada que me atrapalhe.
Mas nada disso chega perto ao que o remédio me proporcionou: a capacidade de sentir prazer banal, no dia a dia, como ao ver um pôr-do-sol, ouvir uma música foda, ou comer algo gostoso. Hoje nem parece que eu tomo remédio. Faz parte da minha rotina: eu acordo, tomo meu comprimido, meu café, e sigo com o dia. Às vezes penso que deveria ter buscado um psiquiatra antes.
Claro que o tratamento é temporário. Eu sinto um pouco de falta de poder "curtir mais minha angústia" quando não tomava remédio, pois isso me ajudava a compor música ou escrever algo. Hoje me sinto melhor sabendo que estou mais pronto para terminar o tratamento (que demora no mínimo 6 meses, se não me engano até 2 anos). Também sei que, se voltar a ficar mal daquele jeito, tenho mais ferramentas para usar ao meu favor.
Se você está mal, não tenha vergonha de procurar um psiquiatra. Não coloque barreiras que não existem. Se você estivesse com febre, você iria no médico. Pode ser que sua depressão seja simplesmente uma reação física de seu corpo, e não uma mera falta de vontade (aliás, acho que nunca é, pois vontade de estar bem todo mundo tem). Até porque, uma pessoa com a vida 100% boa pode sofrer de depressão. Como falei, pode ser por algo idiota, como uma desregulação de seu corpo, algo hormonal, etc.
Pense nos remédios como uma rodinha extra numa bicicleta: ele vai servir de apoio para seu cérebro reaprender a andar sozinho, e, então, quando estiver pronto, vai poder andar ser as rodinhas.
Uma questão é que eu dei sorte. Um dos meu melhores amigos demorou uns bons anos para encontrar o remédio certo para ele. Ele tentou de tudo, várias terapias, e finalmente achou esse remédio (que é o mesmo que o meu, por coincidência), junto uma terapeuta de confiança. O cara até conseguiu assumir ser gay e hoje está namorando e feliz em um relacionamento, o que me deixa muito feliz.
Quando compartilhei essa história com outro amigo, ele confessou que estava tomando remédios para a ansiedade. Ele disse que era incrível poder sentir o prazer do presente ao andar de ônibus.
Comecei um trabalho novo em janeiro, e venho enfrentando altos e baixos por conta do isolamento da pandemia (não estar fazendo exercício vem ferrando com meu corpo). Mas sei que hoje tenho mais recursos para me cuidar. Ainda tomo remédio e faço acompanhamento psiquiátrico, e parei com a terapia pois não queria fazer online, embora eu ache que volte logo menos e faça por videochamada mesmo.
Enfim, espero ter ajudado alguém, ou ao menos estimulado a empatia, caso conheça alguém que esteja depressivo, ou com receio de começar a tomar remédios. Sempre fui muito mente aberta com muita coisa, inclusive terapia e psiquiatria. Mas ainda dava uma julgada com quem "parecia bem" e mesmo assim estava tomando remédio. Hoje vejo isso com mais empatia, pois nem todo mundo que parece bem está de fato bem. Quem sou eu para saber o que o outro sente, quando às vezes nem eu mesmo sei dizer o que sinto...
Se você tem algum amigo com depressão, ofereça seu apoio. Não julgue. Quando puder, insista na amizade. E não vomite suas próprias histórias. Não fale que "é falta de vontade", ou que é "frescura", ou que você conhece um "óleo essencial" para depressão. Às vezes a pessoa só precisa de alguém para desabafar, ou ao menos saber que você está lá para ela (como eu estive para esse meu grande amigo). Apesar de a tristeza poder ser um sintoma da depressão, depressão não é tristeza. Depressão é o oposto de vitalidade.
Por fim, deixo como dica de leitura o que acredito ser uma espécie de "guia definitivo" para a depressão (só não digo "definitivo" pois é uma área da ciência em constante evolução, e, CARAMBA, como eu sou grato por nascer nesta nossa época e não há 50 ou 100 anos, quando havia muito mais estigma e muito menos remédios...). Trata-se do livro O Demônio do Meio-dia, de Andrew Solomon. É um documento jornalístico que conta a história, em primeira pessoa, do escritor e sua luta para entender a própria depressão e a Depressão em si como doença. Nele há muito sobre questões emocionais, como os diferentes remédios funcionam, como a depressão afeta diferentes grupos de diferentes formas, etc. Foi o que me ajudou para ganhar conhecimento e lidar melhor com esse meu amigo (e, depois, lidar comigo mesmo). Esse mesmo jornalista faz um TED Talk muito bom aqui.
Obrigado a quem teve o saco de ler até aqui. Não sei se vou responder todas mensagens, mas tentarei. Se tiverem alguma dúvida, será um prazer tentar ajudar na medida do possível. Um grande abraço e tenha uma boa noite!
Edit: o remédio é Venlafaxina.
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2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.07.01 02:10 btrzjndrb A história do falso corno que eu dei.

olá luba, editores, papelões e turma! espero que todos estejam bem e acomodados para essa estranha história que irei contar aqui hoje. O texto é longo, eu sei, desculpa, mas eu fiz uma conta nesse tal de reddit só pra contar pelo que eu passei - e deixar outras pessoas alertas, para que elas não passem pela mesma situação - e talvez pra ver como vcs julgam essa história também :):)
sem mais enrolações: tudo começou no início do meu ensino médio. tinha começado a namorar um carinha - vou mudar o nome de todo mundo pq sou uma pessoa legal não quero expor ninguém - chamado Joaquin e tinha começado uma amizade com Paulo. Paulo e eu estudamos juntos desde a 5ª série, mas eu nunca quis fazer amizade pq ele era bem babaca. talvez eu tenha o julgado cedo demais. bem... Joaquin e eu eramos melhores amigos inseparáveis e a parceria no namoro fazia ficar "perfeito", mas, por Joaquin lutar com depressão a anos e ser muito ansioso com algumas coisas - normal de quem é ansioso né, não julgo ele, até eu sou assim - as vezes a gente discutia por coisas bem "bestas" - não interpretem mal essa frase, saúde mental é muito importante.
e, no meio de todas essas discussõeszinhas, Paulo tava lá. ele sempre foi o tipo de cara que ia na onda dos "cool kids" para tentar se sentir aceito por eles, mas no fundo ele era muito tímido e inseguro e só fazia aquilo como um mecanismo de defesa, sabe? enfim, depois que ele passou a perceber isso, ele deixou de se esforçar e passou a ser só um cara calado, que ficava na dele, e que preferia conversar por mensagem do que pessoalmente. eu respeitava ele por isso, e comecei a conversar muuito com ele por mensagem. então quando eu discutia com meu parceiro ou quando tinha alguma crise, eu geralmente ia falar com ele. me sentia segura por isso, mas, ele aproveitava a minha vulnerabilidade pra satisfazer algumas vontades dele. atenção, carinho, sexting, nudes... só pra dizer o mínimo. não vou e nem quero entrar em detalhes, e pode até soar estranho, mas situações de vulnerabilidade te fazem fazer coisas que você nunca se vê fazendo.
até que, depois de um tempo, eu percebi a manipulação que ele fazia e resolvi me afastar dele. contei tudo que tinha feito deslealmente para Joaquin, meu parceiro. meu amigos disseram que Paulo era apaixonado por mim mas na época eu nem cogitei. Joaquin, compreensível como sempre foi, entendeu o que tinha acontecido e não me achou a babaca da história - fui babaca, turma? não sei, ainda estamos na metade da história. o fato foi que eu me sentir uma péssima namorada por isso e pensei que nunca mais teria qualquer relação de amizade com Paulo. yes, you guess it: isso não aconteceu.
lá pra metade do meu segundo ano Joaquin terminou comigo e isso fez Paulo se sentir "convidado" a começar uma amizade de novo. eu não vi nenhum problema nisso apesar de não ter me sentindo completamente confortável de início. com os meses, eu fiquei bem próxima dele de novo mas ele tava diferente. ele estava bem mais ciumento. ele chegou a ficar sem falar comigo pq eu pedi emprestado o casaco de um amigo nosso, Pedro, e não o dele. bizarro né, pois é, continuem acompanhando. (btw, Pedro vai aparecer mais tarde na história)
enfim, quando eu já tinha "superado" meu rolo com Joaquin, Paulo achou - considerando a minha eu do passado que foi manipulada por ele - que eu queria ficar com ele. todo dia ele mandava mensagens com duplo sentido, insistia muito MUITO MESMO pra ter qualquer coisa comigo. eu já desconfiada, e cansada de tanta insistência, acabei cedendo e a gente acabou ficando. pra ser sincera, eu não gostei do beijo. acontece né, as vezes não dá certo - sem querer ser parcial mas já sendo, ainda bem que não deu. mas, Paulo e sua masculinidade intocável não estava preparado pra ouvir isso quando eu disse. eu realmente queria que a gente continuasse amigo mesmo, mas ele simplesmente deixou de falar comigo! de um dia pro outro: tchau. eu fiquei arrasada de início mas depois não me abalei muito pq julguei ele como o babaca da história. bem, a babaquisse dele só estava começando. avançando um ano na história: fiquei solteira e carente até o meio do terceiro ano.
nessa época, Paulo estava namorando Bruna. ** um parenteses na história: eu sempre achei eles o casal perfeito pq antes de Paulo, Bruna namorava Pedro - lembram de Pedro, meu amigo do casaco? pois é, ele. o namoro era uma mentira: Bruna só começou a namorar com Pedro pra superar João, que um dai teve um rolo com ela mas não quis mais sabe? Bruna, uma pessoa bem bacana como vocês podem perceber, terminou com meu amigão Pedro um dia antes de uma super festa que ele deu na casa dele. ela foi na festa, claro, e ficou com Paulo lá. na frente de Pedro. melhor casal não conheço. enfim voltando a história ** e eu e minhas amigas futriqueiras - "fofoqueiras" - estavamos comentando esse caso babado de Bruna né e eu falei no meio da conversa "ainda bem que eu beijei ele uma vez e não deu em nada".
nesse momentos minhas amigas fizeram silêncio. muito silêncio. era a pausa dramática mais dramática que eu já tinha visto. eu não entendi a estranhessa daquele silêncio e perguntei o que tinha acontecido, se eu tinha dito algo errado e tals. até que Dani disse: "Paulo me disse que você traiu Joaquin com ele. que vocês fizeram... coisas e que foi por isso que vocês terminaram" (texto family friendly). eu fiquei sem palavras. todas as minhas amigas disseram que escutaram essa história e ficaram COM VERGONHA de perguntar se tinha sido verdade. todas elas escutaram a história de PESSOAS DIFERENTES do colégio. A HISTÓRIA DE UM FALSO CORNO QUE EU DEI. sem saber o que dizer - e um pouco irritada com essa trocidade que eu ouvi a meu respeito - eu fui falar com Joaquin. Ele disse que não tinha ouvido essa história, mas que com certeza foi a história mais engraçada que ele já tinha escutado. de fato, eu também achei engraçada, até pq "era a cara" de Paulo fazer algo do tipo.
depois de ouvir isso - eu e minhas amigas ativamos nosso james bond interno e fizemos nossas investigações pra saber quem sabia e tudo mais. isso fez eu desenvolver problemas sérios de insegurança e fobia social, além de me deixar completamente ansiosa só de pensar em ficar com alguém. no fundo, eu imaginei que qualquer cara pudesse agir como ele. mas, depois de muita "investigação" descobrimos que todos, eu disse TODOS os alunos da minha série sabiam dessa história E QUE PAULO TINHA INVENTADO OUTRAS HISTÓRIAS SOBRE OUTRAS GAROTAS. basicamente, se ele ficasse com uma que não gostasse ou não quisesse de novo, ele ia inventar alguma coisa sobre ela. inclusive, descobrimos que ele fez isso com duas amigas minhas sem a gente saber. depois disso, o ódio e a vergonha tomou conta e eu não consigo falar com ele até hoje. a última vez que eu tive que compartilhar oxigênio com ele foi em uma festa com algumas pessoas da minha série. ele e Bruna estavam lá e ela (bebada) disse pra minha amiga que "concertou" ele. que fez ele pedir desculpas por todas as besteiras que ele fez.
até hoje eu não recebi nenhuma desculpas. nenhuma explicação. nenhuma mensagem ou telefonema. até hoje eu tenho fobia social e não consigo me relacionar com ninguém sem me sentir ansiosa e insegura. no fundo eu acho que vão criar coisas sobre mim, espalhar e eu vou receber os mesmos olhares estranhos que recebia no colégio sem saber o porque.
final meio deprê mas essa foi minha história. Paulo pode ser qualquer pessoa na sua. ele fez coisas comigo, psicologicamente e emocionalmente, que não sei como concertar. não falo sobre isso com quase ninguém mas quis compartilhar pra nenhuma garota ou garoto ter que passar por isso. fiquem bem, fiquem seguros, abraços!
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2020.06.15 09:22 amandasawan Eu amo Larry

suposições Larry stylinson
primeiramente o site do Harry de colocar os nomes, eu botei Larry e veio: "you're the end of june, tpwk"
Fine Line e Walls, feitos um pro outro? os dois álbuns, dos cantores Harry styles e Louis Tomlinson saíram perto um do outro, E agora eu vou dar algumas evidências q fine line é sobre Louis e walls sobre Harry.
em Golden, Harry fala o seguinte: "I'm hopeless, golden so wait for me in the sky" "golden, golden, he is broken I know you're scared cause I'm so open" o que eu vejo como o Louis tendo medo de se abrir sobre sua sexualidade e tendo que viver oprimido por fingir ser hetero, E que o único lugar que ele não vai precisar fingir é o paraíso, onde eles vão ficar juntos.
em Watermelon Sugar Harry fala: "Tastes like strawberry" e Louis usava pasta dental de morango, mas continuando, "baby, you're the end of june" como eu falei la em cima, dia 28, dia dos gays, Larry, blábláblá, não vou pisar nesse tópico de novo
vamos pra Adore You: "walk in your rainbow paradise" de novo, sexualidade, eu acho "strawberry lipstick state of mind" Louis e sua pasta de morango "you don't have to say you love me you don't have to say nothing lately you've been on my mind" a reunião de 1D tá chegando, além de esse ser o pride month e todos eles estarem em londres já faz um tempo. sinto uma aproximação
partiremos então para Lights Up: "I could but wouldn't stay" o Simon ameaçava acabar com A banda se visse eles dois juntos, então acho que é isso " it'd be so sweet if things just stayed the same" eles se abraçavam e mostravam o afeto que tinham um pelo outro livremente, acho que é isso. Louis chorou quando anunciaram haylor (q eu acho q foi marketing pq Harry e Taylor não tem nada a ver) e Harry chorou quando Louis falou que ia ser pai. "lights up and they'll know who you are" acho q é falando pro nosso tommo sair do armário. "Shine, I'm not ever coming back" eles sexualizavam mto o Harry pq ele era o menino que todas as meninas tinham crush na 1D, E ele agora pode ser quem é, outra gravadora que não controla ele desse jeito.
e vamos pra Cherry: "don't you call him baby" sla, me deu uma vibe de algum ciúmes batendo, falando pra não chamar ele de amor. "we're not talking lately" ele perdeu bastante contato com todo mundo, acho q o Harry virou meio hippie, quase não usa i celular e tal. "I noticed that there's a piece of you in how I dress" o Harry tá sempre de roupas coloridas e extravagantes, além de derrotaram os padrões de masculinidade da sociedade. Acho q o Louis queria poder ser assim publicamente. "I just miss your accent and your friends" o niall extravagante que provavelmente fez toda a 1D acontecer de vdd tem um sotaque, além de os amigos deles serem os meninos da banda, o que inclui nosso lindo Loulou.
agora vamos pra Falling,uma das minhas preferidas: "I'm I'm my bed, and you're not here" eles dividiam um apartamento, não duvido nada q eles acabavam cuddling juntos. "I'm falling again" eu acho q ele e Tommo voltaram a se falar e ele se apaixonou de novo, É isso. "you said you cared and you missed me too" vamos ver isso no walls, álbum do Louis, ele fala isso bem na cara. Eu amo meu Larry. "and I'm well aware I write too many songs about you" todo mundo vê q eles escrevem músicas um pro outro o tempo inteirinho "and the coffee's out at beachwood cafe" beachwood cafe é um café na cidade natal de Louis, além de ele ter uma tatuagem que parece ser igual o papel de parede do lugar. "and I get the feeling that you'll never need me again" ele vê o homem da vida dele casar e ter filho, obviamente ia ficar despedaçado. Quem não ia se achar não necessário numa situação dessas? a próxima é To Be So Lonely: "dont blame me for falling, I was just a little boy" o Harry conheceu os meninos sendo o mais novo, com 16 aninhos, um bebê. Acho q é isso. "I know that you tryna be friends" acho que mais que isso, Harry. "cause I miss the shape of your lips" todo mundo sabe que os lábios do nosso bebê Louis Tomlinson são icônicos, não da pra negar. ele sente saudade dos beijos Larry.
She: "just sailing away, without telling his mates" quem vai me falar que isso não é sobre o Zayn? Ah, além disso, eu acho q a música é sobre a Eleanor, pelo visto ex do Louis já que nada foi confirmado, pq ele fala duma tal assistente pegando café pra ele na hora 1:32. antes deles se oficializarem, Eleanor era confundida como assistente de Louis por estar sempre pegando café pra ele, E 1:32 é a linha do princess Park, o lugar que Harry e Louis moravam juntos.
a próxima é Sunflower Vol. 6: "I've been trying hard not to talk to you" Louis indo atrás do Harry, interessante. "I couldn't want you anymore, kiss in the kitchen like it's a dance floor" tem vários vídeos deles na cozinha do princess Park, eles amavam aquele lugar, E Harry expressa seu desejo por Louis de volta.
Canyon Moon: "I'll be gone too long from you" 5 anos sem alguma interação de verdade, né amores? "all through Paris, all thorough Rome" numa entrevista o entrevistador perguntou: qual seria o lugar mais romântico pra um encontro? Harry respondeu Roma e Louis respondeu Paris. "I heard Jenny saying" Louis em algum vídeo brincou sobre se chamar Jennifer. "doors yellow broken blue" no beachwood cafe perto da casa do Louis a porta éazul e amarela.
Fine Line: "we'll be fine line, we'll be alright" eu tenho certeza q ele tá falando q a relação deles e do Louis algum dia vai melhorar ao ponto de todo mundo poder saber. essa foi a única coisa q achei nessa música, mas vamos pra próxima.
Treat People With Kindness: não tem nada não, É só uma vibe mesmo
ÁLBUM DO LOUIS, WALLS
Kill my Mind: "you kill my mind, raise my body back to life" então o Harry faz ele se sentir vivo, Hmmm senhor Tomlinson. "on a mission to feel like when you kissed me for the last time, why?" querendo replay de beijo Larry, todos queremos, vai em frente.
Don't let it Break your Heart: "on our way to 27" O HARRY Q VAI FAZER 27 AAAAA. "I now you left a part of you on new York, in that box under the bed " Como todo mundo sabe o Harry voltou chorando de NY "when you love someone and they let you go" indireta pq o simon não deixava o Harry perto do Louis, coitados, o nosso Hazza teve q deixar o Boo Bear ir. "whatever tear you apart" nem precisa explicar essa.
Two of Us: "it's been a minute since I called you, just to hear the answerphone " ELE LIGOU PRO HARRY MESMO SABENDO Q ELE NAO IA PODER ANYENDER, Q FOFO. "the day they took you, I wish they took me instead" levaram o Harry pra algum lugar, provavelmente NY pq ele sempre voltava chorando. que ótimo. essa música é mais sobre a mãe e irmã dele então não vou forçar a barra
We made It, uma q me faz chorar: "met you at the doorstep" oops e hi, É isso. "share a single bed and tell each other what we dreamed about" EU SEI Q ELE E O HARRY DORMIAM JUNTOS NO PRINCESS PARK. "we were only kids tryna work it out" 16 e 19 as idades dos meus nenéns em 2010. assim, não tem mta coisa nessa música pq é sobre subir na carreira, mas essas duas dão na cara
Too Young: "I've been looking back a lot lately" ele quer o Harry de volta, eu vejo isso, eles tinham ciúmes um do outro e tal. "everything's feeling different now" ele não quer mais ficar com a Eleanor e não tá certo sobre isso, ele só quer o nosso perfeito Hazza de volta. "oh I can't believe i gave in to the pressure" ele confirmando q o simon fez eles se afastarem. "when they said a love like this would never last" ele só confirma q eles tão apaixonados e precisam um do outro, eu só quero meu Larry de volta. "I'm sorry that I hurt you darling" só piora, essa música foi frita pro Harry sem um pingo de dúvida. Eu sinto q eles tão de quarentena juntos. não vou falar exatamente mas tem uma hora q ele fala que eles tão sentados na cozinha tendo a conversa que ele queria ter tido antes. Eles definitivamente estão no mesmo lugar agora.
Walls: "I watched them fall down for you" isso é romântico ora cassete, eu ano o Louis e o jeitinho dele de se expressar, isso tem q ser pro Harry, já que fala sobre como a outra pessoa mudou 1o. "nothing makes you hurt like hurting who you love" assim q vc ea Eleanor começaram a namorar eu senti meu Larry meio distante, com o filho então, o Harry até chorou, eu entendo esse verso sobre ele nunca querer fazer isso pra machucar nosso babycake. é isso
Habit , uma das minhas favoritas: "i know that you Said that you'd give me another chance, but you and I knew the truth of it I'm advance" acho q ele fala q passou muito tempo e que talvez o Harry não queira mais nada com ele, o que eu duvido. "I'm missing you and your addictive heart" todo mundo conhece o Harry pelo coração imenso dele, então nem tenta disfarçar sweetcheeks. "you're the habit that I cant break, you re the feeling that I cant put down" vc, Louis Tomlinson é completamente apaixonado no Harry, a gente já entendeu. "you're the high I kneed right now" watermelon sugar high, bebês. depois ele fala q tava fingindo ser alguém q não era por causa da mídia e blábláblá, já tem vídeo dele gritando q é gay então fodase, essa parte a gente ama E EU ESPERO Q HAZZA ESTEJA OUVINDO ESSAS MUSICAS. "and it's been ages, different stages, come so far from princess park" o Louis e o Harry moravam juntos no princess Park. "I'll always need ya" ok, eu sou mto cadelinha desse casal.
ok, eu cansei pq tô há mais de 3 horas escrevendo isso, por enquanto é só.
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2020.05.16 04:43 altovaliriano Os Fantoches de Gelo e Fogo (Parte 1)

Texto em inglês: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/134726-the-puppets-of-ice-and-fire/
Author: KingMonkey
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– Você não é alta demais – Dunk replicou. – Você tem a altura certa para... – Percebeu o que estava prestes a dizer e corou furiosamente.
– Para? – perguntou Tanselle, inclinando a cabeça de modo inquisidor.
– Fantoches – ele completou sem convicção.
(O Cavaleiro Andante)
O fantoche em questão é o pobre e apaixonado Dunk. Duncan, o Pateta, Dunk, o Alto, cabeça-dura como uma muralha do castelo, um homem simples ao redor do qual grandes eventos giram. Não é por algo que Dunk faz que rebeliões florescem e se espalham, ou que os príncipes morrem ou se tornam reis aonde quer que ele vá. Ele não faz essas coisas acontecerem, embora ele seja o meio pelas quais elas acontecem. Ele dança enquanto o destino puxa suas cordas de marionetes para um lado e para o outro. Ele é o Bobo do Destino.
As histórias de Dunk e Egg funcionam como uma espécie de microcosmo do mundo do fogo e do gelo; vinhetas que informam e dão informações. Eles são um modo de GRRM poder explorar seu mundo paralelamente, espelhando, mas não interferindo no enredo dos livros principais. Se Dunk é um fantoche, todos os ‘jogadores’ das Crônicas também são? É um espetáculo de pantomimeiro, GRRM gosta muito de nos lembrar. Talvez ele esteja nos dizendo mais do que pensamos.
O que segue abaixo não é tanto uma teoria; mais uma observação. Existe um padrão de eventos que podem ser encontrados repetidos em ASOIAF e, o que quer que isso signifique, parece estar conectado aos mistérios principais da saga. Eu suspeito que efetivamente é o mistério principal da saga.
Esses ecos podem ser um dispositivo puramente literário, um uso de paralelismo para reunir idéias compartilhadas. Pode ser algo um pouco maior. Um ritual em que as pessoas se deparam, mais ou menos acidentalmente, mais ou menos conscientemente. Ou pode ser um desses eventos criados pelas ondulações mágicas no rio do tempo, que fazem com que eventos se repitam como ecos antes e depois. Ou talvez seja uma história, desesperada para ser contada, vazando nas narrativas de muitos personagens e moldando as histórias deles a sua imagem e semelhança. Talvez seja uma mistura disto tudo.
Cada vez que vemos esses eventos ecoarem, alguns detalhes são compartilhados e outros são alterados. É como se a história estivesse lutando para ser realizada, mas o ritual nunca é realmente cumprido. Entre as lutas pessoais dos personagens que lemos, há uma luta maior que eles estão lutando sem saber. Um destino que puxa suas cordas de marionetes e os faz dançar ao som da canção de gelo e fogo.
Tudo parecia tão familiar, como um espetáculo de pantomimeiros que ele já vira antes. Só que os pantomimeiros haviam mudado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Tudo começa com a Torre da Alegria. A linguagem que Martin usa no sonho de Eddard é diferente de quase tudo que há nos livros. É um sonho, com certeza, mas há mais do que isso. A linguagem é ricamente poética de uma maneira que Martin raramente emprega, e o diálogo é altamente antinatural e ritualístico. Tudo na maneira como está escrito grita que é altamente importante para o leitor.
A cena da Torre da Alegria é apresentada a nós como um mistério e parece ter uma conexão com o subjacente tema central de fogo e gelo. As pessoas gastam muito tempo tentando analisar essa cena vital da Torre da Alegria, mas geralmente perdem um ponto importante: os eventos na Torre da Alegria não são únicos.
Ao longo do texto, há vários ecos da Torre da Alegria, cenas que à primeira vista não parecem relacionadas, mas compartilham uma conexão às vezes muito clara. Quando começamos a procurar qualquer padrão, é inevitável encontrá-los em todos os lugares. Encontrar padrões e paralelos é o truque favorito do cérebro. Por esse motivo, peço cautela com o que você está prestes a ler. Mas acho que você concordará que pelo menos a maior parte disso é real, porque se encaixa um pouco bem demais para não ser.
Não sou a primeira pessoa a notar pelo menos alguns desses ecos. Muitas pessoas já examinaram as idéias discutidas aqui antes. Nem tudo é de forma alguma novo, mas se alguém já juntou tudo isso antes, eu nunca vi. É algo que vale a pena fazer, porque ajuda a contextualizar muitas idéias e teorias diferentes,
O primeiro desses ecos acontece logo após o sonho de Ned Stark e é fácil de entender, porque o próprio Ned percebe que é um eco.

Os quatro grandes

1 - A Fortaleza de Maegor
Os aposentos reais ficavam na Fortaleza de Maegor, um maciço e quadrado forte que se aninhava no coração da Fortaleza Vermelha por trás de muralhas com três metros e meio de espessura e um fosso seco coberto de espigões de ferro, um castelo dentro do castelo. Sor Boros Blount guardava a extremidade mais afastada da ponte, com a armadura de aço branco que o fazia parecer um fantasma à luz da lua. Lá dentro, Ned passou por dois outros cavaleiros da Guarda Real: Sor Preston Greenfield estava ao fundo das escadas, e Sor Barristan Selmy esperava à porta do quarto do rei. Três homens de manto branco, pensou, recordando, e sentiu-se atravessado por um estranho frio.
(AGOT, Eddard XIII)
A coisa mais importante sobre esse eco é que o GRRM nos diz que está lá. O frio de Ned ao ver a conexão em si convida o leitor a reconhecer esse eco e procurar mais. Pouco depois de ter seu sonho, Ned entra em uma torre guardada por três guarda-reis, para ver um ente querido moribundo (Robert é "mais próximo que um irmão"). Existem mais conexões do que aquelas quando olhamos mais de perto.
Sete pessoas foram citadas fora os três guardas reais e o "irmão" moribundo: Ned: Cayn, Tomard, Cersei, Pycelle, Varys e Renly. Sete e três, como no sonho. Ned exige saber onde estava a Guarda Real quando os eventos que àquele momento aconteceram ("Onde estava Sor Barristan e a Guarda Real?" vs. "eu me pergunto onde estariam"). O quarto cheira a sangue. Ned faz uma promessa. Estes são todos os elementos compartilhados com a sequência Torre da Alegria. GRRM nos diz o seguinte: “Prometa-me, Ned, disse a voz de Lyanna num eco".
Existem outros elementos compartilhados também? Não sabemos tudo o que aconteceu no Torre da Alegria, então talvez alguns desses eventos desconhecidos também ecoem aqui. Robert fala com Ned sobre seus preparativos para o funeral, como Lyanna fez também. Ele até decide preservar a vida de uma criança Targaryen, parente de Rhaegar. As últimas palavras de Roberts são "Tome conta dos meus filhos por mim". As palavras de Lyanna poderiam muito bem ter sido bastante parecidas.
2 - O sonho de Cersei
Sonhou um sonho antigo, sobre três garotas com manto marrom, uma velha encarquilhada e uma tenda que cheirava a morte.
Sonhava um sonho antigo: três garotas de mantos marrons, uma velha rabugenta e uma barraca que cheirava a morte.
(AFFC, Cersei VIII)
O sonho de Cersei, onde ela se lembra de sua visita a Maggy, a Rã, parece ter pouca conexão com a Torre da Alegria, mas reproduz grande parte da linguagem do sonho de Ned. Temos que olhar um pouco mais de perto para ver os paralelos.
Cersei e suas duas companheiras fazem três. Elas não são guardas-reais, mas estão usando mantos. Em uma estranha inversão da Torre da Alegria, as três são quem tentam entrar, em vez dos que estão vigiando. Ficamos "No sonho, os pavilhões eram sombreados, e os cavaleiros e servos por quem passavam eram feitos de névoa", obviamente remanescente dos de Ned. "No sonho, os pavilhões encontravam-se cobertos de sombras, e os cavaleiros e criados por que passavam eram feitos de neblina".
Não há torre aqui, eles entram em uma tenda. Há alguém deitado na cama naquela barraca, mas é uma maegi, e não uma garota moribunda, embora a barraca cheire a morte. Como na Torre da Alegria, há quatro perguntas e há sangue. Recebemos um eco final com "Mas, no sonho, seu rosto se dissolveu, derretendo-se em fios de névoa cinzenta até que tudo o que restou foram dois olhos vesgos e amarelos, os olhos da morte", em comparação com o sonho da Torre da Alegria, "Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue, azul como os olhos da morte."
Há tantos detalhes diferentes aqui que é o eco fica distante, mas óbvio. Pode nos dizer algo mais sobre o original. As perguntas de Cersei são sobre os filhos que ela acredita que terá com Rhaegar. Embora ela seja uma das três, Cersei é um tipo de substituto para Lyanna. Lyanna roubou dois reis de Cersei, e isso faz de Cersei uma espécie de Lyanna mal-sucedida. Talvez então esse eco, apesar da linguagem obviamente semelhante, seja um exemplo de uma falha desse ritual, ou ciclo de eventos, ainda em desdobramento.
3 - A batalha no bordel
Outro desses ecos ocorre antes mesmo de chegarmos ao sonho de Ned, tornando-o particularmente difícil de identificar (o crédito vai para Pretty Pig, acredito, por achar esse).
Em A Guerra dos Tronos, cap. 35, Ned Stark visita um bordel. Enquanto estava lá, Ned prometeu a uma garota que seu filho bastardo não ficaria desamparado, ela sorriu um sorriso que "lhe destroçara o coração", e seus pensamentos voltaram-se para Lyanna, depois para Jon e depois para Rhaegar. Este é um paralelo óbvio ao encontro de Ned com Lyanna, mas o paralelo da Torre da Alegria está longe de terminar por aqui. Depois de deixar o bordel, Eddard é abordado por Jaime, e a cena é bastante familiar.
As conexões aqui precisam de um pouco mais de concentração, mas a primeira é bem clara. Jaime veio exigir o retorno de seu irmão, que foi sequestrado enquanto viajava perto de Harrenhal. Ned foi a Torre da Alegria para exigir o retorno de sua irmã, que foi seqüestrado enquanto viajava perto de Harrenhal.
Existem outros links também. Os oponentes de Ned estão encobertos, embora sejam mais escarlates do que brancos. Os homens de Ned estão a cavalo, mas as pessoas contra quem ele luta estão a pé, na vida como era em seu sonho. Há um Lannister (Jaime) que não está a pé, como se quisesse chamar a atenção para o seu cavalo, que é mencionado várias vezes. O cavalo é um "garanhão baio puro-sangue" ou, em outras palavras, um garanhão vermelho, como o "grande garanhão vermelho" de Lorde Dustin, o único cavalo descrito no sonho da Torre da Alegria.
Nós temos “os homens de Ned tinham puxado as espadas, mas eram três contra vinte" aqui, como " Os espectros de Ned puseram-se ao seu lado, com espadas fantasmagóricas nas mãos. Eram sete contra três". Se você tem alguma dúvida em ralação à discrepância nos números, pergunte-se por que o GRRM optou fazer com que Ned visse a luta em termos de vinte contra três, quando, na verdade, havia quatro homens lá. Ned esqueceu de se contar.
Temos "fantasmas em mantos vermelhos", que soam familiares em razão da referências a sombras / névoa / espectros que vemos no sonho da Torre da Alegria e de Cersei. Ned é acompanhado por Jory Cassel aqui, como foi acompanhado pelo pai de Jory na torre. Oito homens morreram na luta, exatamente como na Torre da Alegria.
4 - A Tenda da Alegria, os Dançarinos de gelo e fogo
Como você tem uma Guarda Real se não for um rei? Se você é um khal, em vez disso, você tem companheiros de sangue e Drogo tinha três. Cohollo, Qotho e Haggo encontram seu fim lutando fora de uma barraca; lá dentro, alguém está morrendo de febre. Os paralelos aqui são muitos e os eventos claramente mágicos por natureza.
No capítulo 64 de A Guerra dos Tronos, podemos estar diante do evento original que ecoou para trás e para a frente no tempo, ou da realização que mais chegou perto do ritual que o destino demanda que seja realizado, ou de um negativo sombrio do Torre da Alegria.
Os três Companheiros de Sangue são reflexos sombrios dos três guardas reais na Torre da Alegria. Cohollo, lembremos, é um homem velho. Como o "velho Sor Gerold Hightower", temos o "velho Cohollo". Qotho é temível com o arakh, como Dayne era um temível com a espada: "Qotho dançou para trás, fazendo girar o arakh por cima da cabeça num borrão cintilante, rilhando como um relâmpago, quando o cavaleiro arremeteu numa investida. Sor Jorah fez a melhor parada que foi capaz, mas os golpes sucediam-se tão depressa que parecia a Dany que Qotho tinha quatro arakhs em outras tantas mãos" (AGOT, Daenerys VIII). Dayne "tinha um sorriso triste nos lábios", enquanto "os lábios de Qotho mostraram seus dentes tortos e escuros numa terrível caricatura de sorriso". A luta no Torre da Alegria começa quando Dayne puxa sua espada. A luta na tenda quando Qotho puxa seu arakh. A espada de Dayne está "viva de luz". O Arakh de Qotho era um “borrão cintilante, brilhando como um relâmpago”.
Diante dos três estão sete: Jhogo, Aggo, Jorah, Rakharo, Dany, Quaro e Mirri Maz Duur. Apenas seis mortes ocorreram na barraca: Rhaego, Cohollo, Qotho, Quaro, Haggo e o cavalo de Drogo, mas houve mais duas mortes temporariamente suspensas, Mirri Maz Duur e Drogo, para compor as oito:
[Daenerys]: Diga-me lá outra vez o que salvou.
– A sua vida.
Mirri Maz Duur soltou uma gargalhada cruel.
– Olhe para o seu khal e veja de que serve a vida quando todo o resto desapareceu.
(AGOT, Daenerys IX)
Dany recusa a sugestão de Jorah de fugir para Asshai, como os três guarda reais não fogem. Lorde Dustin tinha um "grande garanhão vermelho" na Torre da Alegria. O "grande garanhão vermelho" de Drogo é sacrificado na barraca.
Na Torre da Alegria, "Ned colocara depois a torre abaixo, e usara suas pedras sangrentas para construir oito montes sepulcrais no topo daquela colina.". A tenda de "sedareia salpicada de sangue" de Drogo desempenha um papel semelhante. Em sua pira funerária, Dany queima os tesouros de Drogo... e o primeiro item mencionado é sua tenda.
No Torre da Alegria havia um "céu riscado de sangue", na tenda o "céu era de um vermelho ferido".
"Dentro da tenda, as sombras rodopiavam" ecoam na iconografia de sombras que vimos na Torre da Alegria, no sonho de Cersei e na Batalha no Bordel.
Um dos detalhes mais intrigantes e intricados da cena da barraca é: " Dentro da tenda, as formas dançavam, escuras contra a sedareia, rodeando o braseiro e o banho sangrento, e algumas não pareciam humanas. Vislumbrou a sombra de um grande lobo, e outra que era como um homem envolvido em chamas".
O próximo capítulo de Dany começa com seu próprio sonho febril. No sonho, Drogo desaparece com as estrelas, Jorah desvanece, Viserys queima, Dany queima, Rhaego queima e Rhaegar queima. O homem envolto em chamas é um Targaryen, o lobo é obviamente um Stark. Não é exagero dizer que na Torre da Alegria, um grande lobo e um homem de fogo dançaram também.
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2020.05.14 05:43 novadulto Não consigo me manter apegado (a pessoas, coisas, ideias...)

Minha cabeça é meio bagunçada, então já peço desculpas antecipadamente pelo texto meio perdido hahaha.
Sou homem, atualmente com 30 anos, e tenho uma dificuldade enorme de me manter apegado a algo ou a alguém.
No âmbito de relacionamentos lembro que durante o ensino médio eu tinha meu grupo de amigos e a gente tava sempre junto, saía de fim de semana, ia viajar nalgum feriado prolongado... Mas o tempo foi passando e, uns dois anos depois de terminado o ensino médio e perdermos aquele contato diário, comecei a "cansar" deles. A gente ainda saía umas 3 vezes por mês, mas cada vez eu tinha menos vontade praquilo, tava sempre arrumando uma desculpa pra não ir, não procurava mais eles (só falava com alguém se viessem falar comigo antes), até que chegou num momento em que eles me procuravam cada vez menos e finalmente largaram mão de mim. Isso foi há uns 10 anos e eles foram meus últimos amigos de verdade (de lá pra cá tive apenas colegas).
Ainda nos relacionamentos, agora amorosos, tive minha primeira namora de verdade (as outras foram aquelas namoradinhas não tão sérias) na faculdade. Nunca fui o pegador (muito pelo contrário, quando eu arranjava alguém eu já me apaixonava e ficava com ela por uns meses), até por não ser uma pessoa que leva muito jeito na conquista (não sou tímido, converso com todo mundo, mas se for alguma garota por quem estou afim eu travo), mas sempre quis experimentar essa vida (talvez por não ter tido essa experiência e vê-la como algo maravilhoso eu tenha alguns dos problemas nos relacionamentos amorosos que vou relatar a seguir). Vejo uma mulher que me atrai e dou aquela acompanhada com o olho, fico "analisando o material" (não levem pro lado machista da coisa), dou umas fantasiadas... Não chega a ser aquela coisa nojenta de enfiar a mão na calça ou ficar secando a mulher e lambendo os beiços, e obviamente eu tento disfarçar, mas eu dou sim uma boa conferida. Fico imaginando como seria minha vida de pegador, dormindo cada noite com uma, passando um fim de semana com alguma que me agradasse mais... Mas quando começo a namorar tudo isso some - eu só tenho olhos pra minha namorada, me entrego totalmente, sou super disposto quando vamos nos encontrar (normalmente sou meio preguiçoso, de modo a preferir ficar na cama a sair pra passear)... Posso até reparar que outra mulher é bonita, mas não passa disso, de uma mera constatação (assim como posso olhar pra um homem e pensar "esse cara é bonitão" sem que isso signifique que quero pegar ele, ou pensar "que cachorro fofinho" sem querer adotá-lo), não rola qualquer olhar mais prolongado, qualquer fantasia... Até aí maravilha, acho isso até bom já que estou num relacionamento sério e ficar desejando outras não seria saudável pra mim ou pro relacionamento. Acontece que com o passar dos meses eu vou "enjoando" daquele namoro, parece que vira uma obrigação - eu continuo super apaixonado pela minha namorada, mas eu simplesmente começo a não ter mais saco pra ter que sair de casa e ir encontrá-la; junto disso começa a voltar aquele desejo por outras. E aí já não tô mais feliz, sinto que o namoro já deu o que tinha que dar e termino. Já reparei que isso começa uns meses depois que a gente começa a ter uma vida sexual mais ativa (e como costumo namorar "meninas de família" isso costuma levar uns meses), até por isso penso que talvez seja uma "programação biológica" no sentido de passar os genes adiante (apesar de essa parte em especial não rolar graças à camisinha hahaha), de modo que depois que o "objetivo é cumprido" meu organismo não manda mais os mesmos sinais que me faziam querer ficar com aquela pessoa (como se toda aquela paixão fosse só um meio de me fazer chegar no objetivo sexo). Quando termino eu penso comigo "não vale a pena, é sempre a mesma coisa - me apaixono, namoro, me dedico pra caramba só pra depois de um tempo eu me cansar daquilo e terminar tudo" e decido que não vou mais perder tempo com namoros. E aguento bem nessa, fico uns dois anos de boa com isso, até que começa a bater uma puta carência e acabo entrando num novo namoro.
Meu último namoro terminou deve ter 3 anos e até recentemente eu tava de boa com mais uma das minhas decisões de "vou ficar sozinho, é mais fácil assim", mas nessa última semana já começou a bater aquela vontade mais forte de ter um contato mais íntimo com alguém. Normalmente quando vem esse desejo (não confundir com o mero tesão) eu bato uma punheta e tá resolvido, a vontade passa (até por isso acho que o meu desejo de ficar com alguém seja mais sexual/"evolutivo" do que afetivo), mas têm vezes que não, eu bato uma, duas, três e continuo com aquele desejo de "eu quero uma namorada" e já começo a fantasiar sobre como seria a namorada perfeita, como a gente se conheceria, como seria a nossa vida juntos... Esses três últimos dias foram assim.
Importante notar que justamente por isso eu não pretendo ter filhos - além da quebra obrigatória na rotina (coloco o "obrigatória" aqui porque não vejo nenhum problema em quebrar a rotina, desde que isso parta única e exclusivamente de mim) fico pensando se um dia eu simplesmente "enjoar" deles, sem contar que quando a gente ama alguém a gente se preocupa com aquela pessoa, acaba fazendo por elas coisas que não queria ter que fazer... (já percebi que eu quero viver pra mim, que sou uma pessoa egoísta). É como diz a música:
Why can't we give love that one more chance?
[...]
'Cause love's such an old fashioned word And love dares you to care for The people on the edge of the night And love dares you to change our way of Caring about ourselves
Sério, por mais triste que possa ser dizer isso (e me sinto péssimo quando penso nesse tipo de coisa) eu sinto que minha vida seria muito mais fácil se eu não tivesse família, já que eu os amo e me preocupo com eles e isso me impede de levar a vida 100% a minha maneira, de me isolar...
Tenho esse problema de "apego" também com estudos - quando eu tava no colegial não queria nada com nada, acabei fazendo direito porque no meu meio a "sequência natural" do ensino médio é a faculdade e por achar que dos cursos existentes essa era o tinha mais a ver comigo (ledo engano). No começo eu tentava estudar bastante, comprei várias doutrinas e tudo o mais, mas realmente não era pra mim (esse é um curso que eu realmente me arrependo de ter começado). Uns anos depois abandonei e parti pra biologia. Gostei bastante do curso e no começo, novamente, eu estudava bastante, mas com o passar dos semestres ia dando aquela desanimada e eu estudava cada vez menos. Mesmo assim terminei o curso, e desse eu não me arrependo (se é pra ter algum arrependimento é de não ter feito ele logo de cara e de não ter me empenhado mais). Entretanto, durante o curso eu tive muito contato com a galera da licenciatura (fiz bacharel), até porque as turmas eram juntas, e assim que terminei o curso de biologia parti pra pedagogia (eu queria trabalhar com crianças). Assim como no direito eu tinha uma visão bem fantasiosa de como era a área e acabei não durando muito no curso (esse tá fazendo companhia ao direito na sessão de "cursos que me arrependo de ter começado" [afinal representa um tempo perdido]).
Não sei, às vezes parece até que é um mecanismo de autossabotagem (ou autopreservação), como se sempre que eu fosse começar a ficar mais por conta própria, crescer na vida, ter mais responsabilidades, eu desse um jeito de protelar aquilo e voltar à zona de conforto.
Atualmente tô prestando concursos na área de biologia e logo começo em um (apesar de continuar estudando pra ver se passo em algum melhor - de vez em quando eu pego firme nos estudos, sinto que tô aproveitando bem, mas aí de repente dá um desânimo e largo mão) - quero só ver como será, se conseguirei dar o meu melhor e me empenhar como eu gostaria ou se minha cabeça vai dar um jeito de me sabotar e se eu cederei (apesar de eu achar extremamente difícil, já que estarei ganhando dinheiro [um salário que não é bom mas também tá longe de ser ruim], poderei ir morar sozinho, colocar em prática meus planos de juntainvestir um dinheiro e talvez daqui a 30 anos ir morar no campo, viver de renda, totalmente por conta própria...
Outro problema é que eu tô constantemente mudando - às vezes eu quero uma coisa, num outro momento quero outra completamente contrária. Pra exemplificar, quando paro pra pensar em "como seria a vida perfeita" pra mim eu tenho várias versões - em uma eu encontraria uma mulher perfeita, nos apaixonaríamos e viveríamos juntos e felizes para sempre; em outra eu seria o solteirão pegador que "pega e não se apega", que vive viajando pelo mundo; numa terceira inventariam um MMORPG fodão (imagina algo em realidade virtual com conexões neurais, de modo que parece que você realmente tá ali) e eu passaria o dia jogando; e assim por diante, se aparecesse um gênio agora e dissesse "você pode escolher a vida que você quiser e ela será sua" eu sinceramente não saberia escolher.
Obs.: ao falar de "arrependimento" e "tempo perdido" eu entendo que essas experiências me ajudaram a ser quem eu sou hoje, pode ser que sem elas as outras experiências que hoje eu gostei não tivessem sido tão proveitosas (ou mesmo estivessem nessa categoria de "me arrependo") justamente porque eu não tinha a maturidade que elas me deram. De qualquer forma é difícil deixar de pensar em como eu gostaria de não ter perdido tanto tempo com elas.
Mais alguém aqui tem esse tipo de problema? Alguma ideia de como resolver?
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2020.05.02 13:38 amornostemposdequa Peles e Espelhos

Tocava Stevie Wonder nas caixinhas de som ligadas no meu notebook enquanto meus dedos frenéticos teclavam mais um conto como esse. Os dedos acostumados com o teclado barato que se tornou uma ferramenta, uma extensão de meus sentimentos mais profundos e secretos. Diferente de meu coração verde que inventava histórias sem nunca as ter vivido de fato.
Mergulhado naquela tarde vazia eu ouvi alguém chamar no portão. De quem era aquela voz? Era feminina, mas de ninguém que eu conhecia. Parecia uma voz de anjo. Engraçado, parece que chamou dentro da minha mente interrompendo meu raciocínio. Quem ainda está visitando alguém no meio dessa pandemia? Não liguei nem parei de escrever por um segundo. Estava tão concentrado naquele parágrafo que parecia que estava apaixonado pelas mesmas palavras que eu usava todo santo dia. Como se fosse um tecido que eu desfiava durante o sono e costurava novamente durante a vigília.
A porta do meu quarto estava meia aberta e a música nas caixinhas de som ainda tocava algum soul dos anos 70’s quando de repente minha mãe me chamou da sala.
— Calmae, mãe.. — eu disse sem tirar os olhos da tela do notebook e sem vontade nenhuma de sair da minha cadeira. E antes que eu pudesse terminar a última frase do parágrafo ela entrou no meu quarto bagunçado acompanhada de minha mãe.
— Ouh menino, levanta pra cumprimentar sua prima. Ela vai ficar um tempo aqui com a gente antes de voltar para o Rio.
Quando eu virei a cadeira giratória me deparei com uma das coisas mais lindas já vistas pela retina dos meus olhos secos de tanto ficar em frente a tela de um computador. Seus pés com as unhas brancas à francesa davam contraste com sua pele jambo e suas solinhas estavam vermelhas de tantas horas de tênis dentro do ônibus. Usava um short jeans e uma desprevenida blusa amarela de alça deixando a pele negra exposta a luz do sol que a beijava suavemente naquela tarde amena do interior de São Paulo. Usava uma trança no cabelo e seu olhar parecia tão forte e profundo. Parecia que me olhava dentro da alma. Eu não acredito em alma gêmea mas tem olhos que parecem um espelho refletindo coisas que nem nós mesmo sabíamos que existia dentro da gente.
Eu levantei para cumprimentá-la. Dei um beijinho no seu rosto e ela como boa carioca me segurou um segundinho a mais para me dar um segundo beijo no outro lado da minha bochecha. Vendo que eu estava tímido ela me puxou e me deu um abraço.
— Oi primo, você lembra de mim? — Ela disse enquanto sorria não só com a boca mas também com os olhos com a testa com o corpo inteiro. Ela tinha um sol sobre sua cabeça. É claro que eu não me apaixonei assim rápido. Na verdade, só depois de algum tempo que eu notei aquela beleza em todo seu esplendor. Até então em minha curta vida amorosa meu coração tinha apenas se iludido sem saber bem o porquê, com os arquétipos inalcançáveis que a televisão colocou profundamente em meu inconsciente medroso e frágil.
Mas eu não lembrava dela. Não daquele mulherão que eu tinha na minha frente. Talvez algum resquício no fundo da memória de uma vez em que fomos no Rio e ficamos na casa da minha tia. Na verdade, eu lembro dela sim. Mas como ela era mais velha a gente não teve muito contato. Eu era apenas um menino e ela uma pré-adolescente sem paciência para criancices. Cerca de quinze anos se passaram e eu nunca mais tive contato com ninguém de lá. Até esse momento.
Depois que ela tomou banho e se instalou no quarto que era do meu irmão fomos jantar na mesa da cozinha.
— Primo, eu fiquei tão feliz quando soube que você fazia letras também.
— Ah, sim. Eu achei legal você fazer também. — Eu disse enquanto pensava que esse era um daqueles raros momentos em que a gente deixa de se sentir de todo só no mundo. Sorri calado enquanto dava uma garfada na costela com mandioca que minha mãe tinha feito.
— Você está em qual ano? — Ela perguntou.
— Terceiro. Mas acho que eles vão cancelar o semestre. Nosso campus resolveu peitar o governo e não colocar o ensino a distancia.
— Nossa, que corajoso. Se esse governo não cair eles vão ter arrumado uma puta briga com esse ministro louco. Quando passar essa pandemia eu quero conhecer seu campus.
— Vamos sim.
— Mas Jade, como que está a Tereza? — Minha mãe perguntou enquanto enchia o copo de suco.
— Ah tia, minha mãe está bem. A última vez em que a vi foi em fevereiro antes de vir aqui para o interior e começar minha pós-graduação. Mas agora sem ônibus eu nem sei quando vou conseguir voltar para o Rio.
— Eles estão dizendo que em agosto mas eu duvido muito. Você viu menina, o povo tudo na rua levando essa doença na brincadeira.
— Eu vi, tia. Pelo que minha mãe fala, lá no Rio também nego não está nem aí e os hospitais já estão abarrotados de gente.
— Só Jesus, né minha filha. — Logo após minha mãe terminar a frase eu perguntei a Jade:
— Você pesquisa que área na sua pós?
— To fazendo pós-graduação em semiótica. Você já teve essa matéria?
— Sim, sim. Tivemos um professor incrível. Era foda as análises que ele fazia.
— Ah primo depois a gente pode trocar algumas figurinhas semióticas haha — Ela disse isso com alguma maldade nos olhos que me pegou desprevenido.
Seu sorriso era um mundo aberto. Sua energia era um universo a parte que nos convidava a interagir. Era difícil ficar imune aquela pessoa. Para mim as vezes era difícil até respirar perto daquela mulher. Timidez e inexperiência junto com as desconstruções da internet me faziam ficar calado toda a vez que ela fazia uma gracinha um pouco mais provocativa. Eu nunca soubera se ela estava me dando mole ou apenas sendo legal. Na dúvida eu ficava sem jeito e calado. Ela percebia. E ria. Sabia que mexia comigo a danada. Depois eu escrevia no word toda minha afobação por estar perto dela. Mesmo com esse nó que eu tinha dentro de mim não demoramos a flertar pesadamente dentro de casa.
Certo dia de isolamento, em que ninguém sabia mais qual dia da semana era, ela entrou no meu quarto enquanto eu escrevia no notebook. Senti um cheiro de loção pós banho de maracujá invadir minhas narinas. Parecia um cheiro de mar. Tropical e fresco como agua de coco no calor de uma praia deserta.
Sua presença quente e seu perfume amarelo me excitaram de uma forma. Era como alguém tivesse apertado um botão dentro de mim. Claro, que já estávamos há não sei quanto tempo sem transar então não era de estranhar alguma tensão sexual no ambiente.
Apesar de já estar acostumado de ficar na sexa naqueles tempos eu estava tocando no mínimo duas por dia. Meus contos estavam mais eróticos que o normal. Tudo era tesão, raiva e medo. Notícias trágicas na minha linha do tempo vinham seguidas de nudes, soft porn e xingamentos às loucuras do presidente. Não exatamente nessa ordem. Eu as vezes sentia que ia explodir como uma bomba! De nêutrons, de hormônios, de amor.
Ela sentou na minha cama e ficou me olhando escrever enquanto tocava bacu exu do blues na minha caixinha de som. Seus pés macios como seda tocavam com as pontas dos dedos o tapete de crochê que minha mãe tinha feito. Ela estava mais calada que o normal e dessa vez foi eu que tomei a iniciativa para começar a conversa.
— Jade, o que você faria se estivesse afim de alguém mas não sabe se é reciproco ou não. É para um personagem que tô escrevendo aqui.
— humm.. depende da pessoa. Eu geralmente costumo ficar olhando calada, dando uma indiretas até a pessoa falar alguma coisa.
— E se a pessoa não percebe ou não toma a iniciativa?
— Aí ela perde TUUUDO ISSO haha — Ela disse isso e deu uma risada gostosa jogando seu corpão na cama.
Salvei o documento que eu estava escrevendo e deitei na cama ao seu lado. Ela encostou em mim deitando sua cabeça em meu bíceps. Quase pedia por um carinho como uma gata. Senti o cheiro de seu cabelo crespo e alto. Um vapor quente saía de seus poros e entrava direto na minha alma fazendo meu coração bater fortemente.
Nos olhamos de frente e novamente aquela sensação de alma gêmea surgiu como se estivéssemos espelhando nossas vidas conturbadas. Senti medo de me conhecer. Eu tenho medo de me conhecer mas ali com aqueles olhinhos castanhos me olhando e me devorando, eu sentia que a muralha do medo dentro de mim começava a ceder.
A janela do quarto estava aberta e deu pra ver uma estrela cadente cortando o céu como um meteoro da paixão. Sim é brega, mas fodasse. Deixei passar aquele desejo pois minha língua estava sendo sugada pela mulher mais linda que eu já tinha visto na vida. Ela sem roupa era uma deusa toda perfeita na sua imperfeição.
Era uma potência em cima de mim. Virada no diabo ela pediu para eu chupa-la. Ela enfiava minha cara entre suas pernas e puxava meu cabelo para lá e para cá guiando o seu próprio prazer. Quando ela gozou eu me senti um rei que acabara de tirar uma espada de uma pedra sem esforço algum. Em sua respiração ofegante entendi como naturalmente as coisas acontecem. Minha cabeça entrou no modo de escritor e eu quis correr para o bloco de notas para tomar nota daquela sensação mas logo aquela deusa de ébano me pegou pela nuca e enfiou a língua dela na minha boca até quase sair pela minha nuca. Depois me jogou na cama e montou em mim, cavalgando até eu não aguentar mais e enche-la com meu esperma quente. Ela tremia quando caiu ao meu lado da cama. Teias de aranha tiradas finalmente e de modo triunfal. A comida sempre fica mais gostosa quando se está com fome.
Apesar das recomendações, transávamos quase todos os dias. De todas as formas possíveis. As vezes só para matar o tédio de todos os domingos em que tinha se transformado os dias da semana. Achei engraçado que minha mãe não percebia. Ou percebia e ficava calada. Eu não sei se a questão de sermos primos a incomodava. Talvez ela percebesse que era nada sério. Eu não se para Jade, mas para mim foi muito sério. Pela primeira vez eu pude conhecer o corpo de uma mulher profundamente e pude mergulhar sem medo dentro das possibilidades do meu próprio prazer.
Espelhávamos um no outro não só os olhos mas também a cor de nossa pele, nossa história e passado. Também pela primeira vez não me senti subjugado nem em dúvida. Nem diferente, nem com medo, nem nada. Éramos apenas duas pessoas jovens e saudáveis fodendo num quarto. Eu finalmente era um homem. E só. Com meus defeitos e qualidades e com o direito de aprender com meus erros e acertos.
Cerca de dois meses se passaram e no primeiro relaxamento do lockdown Jade decidiu voltar para casa de sua mãe no Rio. Eu a levei até a rodovia do município. Foi e ainda é muito entranho ver todo mundo de máscara, o distanciamento das pessoas e o nosso também. Por mais que quiséssemos ficar abraçados naqueles últimos momentos juntos não queríamos ser os únicos a não respeitar a nova cultura que foi imposta pelo vírus.
O busão da Andorinhas com uma placa escrito Campo Grande x Rio de Janeiro finalmente chegou. Ela me deu um abraço apertado e seus olhos sorriram acima da máscara preta que ela usava. Senti vontade de lhe dar um beijo e ela pressentindo meu desejo tirou sua máscara pela alça na orelha. Depois cuidadosamente tirou a minha também. Passou os dedos com as unhas sem esmalte no meu rosto. Me beijou profunda e amorosamente por alguns segundos. Não sabíamos se nos veríamos de novo. O medo e o futuro incerto pairavam no ar. Eu queria mais que tudo vê-la novamente em breve. Não só por pela intensidade de tudo que vivemos, mas por uma necessidade de acreditar no futuro. Nada como o medo da morte para nos fazer dar valor as pequenas coisas da vida.
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2020.04.22 04:32 ihattori nerd zé droguinha fodase k k k

OBS: fiz esse texto com o objetivo de recapitular esses últimos meses conturbados na qual minha vida mudou completamente e acabou ficando um texto gigante, então não espero que alguém leia (até eu to com preguiça de ler isso).

Desde os meus 12 anos fui um clássico adolescente fracassado. Ficava praticamente o dia inteiro no computador e só saia para comer ou fazer algo que era obrigado, na escola só falava com uns três amigos mesmo que tenha ficado na mesma turma desde o primeiro ano do fundamental e no Whatsapp não falava com praticamente ninguém. Porém antes eu não era assim, dava pra se dizer que eu era uma pessoa até que normal, mesmo que desde pequeno não tinha muitas habilidades sociais e sempre fui introvertido. Até que conversava com algumas pessoas na escola, saia para dar rolê pelo bairro, praticava esportes e essas coisas. Tudo começou a mudar quando meu tio morreu e isso desestabilizou toda a minha família, comecei a sofrer bullying na escola e coincidentemente conheci a pornografia.
Então minha rotina se tornou acordar praticamente na hora do almoço, ir para a escola esperando a hora de voltar para casa e quando chegava em casa ficava no computador jogando algo, vendo vídeos fúteis no youtube ou consumindo pornografia, que acabou se tornando um vício diário. Depois eu ia dormir umas duas horas da manhã e este ciclo se repetia sempre, raramente mudava. Isso foi até meus 15 anos, quando entrei pro ensino médio e comecei a estudar de manhã, então eu pelo menos acordava cedo e não ia dormir extremamente tarde. Porém os vícios somente mudaram de hora, pois eu chegava do colégio e ficava praticamente o resto do dia inteiro no computador. Na nova turma demorei praticamente dois meses para começar a socializar de fato, eu só ficava calado no meu mundinho esperando a hora de voltar para casa.
Minha relação com as mulheres também não era muito boa, eu tinha fucking 15 anos e ainda não tinha nem beijado. Não foi por falta de oportunidades, pois minha aparência até que é boa e eu não era um beta completo que não consegue nem falar com mulheres. Tinha perdido todas as oportunidades quando criança e quanto mais o tempo passava menos elas surgiam, até que chegou a um ponto que elas nem apareciam mais e eu tava tão imerso na minha zona de conforto que nem tinha vontade de criar as oportunidades e ir atrás de mulheres. Acho que não dava nem pra se dizer que eu era um beta, creio que cheguei abaixo desse nível pois eu nem chegava a tentar.
Até que aconteceu algo que mudou tudo. Uma colega minha tinha criado um grupo de umas pessoas que sentavam próximas na sala de aula e como eu falava um pouco com ela me colocou também. Nesse grupo ela também tinha colocado uma guria que tinha me chamado a atenção desde o inicio das aulas, pois ela tinha tanto uma aparência quanto um estilo diferenciados e ao mesmo minimalista, nada muito vulgar. Por esse grupo a galera falava mais sobre algumas coisas da aula mesmo, pois a maioria ainda tava se conhecendo. Eu até que interagia um pouco nesse grupo, pois tinha percebido que não interagia com praticamente ninguém da turma em mais ou menos 2 meses de aula. Até que um dia por causa de um trabalho que uma professora tinha dado entramos no assunto de pirâmide e eu sempre me interessei por tal assunto, e é aí que tudo começa.
A conversa foi rolando e chegou uma hora que só ficou eu e aquela moça que eu tinha me interessado conversando. E, namoral, fazia tempo que eu não tinha uma conversa tão boa, fluía muito bem tanto que começou no assunto de pirâmides e quando vê estávamos falando sobre brócolis (???). Mas o que chamou minha atenção foi que ela tinha umas ideias meio diferentes, curtia falar sobre coisas alternativas (tanto que a conversa começou com pirâmides e ETs) e isso também chamou a atenção dela, pois ela mesmo disse que se interessava muito sobre essas coisas e que nunca tinha ninguém para falar sobre. (exemplos de "coisas alternativas": ETs, filosofia, sociedades secretas, teorias, leis universais, espiritualidade, arte, geometria sagrada, etc.)
As ideias fechavam tão bem que em praticamente dois dias eu já tava apaixonado (modo beta ativado KKKK). Antes disso eu achava que já tinha me apaixonado, mas nenhum sentimento que eu já tinha tido por alguém chegava perto daquilo. Com isso, comecei a refletir sobre a minha vida e cada vez mais eu me ligava que eu era um lixo, não merecia ela e nem conseguiria a conquistar. Então comecei a usar a motivação que a paixão me proporcionava para meu auto-desenvolver.
Aí comecei a pesquisar no youtube diversos canais sobre desenvolvimento pessoal e ficava grande parte do tempo vendo eles, comecei a praticar no-fap (mesmo sem saber o que era, fui descobrir depois de começar a praticar) logo depois comecei a ler livros, me exercitar, cheguei até a tomar banho gelado e ficava muito menos tempo no computador. Também via muitas coisas sobre conquista e sedução, porque eu não tinha muita experiência com mulheres e queria usar de todas as ferramentas para conseguir ficar com ela.
Até ai tudo bem, estava me sentindo vivo depois de tanto tempo vivendo com um sentimento de vazio, estava com motivação para melhor como pessoa, tinha encontrado alguém que se interessava pelas mesmas coisas que eu, etc. Maas tudo têm dois polos e isso não é diferente. Como conversava com ela praticamente todo dia, acabei me viciando nela e isso virou meio que uma droga, pois quando eu tava falando com ela ficava num estado eufórico e estava extremamente motivado, porém quando via que ela demorava pra responder ficava num estado muito depressivo. Ela também diariamente ficava em call com um colega nosso (pior que ele era um zé droguinha k k) e isso me deixava muito fudido emocionalmente.
Com o tempo começamos a nos falar menos (normal, pois conversávamos todo dia) e descobri que ela gostava de um outro mlk de outra turma (zé droguinha repetente também KKK) e mesmo sabendo que ela já gostava dele antes de me conhecer isso me deixou mais mal ainda. Mesmo com tudo isso, continuava com essas variações de humor quando falava com ela e quando não falava, porém de um modo mais extremo, muitas vezes até pensando em suicídio. E era justamente isso que me impedia de criar intimidade com ela, era por isso que ela preferia os "zé droguinhas". Eles não estavam ligando pra ela, e para mim ela era única, eu sabia que não iria achar outra moça como ela tão facilmente. Isso me impedia de ser natural e de não tratar ela como a última pessoa do mundo, mesmo que eu tentasse isso é sútil e faz toda a diferença.
O tempo foi passando e eu estava perdido, sem saber o que fazer. Cheio de informação e sem saber como aplicar, e ai entra outro erro meu. Fiquei vendo diversos vídeos sobre conquista chegou um ponto que não sabia o que por na prática, se me declarava pra ela ou deixava rolar, se dava atenção para ela ou vivia minha vida normalmente pra mostrar para ela que ela não era prioridade arriscando perder contato com ela, etc. E eu acabei ficando nessa inércia, continuava falando direto com ela mas não conseguia evoluir na relação, pois sempre que tentava algo como iniciar um flerte ela meio que se esquivava. Assim foi até que um dia descobri que ela não estava mais apaixonada, e achei muito estranho pois nem sabia que ela estava. Fiquei feliz pois melhor para mim, porém o cenário mudou completamente quando descobri que na verdade ela estava apaixonada por mim.
Isso me deixou pior do que eu já tava, pois eu fiquei me sentindo um lixo por ter perdido a oportunidade. Tipo, não importava o que eu fizesse tinha grandes chances de dar certo porque ela tava fucking apaixonada por mim, porém eu não fiz simplesmente nada. Isso explica também o motivo dela se esquivar quando eu tentava algo, porém avaliei a situação e era muito óbvio o interesse dela em mim, só que eu estava com tanto medo de agir que ignorava os sinais. Mas mesmo assim em todo esse tempo nunca paramos de nos falar, somente tinha algumas pausas temporárias e agora tinha percebido que ela estava diferente, parecia não ligar tanto pra mim.
Não bastasse isso, nesse mesmo período descobri que iria me mudar no fim do ano. Isso conseguiu me deixar pior ainda, mas ao mesmo tempo feliz pois seria para Florianópolis. Aos poucos fui perdendo o sentimento por ela e consequente a motivação para manter meus hábitos. Voltei a ficar mais tempo no computador, a consumir pornografia (bem menos que antes), no fim o único hábito que consegui manter foi o da leitura. Pior que nesse tempo eu estava estudando a obra de Nietzsche e acabei me tornando niilista, nenhuma crença fazia sentido para mim, nem a vida. Para completar, estava tendo muitos atritos com minha família.
Então formou um combo: eu tinha perdido a oportunidade de ficar com ela, descobri que iria me mudar e perder o contato com todos meus poucos amigos e que iria possivelmente nunca mais ver ela, não via sentido na vida (mesmo com bastante conhecimento sobre religião, espiritualidade, etc.), e ainda estava com problemas em casa. Pelo menos como eu já tinha conseguido melhorar no quesito social por causa desse tempo em que busquei me aprimorar, pelo menos na escola eu ficava até que bem e socializava com geral.
Como eu sabia que iria me mudar, resolvi meter o fodase. Passei a não ligar pra opinião dos outros, falava com bastante gente e não estava me importando muito com desenvolvimento pessoal. Até que um dia eu estava chegando em casa e meu vizinho que era meu melhor amigo de infância me chamou pra casa dele. A gente não se fala muito pois eu tinha virado mais "nerd" e ele tinha se tornado mais "zé droguinha", mas nos dávamos bem até. Cheguei lá e tava ele e mais dois amigos, logo ele me ofereceu uma garrafa de Coca-Cola com um líquido estranho dentro e disse pra eu beber. Logo me liguei no que poderia ser, e como não estava lingando bebi tudo e ai eles me disseram que era MDMA dissolvido e que em alguns minutos o efeito iria começar. O máximo que eu já havia usado foi maconha em bong, mas isso era outro nível. Foi a melhor sensação que eu havia sentido na minha vida. Fritamos muito, os amigos dele que já eram meus conhecidos gostaram de mim e assim eu voltei a falar com esse meu amigo.
No outro dia fui pra escola sentindo um forte vazio existencial que é normal sentir depois de usar uma droga como essa, porém isso não era problema pois as 8 horas em que o efeito da droga geralmente dura valem a pena. Então, como voltei a falar com esse meu amigo conheci outros amigos dele e sem querer querendo eu estava me tornando um "zé droguinha". Não um zé droguinha no estilo favelado brasileiro, mas num estilo mais Lil Peep (que é um artista que eu ouvia pra krl na época e ainda escuto um pouco). Começou com eu indo na praça e fumando maconha e com o tempo foi piorando..
Antes disso tudo eu havia entrado numa "escola de autoconhecimento" na qual eu continuava indo mesmo depois de tudo isso ter acontecido eu ainda tinha um pouco de motivação para me auto-desenvolver. Então chegou a um ponto em que uma hora eu estava fumando em um bong e logo depois lendo um livro sobre desenvolvimento pessoal, uma hora eu estava meditando nesse curso de autoconhecimento e no outro dia estava bebendo e jogando sinuca em um bar. Eu estava completamente dividido.
Até que teve uma vez em que meu vizinho estava fazendo uma social com uns amigos e eu decidi ir ali, isso já era mais ou menos meia noite. Logo que cheguei já vi uma movimentação estranha e chegou um cara que eu não conhecia lá e tirou um pino de cocaína do bolso e foi fazendo as linhas. Todos começaram a cheirar e chegou na minha vez. Fiquei muito na dúvida, mas sempre que ficava na dúvida entre fazer algo ou não me lembrava dos anos em que perdi na frente de um computador e ia lá e inconsequentemente fazia (isso só não funcionava com a moça que eu estava apaixonado k k). Depois decidimos ir na praça e no caminho o meu amigo foi me falando da situação, disse que era a movimentação tava meio agitada pois era a terceira vez que tinha ido pegar pó e estavam sem dinheiro e o traficante disse pros caras que tinha ido pegar deixarem o relógio e o moletom com ele de garantia e que se eles não pagassem ele no outro dia ele iria matar eles. Nisso eles já estavam com uma dívida de uns 100 reais e todos estavam sem dinheiro, então decidi ajudar com os 20 reais que eu tinha sobrando e alguns deles iriam vender fones de ouvidos e carregador na estação de trem para conseguir juntar uma grana e pagar o plug.
Se você se pergunta o que os usuários ficam fazendo de madrugada drogados, é decepcionante. Ficavam falando sobre futebol, fazendo batalhas de rimas, falando sobre mina e essas coisas. Depois nós fomos dar uma volta pelo bairro, fumamos maconha e voltamos para casa e isso já era umas cinco horas da manhã. Cheguei, fui dormir e acordei as 06:30 para ir para o colégio, possivelmente ainda no efeito da maconha. As pessoas do colégio já tinham notado que eu estava diferente e algumas suspeitavam que eu estava usando drogas (de fato, eu estava), porém eu nunca tinha chegado a comprar droga, sempre usava se estava com alguém que tinha e não tinha criado nenhuma dependência. Algo que ajudou a acharem isso foi eu ter mandado uns áudios bêbado para aquele grupo em que conheci aquela moça e uma guria mandou no grupo da turma alguns desses áudios no grupo da turma (nunca mandem áudio bêbados, sério).
As pessoas da minha turma diziam me achar estranho pois no início do ano acreditavam que eu era um nerd que não falava com ninguém e agora eu conversava com todo mundo e que era um possível zé droga. E foi realmente isso que aconteceu, eu tinha parado de desperdiçar minha vida na frente de um computador e passei a desperdiçar queimando meu neurônios. Minha mãe sempre foi protetora e com razão suspeitava de mim, porém não achava que iria me envolver com essas coisas pois sempre fui tranquilo quanto a isso e também por que isso não é muito coisa de alguém que fica a maior parte do tempo no computador.
Um dia uns me chamaram para ir na praça e depois no bar jogar sinuca. Cheguei lá e eles estavam com um pino de pó, e como eu não tinha sentido bem os efeitos na primeira vez não liguei e usei de novo. Logo depois fomos para o bar e como eu estava com dinheiro decidimos comprar uma garrafa de vinho e jogar sinuca. Tomei dois copos e meio e lá estava eu, o nerd beta gamer cheirado e bêbado de vinho num bar kk. Foi uma sensação ainda melhor do que no MDMA, eu estava me sentindo um semideus, não ligava pra nada e falava coisas sem sentido. Porém, eu tinha que ir pra casa cedo e eu estava tão alterado que nem medo de chegar em casa naquele estado eu conseguia sentir, mas sabia que tinha que evitar ao máximo o contato (algo que eu já estava acostumado). Cheguei lá e vi que minha mãe já estava meio desconfiada então tentei evitar o contato mais ainda, depois fui pro computador e fiquei ouvindo música, as músicas pareciam 300% melhores enquanto eu estava naquele estado.
Fiquei um tempinho sem usar nada além de maconha as vezes e um dia fui na casa do meu amigo e notei que eles não estavam usando nada, mas tinha uma lata com um furo e já me liguei no que era, o famoso lança de baixo custo, vulgo loló/sucesso. Eu não tinha muito conhecimento sobre essa droga, só sabia que o efeito durava pouco e forte. Por isso, imaginei que fosse relativamente leve comparado a outras que já tinha experimentado. Experimentei e logo senti o famoso "tuin", meus pés e mãos começaram a formigar, meu batimento cardíaco aumentou e fiquei extremamente eufórico. Porém, depois de uns minutos o efeito passou e fiquei com uma certa dor no peito.
Vi que essa droga era muito mais forte do que eu pensava e decidi ir pesquisar sobre os efeitos colaterais dela e descobri que na verdade o que eu usei foi spray anti-respingo de solda, considerado um "crack dos inalantes" e que eu poderia até ter morrido se tivesse inalado mais. Então depois disso decidi não usar mais drogas (demorei kk), até por que eu iria me mudar em mais ou menos um mês.
E assim foi, com o tempo fui melhorando meu emocional e aprendendo a conviver com meus arrependimentos. Já faz uns 3 meses que estou morando em floripa e uns 7 em que me apaixonei por aquela moça, é bizarro pensar que tudo que aconteceu depois disso enquanto eu ainda morava no RS aconteceu em mais ou menos 4 meses. Estou tentando repor os hábitos e por alguns outros na minha rotina para meu desenvolvimento pessoal e pôr em prática o que aprendi depois de tantos livros lidos e tantos vídeos de auto-desenvolvimento assistidos. Por mais que tenha sido um período bem difícil, foi o período na qual mais aprendi e agora consigo equilibrar meu lado "nerd" e meu lado "zé droguinha", chegando a um equilíbrio. (OBS: perdi o bvl e a virgindade, finalmente).
Escrevi isso só para organizar toda essa série de acontecimento na minha cabeça, pois até hoje eu nem tinha entendido direito o que aconteceu, as coisas ficam muito vagas somente no plano mental. Se tu leu esse texto mau escrito até aqui tu é um guerreiro, pois nem eu to com vontade de ler tudo isso.
Algumas dicas que vou usar para mim mesmo, baseado no que extrai desse período da minha vida:
-Se quiser conquistar alguém, seja você mesmo e não torne a outra pessoa o centro da tua vida.
-A mentalidade de pensar "eu vou morrer mesmo" pra alguma decisão é boa, se usada conscientemente. Memento mori, carpe diem.
-Quanto maior o extremo de algo pior seus efeitos colaterais, e isso é uma lei. As drogas demonstram isso bem, pois quanto melhor o efeito e maior a acessibilidade da droga pior são seus efeitos colaterais. Ser um "nerd" é ruim mas tem seu lado bom, com ser "zé droguinha" não é diferente. A chave é o equilíbrio.
-São nas piores situações que mais evoluímos.
-Mais vale um livro compreendido e praticado do que 30 simplesmente lidos.
-Cuidado com as influência que recebe. Certamente se eu não ouvisse Lil Peep e não andasse com quem estava andando não teria sequer tocado numa droga KKK.
-Uma conversa aleatória com uma pessoa desconhecida pode mudar toda tua vida.
-Hábitos bons vão te ajudar muito, mas não vão fazer nada por ti.
-Não espere pelo momento perfeito para agir.
-Não fique devendo pro traficante
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2020.03.06 15:59 BigCube13 Conto - As fotos (Conteúdo Adulto)

Salve galera, escrevi um pequeno conto e gostaria de compartilhar com vocês, criticismo é bem vindo. Espero que gostem.
Nícolas estava sentado no sofá com um olhar desatento, fumando um cigarro barato e dando mais atenção ao chiado elétrico da lâmpada defeituosa e aos fortes estalos das gotas de chuva na janela de vidro do que a sitcom norte-americana que já reprisara a exaustão. A janela fechada e o quinto cigarro seguido haviam transformado o apartamento de dois cômodos e um banheiro em uma sauna. Levantou-se e foi até a janela, do vigésimo terceiro andar a cidade parecia escura e silenciosa, podia ver as ruas mais próximas e o topo de alguns prédios, os demais edifícios bloqueavam qualquer paisagem mais distante. Ouviu o som de um helicóptero e logo viu um feixe de luz iluminar a rua de baixo, estavam procurando alguém, algum adolescente pichador de muros, ou algum velhaco bêbado voltando de um bordel. A essa hora não deveria ter ninguém na rua, o toque de recolher havia sido dado mais cedo naquela noite. Nícolas pensou alto:
– Ta fodido. Apagou o cigarro e foi mancando até o quarto, mobilhado apenas por uma cama e uma comoda, abriu a primeira gaveta, pegou um notebook e voltou para o sofá. No computador havia diversas pastas, abriu a primeira, chamada Natália, uma série de fotos de uma garota jovem de olhos castanhos, sorriso largo, black power armado e pele cor da noite apareceram na tela, em algumas a garota estava sozinha, umas com ele e outras com um grupo de pessoas, um sorriso sutil percorreu sua boca. Nícolas poderia guardar essas fotos na nuvem para o caso de perder o computador ou da maquina dar algum problema, mas isso não era seguro. Checou com um movimento dos olhos se o computador estava desconectado da internet. A próxima pasta que abriu chamava-se Xeque-mate, alguns documentos e vídeos, arquivos de um projeto que Nícolas havia feito parte, foi ali que conheceu Nathália, além dos companheiros Marcos, Giovanni, Ingrid, Vitor, Dani, Elias… Nícolas parou de pensar neles, doía demais. Seu maço havia acabado, foi até o quarto novamente pegar outro na terceira gaveta da comoda, encontrou apenas seu revolver carregado, namorou-o por um tempo antes de fechar a gaveta, amanha precisaria sair para comprar cigarro. Voltou ao computador e as fotos de Nathália, pensou no que poderia ter sido se não fosse sua covardia. 
– Não foi culpa minha – disse para si mesmo.
Tinha que ir ao banheiro, Nícolas urinava com dificuldade, sequela dos choques elétricos, pensou se foi depois do primeiro ou do segundo que entregou Ingrid. 
– Foi o segundo – Disse em tom de consolação.
No primeiro havia entregado Vitor, nunca gostou muito dele, Vitor era muito próximo de Júlia para o gosto de Nícolas, ou teria sido antes com os socos e chutes no estomago ? Já não se lembrava. Vitor havia sido o primeiro delatado. Tinha uma cicatriz que percorria a coxa, da virilha até o joelho, feita a faca, dessa se lembrava bem, entregou Daniela e Giovanni de uma só vez. Ao lavar as mãos tocou nos cotocos onde costumavam ficar seus dedos, na direita faltavam dois e na esquerda três. Pensou no copo meio cheio, ainda conseguia segurar o cigarro. Nícolas evitava olhar para as mãos, foi a ameaça de perder as duas depois do corte dos dedos que o fez delatar Nathália. A Chuva havia parado e pode abrir a janela, a rajada de ar fresco mudou o ambiente, Nícolas não havia notado que estava a algumas horas respirando apenas fumaça. Decidiu guardar o computador, olhar as fotos por muito tempo era impossível, lembrava-o das outras. Depois de fechar a primeira gaveta abriu a terceira e pegou o revolver carregado, jogou-o no sofá e sentou-se ao lado da arma. Sua linguá já havia se acostumado ao gosto do metal, nunca teve coragem puxar o gatilho, mas segurar o revolver na mão e pensar no assunto havia se tornado um ritual. O 38 foi presente de Giovanni, para proteção. Na televisão a sitcom estava em final de episódio, um dos personagens se desculpava a outro em frente aos amigos, resolvendo o conflito daquele capitulo e terminando em abraços e risadas, Nícolas gostaria de ter o mesmo momento com seus companheiros. Ficou com fome, abriu a geladeira e pegou um pouco de sopa fria, não podia comer outras coisas, faltavam-lhe a maioria dos dentes e não tinha dinheiro para retirar o resto e botar uma dentadura. Enquanto comia trocava o olhar entre a televisão e o revolver ao seu lado, tocou-o por um tempo, era gelado. Sua mente divagou para o momento em que foi pego, Vitor e ele haviam sido enviados para uma ação, explodir uma sede regional da Glorb, empresa que financiava o governo. Ele não queria ir, não com o Vitor, achava-o vagabundo, além do fato de ser visivelmente apaixonado por Nathália, mas missão dada era missão cumprida. Após plantar as bombas se afastaram do prédio para poder detoná-las, saíram por caminhos diferentes é claro, questão de segurança. Antes de apertar o botão o exército o encontrou, preso em flagrante. Deviam ter se descuidado com alguma câmera ou algo do tipo. Sempre se perguntou se haviam pego Vitor também ou se o maldito havia conseguido fugir. Enquanto pensava pegou o revolver e passou a gastar chão pelo apartamento. 
– Não foi minha culpa – Falou em voz alta. Os planos eram de Giovanni é claro, líder da organização, mas Giovanni nunca falhava, sempre sabia indicar nas plantas os caminhos para fugir das câmeras e da segurança. Não podia ter sido erro dele. Sua mente voltou a tortura, os choques na genitália, a perda dos dentes, a faca na coxa e o corte dos dedos. Conhecia bem o protocolo, se for pego está sozinho, a morte é melhor que a delação, fez piada com os torturadores e prometeu a si mesmo morrer calado, antes do inicio da primeira sessão é claro. O pior momento de seu tempo no porão sempre escapava de seus pensamentos, a lembrança era muito dolorosa, mas nesse dia sua necessidade de martírio estava fora do comum, era aniversário de Nathália. Finalmente pensou nas fotos, os corpos de Dani, Nathália e Ingrid nus, provavelmente estuprados, Marcos, Elias e Giovanni desmembrados e Vitor… seu rosto contraiu-se em desespero e choque, não se lembrava da foto de Vitor.
– Não, não é possível.
 Não haviam lhe mostrado fotos de Vitor. 
– Filho da puta, filho da puta! - Disse com raiva.
 Só podia ser isso, não era sua culpa. Nícolas pensou no sorriso caloroso de Nathália. 
– Idiota, idiota, eu entreguei todos nós, todos nós – Disse chorando. – Não foi culpa minha – O choro transformando-se em risada. – Não foi culpa minha. - Gargalhando. – Filho da Puta. – Ta tudo bem, tudo bem.
 Gosto metálico. 
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2019.10.04 20:23 altovaliriano Ambições Sulistas

Link: https://towerofthehand.com/blog/2012/01/05-southron-ambitions/index.html
Autor: @StefanSasse (Afirma ter estudado História, Literatura Alemã e Política na Universidade de Tuebingen e é blogueiro e professor)

Em A Dança dos Dragões, descobrimos que Lady Barbrey Dustin odeia a família Stark (e, especialmente, Eddard Stark) por não a deixar se casar com Brandon Stark e depois arrastar o marido que lhe foi imposto para a guerra rebelde de Robert Baratheon. Embora possa parecer possível que a raiva do marido morto seja apenas um substituto de algo que ela não deseja revelar, ela conta a Theon algumas teorias da conspiração que fazem mais sentido do que deveriam e que enchem o leitor com um sentimento de desconforto . Em resumo: parece haver mais sobre a eclosão da rebelião do que originalmente sabíamos. Parece que a convocação de Aerys para a corte não foi apenas o produto de uma mente insana, mas também a reação muito real contra algo que estava acontecendo antes. De fato, o que Lady Dustin chama de "ambições sulistas" de Lord Rickard Stark parece não ser mais realidade do que uma teoria de conspiração dela. E examinar isto vale a pena.
Primeiro, vamos relembrar o que pensamos saber sobre a rebelião. Quando Rhaegar Targaryen sequestrou ou seduziu Lyanna Stark, Brandon cavalgou para a Fortaleza Vermelha com seus companheiros, desafiando Rhaegar a um duelo e foi preso. Rickard foi então convocado para a corte e executado em conjunto com Brandon. Aerys então exigiu Eddard e Robert, ambos protegidos de Jon Arryn, que recusou e se rebelou. Eddard reuniu o Norte, Robert conquistou primeiro as Terras da Tempestade nas três batalhas de Solarestival e depois marchou para se encontrar com os exércitos de Eddard e Hoster Tully. Este último mudou de lado para a causa dos rebeldes em razão do casamento de Jon Arryn com Lysa Tully e, por sua vez, teve que conquistar suas próprias Terras Fluviais. Na Batalha dos Sinos, eles conseguiram unir suas forças e vencer a batalha final no Tridente, cujo resultado levou Tywin Lannister, que permaneceu neutro, a ficar do lado dos rebeldes.
Agora, algumas coisas sobre isso são estranhas. Ninguém fica se pergunta sobre eles inicialmente, porque nenhum dos personagens também o faz; para eles, foi assim que as coisas aconteceram e nenhum sobrevivente está por perto para ser questionado. Mas há realmente um prelúdio para esses eventos. Vamos recuar a alguns anos antes do torneio de Harrenhal. Não muitos, apenas três ou quatro, no máximo. Existem vários grandes senhores, todos se conhecendo melhor do que o esperado, porque lutaram juntos na Guerra dos Reis das Nove Moedas alguns anos antes. Jon Arryn, Steffon Baratheon, Rickard Stark, Hoster Tully e Tywin Lannister são companheiros de guerra. Com exceção do último, eles parecem ter feito uma espécie de amizade nesta guerra. Pelo menos, isso explicaria por que eles enviaram protegidos uns aos outros: Eddard e Robert foram ao Ninho da Águia para serem criados lá. Robert estava apaixonado por Lyanna e conversas sobre um noivado foram realizadas. E Hoster queria casar suas filhas com os herdeiros de Winterfell e Rochedo Casterly, respectivamente.
Isso é altamente incomum. Mas, novamente, para os protagonistas dos romances, é assim que acontece, e eles não parecem refletir muito sobre isso. Se olharmos para as relações das grandes casas em circunstâncias normais, elas raramente casam entre elas. De fato, eles normalmente se casam com seus próprios vassalos. Hoster Tully, por exemplo, casou-se com Minisa Whent. Tywin Lannister chegou a se casar com Joanna Lannister, sua prima. Steffon Baratheon se casou com Cassana Estermont. A esposa de Rickard é desconhecida, mas a mãe dela era do Clã Flint. Mace Tyrell se casou com Alerie Hightower. Balon Greyjoy era casado com Alannys Harlaw. Em menor escala, o mesmo acontece, na maioria das vezes, com os próprios vassalos; eles raramente se casam com alguém de outros reinos. Isso é importante, porque a influência política e a estabilidade em seu próprio domínio são de suma importância para todos os senhores de um reino. Casar com pessoas de fora só é útil em dois casos: se você deseja selar uma paz ou se deseja selar uma aliança. Caso contrário, você não fará isso, porque ganhar ou reter influência com seus próprios vassalos é mais importante. Isto é especialmente verdade em um reino remoto como o Norte.
E, no entanto, de repente, Lord Rickard casa um filho com a Casa Tully e envia o outro para ser criado na Casa Arryn, ambos reinos vizinhos diretos do Norte. Não há paz para selar, e apenas ser amigo dos dois senhores pela guerra não exatamente é uma justificativa. Quando se avalia a questão dessa forma, a afirmação de Lady Dustin de que Rickard nutria "ambições sulistas" repentinamente pode ser vista sob uma luz totalmente diferente. O que exatamente estava acontecendo nesses anos em que cinco grandes casas ao menos consideraram forjar uma aliança? Lembre-se, Jaime Lannister deveria se casar com Lysa Tully antes que ele assumisse o branco da Guarda Real! Isso também traria os Lannisters para a aliança, deixando de fora apenas a Casa Greyjoy (que é irrelevante), a Casa Martell (que não é confiável, na perspectiva deles) e a Casa Tyrell. Esta última não tinham filhos na faixa etária certa para serem incluídos na formação da aliança, o que pode ser um fator que contribuiu para eles terem sido deixados de fora e, de qualquer maneira, eles não eram uma ameaça às cinco Casas unidas. Mas qual era a intenção dessa aliança?
Para entender isso, temos que voltar a O Festim dos Corvos, no qual Jaime se lembra de Rhaegar deixando a Fortaleza Vermelha para o Tridente. Rhaegar anunciou que, uma vez terminada a batalha, pretendia convocar um conselho para fazer mudanças. Uma vez que a batalha terminou mal, nunca ficamos sabendo quais mudanças que ele pretendia fazer, mas não é um tiro no escuro supor que ele queria se livrar de seu pai e envolver todas as principais Casas nisto - o que poderia ser exatamente o que as cinco Casas também tinham em mente. Combinando seus poderes, elas poderiam exercer pressão política sem realmente entrar em guerra ou tomar outras medidas tão drásticas, a fim de forçar Aerys a fazer concessões ou a renunciar por Rhaegar. É improvável que elas tivessem uma mudança de dinastia em mente; essa reviravolta foi resultado das ações de Aerys quando matou Rickard e Brandon e exigiu Robert e Eddard. Ele colocou mais coisas em jogo do que se imaginava haver antes. Mas a idéia de uma aliança política contra a Aerys para transformar o reino em algo melhor combinaria com o cenário traçado por elas.
Vamos refletir sobre essa idéia por um tempo. Até agora, apenas olhamos para as pessoas que representam as principais casas e o que elas fizeram, mas há pelo menos duas pessoas nos bastidores, das quais sabemos que também pareciam ter objetivos que se encaixam nisso: Varys, em Porto Real, e o meistre de Rickard, Walys. O primeiro todos conhecemos; o eunuco em Porto Real está lá há um tempão e sussurrava no ouvido de Aerys. Suas constantes afirmações de que quer apenas manter a paz são corroboradas pelas suas tentativas de restaurar a dinastia com um garoto especificamente criado e instruído para o trabalho. Não causaria espanto que Varys tenha, de fato, alimentado a paranóia de Aerys apenas para denunciar pessoas que estavam no caminho de seu esquema. Isso significaria que Aerys se livrou das pessoas que poderiam protegê-lo. Mesmo a idéia de tirar Jaime de Tywin para afastá-lo de Aerys poderia ter sido parte desse esquema maior. Obviamente, isso é altamente especulativo e requer a existência de ao menos mais uma pessoa, com quem ele pudesse conspirar.
O desprezo de Lady Dustin por Rickard Stark (e a família Stark em geral) só é superado por sua aversão ao meistre de Rickard, Walys. Essa pessoa de quem nunca havíamos ouvido falar antes de A Dança dos Dragões é responsável pelo casamento com os Tully, alimentando assim as ambições de Rickard. Não sabemos muito sobre Walys, mas não é muito improvável que ele tenha conseguido se comunicar com Varys de alguma forma, e até mesmo com o Grande Meistre Pycelle, que se considerava um verdadeiro servo da Casa Lannister, a qual era vista como um aliada à época.
Como estamos falando de "As Crônicas de de Gelo e Fogo", até os planos feitos por Varys e outros grandes conspiradores falham. Se esse grande plano foi construído dentro destes parâmetros, ele claramente falhou. O seqüestro de Lyanna por Rhaegar, Tywin ter renunciado ao cargo de Mão (e ido se amargurar em Rochedo Casterly) e a morte de Rickard e Brandon devem ter sido um sério revés. De repente, a aliança em potencial das cinco foi reduzida a apenas duas. Os Starks estavam pessoalmente envolvidos e não podiam mais recuar, mas Hoster Tully era tudo menos um homem muito leal: obviamente, o casamento entre Brandon/Eddard e Catelyn não o levou instantaneamente à guerra. Em vez disso, ele barganhou com Jon Arryn. O próprio Arryn estava pronto e assumiu a causa quando Aerys ordenou que ele entregasse seus protegidos. Mas uma pergunta permanece sem resposta ainda: por que a Aerys exigiu Robert Baratheon pra começo de conversa?
Se aceitarmos a idéia de um esquema estava sendo traçado e que Jon Arryn era uma parte vital dele, teremos que admitir a ideia de que Robert não conheceu Lyanna Stark por acaso. Provavelmente, ela visitou seu irmão Eddard no Ninho da Águia em algum momento, e lá Robert a conheceu. Sabemos que Robert ama com facilidade e logo deseja muito a coisa para si, e aqui talvez ele tenha sido até sutilmente encorajado. Rickard, que pode muito bem ter mantido contato com Jon Arryn, já poderia ter mediado a idéia de um casamento entre os dois. Dessa forma, a Casa Stark teria casado com duas grandes casas - Tully e Baratheon - e ligada a outra por um protegido. Como Elbert Arryn era um companheiro constante de Brandon Stark (por razões ainda desconhecidas), a teoria ganha ainda mais terreno. Nunca é mencionado explicitamente, mas é possível que Elbert Arryn fosse um protegido ou, ao menos, um hóspede em Winterfell por algum tempo. As relações entre as três Casas de Baratheon, Stark e Arryn eram mais fortes do que a maioria das relações nos Sete Reinos jamais foi. Como Robert era um jovem suserano das Terras da Tempestade, influenciá-lo deveria ser fácil para Jon Arryn. É claro, Aerys não parece ser o tipo de cara dado a tais deduções racionais. Mas, se aceitarmos Varys ou outra pessoa como parte disso, dar a Aerys a idéia de exigir Robert também, a fim de colocar as Terras da Tempestade no campo de Arryn e Stark, é apenas uma jogada que se deseja fazer - ou não, se você for um rei Targaryen enfrentando uma rebelião.
A exigência de Aerys imediatamente pôs as três casas em um mesmo lado. Eles também contavam com os Tully e talvez esperassem a neutralidade ou aliança de Lannister. Os Tully não estavam tão ansiosos para se juntar, o que pode ser atribuído à sua vulnerável localização geográfica e ao fato de que a eclosão da rebelião não era o que eles haviam planejado (se é que havia plano algum), então eles podem ter se sentido traídos e/ou menos usados, já que as Terras Fluviais provavelmente receberiam o primeiro golpe. O arranjo foi terrivelmente apressado e caótico, mas Jon Arryn já havia atravessado o Rubicão. Eddard e Robert, adolescentes e por azar agora chefes de suas casas e reinos, eram ambos meros peões de Jon Arryn, muito jovens e inexperientes para perceber o que havia acontecido, especialmente porque era tudo feito pensando no que seria melhor para eles (ao menos, para Eddard). Ambos encaravam Jon Arryn como uma figura paterna icônica, mesmo em A Guerra dos Tronos, quinze anos depois. É um tipo feroz de devoção, que deveria ser ainda mais forte nos tempos em que eles ainda moravam com ele. Jon Arryn intermediou a aliança com a Casa Tully ao se casar com Lysa, e agora a aliança somava quatro Casas. Duas outras ficaram fora do conflito (Lannister e Greyjoy) e uma (Martell) estava em dúvida e teve que ser convencida a entrar na guerra pelo próprio Rhaegar, já que Aerys havia repetidamente segregado os dorneses. Apenas Tyrell era fiel a Aerys, mas Mace Tyrell não assumiu um risco muito elevado ao trazer uma grande parte de seu exército para Ponta Tempestade e ter estacionado por lá.
Não está totalmente claro qual era o objetivo da guerra naquele momento. Talvez Arryn e outros conspiradores ainda esperassem derrubar Aerys e restaurar a dinastia Targaryen, talvez com mais liberdades e privilégios para os reinos, fortalecendo sua autonomia. Todos esses planos se perderam quando Lyanna morreu e Rhaegar foi morto, no entanto. A fúria de Eddard perdia apenas para a de Robert, que não permitiria que qualquer Targaryen sobrevivesse e se tornou o candidato natural ao trono em substituição à dinastia Targaryen como um todo. Talvez Jon Arryn ainda esperava conseguir um acordo após o Tridente, restaurando alguma ordem pacífica sob o governo Targaryen, mas foi levado ao inferno quando Tywin Lannister deu seu próprio passo e conquistou Porto Real, assassinando todos os Targaryens presentes na cidade. Ninguém antecipou essa mudança, mas criou um fato consumado. Não havia como voltar atrás, e a dinastia Targaryen teve que ser removida como um todo.
Quaisquer que fossem as "ambições sulistas" de Rickard Stark, no entanto, elas não se concretizaram. Eddard retirou-se para Winterfell, sofrendo com a morte de Lyanna e sem desejo pelo poder, devolvendo Winterfell a uma posição essencialmente isolacionista, sem qualquer pretensão ao sul do Gargalo. Jon Arryn intermediou o casamento entre Robert e Cersei Lannister, criando assim uma nova aliança para apoiar a nova dinastia, uma aliança que se mostraria muito instável. A perda de seus próprios herdeiros, Elbert e Denys, enfraqueceu gravemente sua própria dinastia, e o mau casamento com Lysa Tully a deixou a beira da extinção. Hoster Tully também parece ter voltado aos seus próprios negócios, Mace Tyrell foi excluído de todos os assuntos onde quer que fosse, e a paz que Jon Arryn fez com Dorne estava basicamente tratando Dorne como se não fizesse parte dos reinos. Se as casas alguma vez aspiraram a um pilar melhor para uma paz duradoura em todo o reino, esse sonho foi destruído no final da rebelião de Robert. As "ambições sulistas" não trouxeram benefícios para o Norte, e os assuntos do reino ficaram nas mãos dos que estavam dispostos a aceitá-los. Jon Arryn estava contente em defender uma paz que se tornava cada vez mais uma fachada, e seu inevitável falecimento finalmente destruiu o equilíbrio de poder, dando lugar à ascensão Lannister e à destruição das Casas Stark e Baratheon.
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
submitted by YareYareDaze007 to EscritoresBrasil [link] [comments]


2019.08.04 02:52 altovaliriano Os primeiros dias do fandom de ASOIAF e Game of Thrones

Link: https://bit.ly/2KtExQJ
Autora: Alyssa Bereznak
Título original: The Last Popular TV Show (How game of Thrones became the last piece of monoculture)

Padraig Butler não se lembra exatamente quando se tornou Deus-Imperador da Brotherhood Without Banners. Nos últimos 18 anos, o gerente demeteorologia aeronáutica de 43 anos fez uma peregrinação anual à Worldcon, a convenção de ficção científica e fantasia, para celebrar o trabalho de George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi quase 18 anos atrás, quando ele viajou pela primeira vez de sua cidade natal, Dublin, na Irlanda, para a Filadélfia, que começou a jornada até Imperador-Deus.
Segundo a história, a recém-criada organização - batizada em homenagem a um grupo fora da lei na série de livros - organizou uma festa em homenagem a Martin. Depois de uma noite de bebedeira, um fã bem satisfeito, conhecido em fóruns online como Aghrivaine (e cujo nome real é David Krieger), presenteou o autor com uma espada e pediu para ser armado cavaleiro. O autor concordou sob uma condição: que Krieger e os outros foliões se juntassem a ele em uma "missão" às 1 da manhã ao Pat’s King of Steaks. Naquela noite, depois que cerca de 20 membros da BWB encheram seus estômagos com a comida local, eles foram apelidados de Cavaleiros do Cheesesteak.
Nos primeiros anos do clube de fãs do livro, quando o tamanho dos encontros da Brotherhood Without Banners ainda era administrável, esses títulos voltados para a comida se tornaram um símbolo de honra. (Os Cavaleiros da Poutine, os Cavaleiros do Deep Dish, os Cavaleiros do Haggis e, lamentavelmente, os Cavaleiros da Lixeira). Por decreto de Martin, foram acrescentadas outras honras para reconhecer a participação. Um membro que tivesse participado de pelo menos três grandes encontros da BWB seria apelidado de lorde. Depois das cinco, um príncipe. E depois de sete, rei. Butler já esteve em 16 Worldcons e cerca de 100 outras convenções relacionadas a Thrones e confraternizações pertinentes, protegendo seu reino há muito tempo por meio de seu título de cavaleiro do Cheesesteak. "Eventualmente perguntaram a George, de que chamaremos Padraig agora?" Butler lembra. "Ele disse: ‘É isso. Ele é um rei. Ele vai ficar rei até que alguém o remova do trono’”. Butler não tem planos de parar. "Agora as pessoas apenas dizem: 'Você é o Imperador-Deus'".
Butler visitou um total de 12 países e quatro continentes para se encontrar com seus companheiros de estandarte, construindo uma rede social internacional digna de um líder mundial consagrado. E graças a uma junção de tecnologia e entretenimento, a série de livros indie pela qual ele se apaixonou nos anos 90 se tornou uma espécie de passaporte cultural, tanto uma razão para ver o mundo quanto uma maneira de se conectar com as pessoas que o compõem.
Ao longo dos anos, ele também assistiu com admiração quando Game of Thrones explodiu e se tornou uma peça onipresente da cultura pop diante de seus olhos. Um dia, ele embarcou em um trem e viu vários passageiros lendo os livros de Martin. Então ele olhou para cima para ver outdoors gigantes anunciando a data de estréia da adaptação da HBO. Eventualmente, seus colegas no aeroporto começaram a discutir o programa como uma fonte de turismo. (Uma atração de 110.000 pés quadrados chamada Game of Thrones Studio Tour será aberta na Irlanda na primavera de 2020.) Depois de quase 20 anos celebrando a série, e vendo-a se transformar em best-seller, programa de televisão, universo estendido e a potência da propaganda, ele ainda acha difícil processar o alcance da franquia. "É tipo: Nossa, isso está em toda parte agora."
[...]
Em 1997, Linda Antonsson estava dando uma olha sua livraria local em Gotemburgo, na Suécia, quando se deparou com uma versão em brochura de A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin. Era o primeiro item no que o autor previa ser uma trilogia intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo, e contava a história de várias grandes casas disputando o poder nos continentes fictícios de Westeros e Essos, contada a partir da perspectiva de um punhado de personagens interessantes. O livro tinha sido lançado no ano anterior sem muito alarde. "Realmente não fez sucesso quando saira em capa dura", lembra Antonsson. Mas quando ela começou a ler, foi fisgada.
Ninguém mais que ela conhecia havia lido o livro, então ela se voltou à internet em busca de outros fãs de Martin - o que era uma experiência relativamente nova nos anos 90. "Eu lia muita fantasia, mas nunca tive ninguém com quem conversar sobre fantasia", ela me disse. "Eu tinha todas essas coisas que queria discutir e ninguém para conversar." Os cidadãos suecos não conseguiram adquirir suas próprias conexões dial-up até 1995; antes disso, Antonsson ocasionalmente fazia o acesso no centro de informática de sua universidade, onde estudava arqueologia clássica. Quando ela finalmente conseguiu sua própria conexão à Internet, ela navegou de bulletin board em bulletin board, debatendo desde a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien à série de livros A Roda do Tempo, de Robert Jordan. “Era um mundo incrível para se entrar, para poder encontrar todas essas pessoas que compartilhavam seu interesse sobre essas coisas que pareciam bem obscuras.”
Através desses primordiais fóruns da internet, Antonsson também descobriu o ElendorMUSH, um RPG multijogador baseado em texto que simulava o ambiente da Terra Média descrito nos romances de Tolkien. (O termo MUSH significa “alucinação compartilhada por vários usuários” [multi-user shared hallucination]. Isso foi antes de World of Warcraft, quando os computadores não tinham placas gráficas poderosas e os jogadores tinham que usar sua imaginação). Foi lá, na “cultura” que Antonsson havia se juntado, que ela conheceu Elio García. Na época, García estudava literatura inglesa e história medieval na Universidade de Miami. E os dois passaram os últimos anos analisando os detalhes mais sutis da Terra Média em árvores de discussão da Usenet, as precursoras dos fóruns on-line. Depois de terminar A Guerra dos Tronos, Antonsson convenceu o cético García a lê-lo também.
Logo eles estavam navegando juntos. Em 1998, a internet estava sendo amplamente usada como um utilitário de busca de informações em vez de uma rede social. Mas com a ajuda de algumas pesquisas no AltaVista, os dois encontraram tantos fóruns de fãs de A Guerra dos Tronos quanto puderam. Entre seus resultados estava Dragonstone, que García lembra ter sido executado via uma conexão de internet instável na Austrália; Harrenhal, que foi construído sobre a plataforma de serviços web Angelfire da Lycos (quee de alguma forma ainda existe hoje); e um fórum chamado Canção de Gelo e Fogo, dirigido por um usuário chamado “Revanshe.” Isso foi na época em que o mundo do entretenimento estava começando a entender o poder de marketing de mitos na internet. E, ao fuçar os fóruns de fãs dedicados à série Wheel of Time, Antonsson havia testemunhado em primeira mão como pistas e pontos da trama não resolvidos motivavam conversas. Ela viu o mesmo fervor se desdobrando com ASOIAF.
"Algumas das maiores e mais intensas discussões sempre foram sobre mistérios", disse Antonsson. "O primeiro tópico que eu lembro de ter lido no fórum de Pedra do Dragão foi a discussão sobre a paternidade de Jon e as poucas pistas que existiam depois do primeiro livro."
O fórum ASOIAF de Revanshe acabou se tornando grande em 1998, acumulando o que García estimava em cerca de 1.000 usuários regulares. Quando chegou a hora de Revanshe ir para a faculdade de medicina, ela passou o site para García, que já havia se tornado um moderador.
Enquanto isso, García e Antonsson estavam planejando começar seu próprio jogo MUSH em Westeros. Para garantir uma representação fiel, eles colocaram sua formação acadêmica em prática e tornaram-se geologistas, botânicos, zoólogos, antropólogos e historiadores autônomos de Westeros, registrando todos os fragmentos de dados que poderiam extrair de de Guerra dos Tronos em um documento do Microsoft Word chamado “The Concordance”. Eles compartilharam o banco de dados no fórum ASOIAF, pavimentando o caminho para a fundação da enciclopédia on-line feita por fãs, que hoje é conhecida como A Wiki of Ice and Fire. A wiki, que seria desenvolvido alguns anos depois, é composto de 23.081 páginas de conteúdo e passou por 236.642 edições desde o seu lançamento. Também inspirou a fundação de 11 sites irmãos em idiomas estrangeiros.
Observando os fóruns de fãs da Roda do Tempo, eles também estavam cientes de que a correspondência com os autores era freqüentemente perdida em tópicos separados. Então foi nessa época que eles começaram a registrar as entrevistas de Martin, e-mails, respostas em fóruns e postagens em blogs pessoais. (Naquele ano eles fizeram seu primeiro momento de contato com o autor, para pedir permissão para fazer o jogo MUSH. Meses depois, ele concordou, e os dois ainda tocam o A Song of Ice and Fire MUSH como um projeto paralelo).
O crescimento constante dos seguidores on-line de Martin - emparelhado com seu envolvimento na cena de ficção científica e fantasia desde os anos 1970 - gerou uma quantidade razoável de novidades para o segundo fascículo da série de Martin, A Fúria dos Reis. "Martin não pode rivalizar com Tolkien ou Robert Jordan, mas ele se qualifica com perfeitos medievalistas de fantasia como Poul Anderson e Gordon Dickson", escreveu um Publisher's Weekly cautelosamente otimista. À época, Peter Jackson estava se preparando para filmar a trilogia de filmes de O Senhor dos Anéis, e produtores e cineastas que viam potencial no gênero de fantasia começaram a sondar Martin pelos direitos de sua história. (Ele hesitou, convencido de que sua história nunca poderia ser esmagada no formato de filme).
Foi quando a coisa entre García e Antonsson ficou séria em mais de uma maneira. Por dividirem o gosto por Tolkien, Jordan e Martin, um romance floresceu e, alguns meses depois de Fúria ser lançado, García se mudou para a Suécia. Todos com quem eles conversaram sobre a série estavam apaixonados por ela. “Nós tínhamos alguns proselitistas que falavam em arremessar os livros em amigos, familiares, colegas de trabalho, etc.”, disse García por e-mail. “E foi tudo muito orgânico. A Random House não passava seu tempo vasculhando maneiras de nos vender ou fazendo com que trabalhássemos para eles, os fãs só fizeram isso porque gostavam”.Encorajados pelo fato de o livro inicial não ter sido o único, eles lançaram o site Westeros.org, reunindo os fóruns que herdaram, os dados de “The Concordance” e seus registros dos declarações públicos de Martin. Começou como um projeto paralelo executado em um servidor miudo em casa, enquanto continuavam a perseguir seus respectivos objetivos acadêmicos. Mas, eventualmente, se tornaria a principal fonte de análise e informação sobre o universo, seu autor e tudo mais.
Enquanto isso, a série de Martin continuou atraindo mais leitores e tornando-se mais difícil de lidar. O manuscrito de seu terceiro livro, A Tormenta de Espadas, tinha 1.521 páginas, e alguns editores não conseguiram manter tudo em um volume. Mas seu apoio entre a comunidade on-line da fantasia ficou mais forte do que nunca, e a Publisher’s Weekly chamou esse fascículo de “um dos exemplos mais gratificantes de gigantismo na fantasia contemporânea”. Quando foi lançado em 2000, estreou em 12º lugar na lista de best-sellers do New York Times.
No momento em que Martin lançou O Festim dos Corvos em 2005, ele garantiu seu lugar como o proeminente escritor de fantasia da década. O livro chegou ao topo da lista de best-sellers do New York Times e a Time o apelidou de "o Tolkien americano". Mas ele também se deparou com os mesmos problemas com Festim que com Tormenta. Sua solução foi dividir Festim em dois e contar a história de apenas metade dos personagens, em vez de metade da história de todos os personagens. Ele explicou tudo no post scriptum do quarto livro, logo após um final instigante. "Olhando para trás, eu deveria ter antevisto", escreveu Martin em seu site pessoal em 2005. "A história faz suas próprias demandas, como Tolkien disse uma vez, e minha história continuou pedindo para ficar maior e mais complicada."
O que pode ter sido uma limitação editorial frustrante para Martin foi uma fonte quase enlouquecedora de suspense para sua crescente base de fãs. Depois de esperar cinco anos entre o terceiro e o quarto livro, os leitores ainda ficaram imaginando o destino de favoritos como Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen. O próximo fascículo seria lançado em 2011, seis agonizantes anos depois. E foi durante esses períodos de silêncio, quando os fãs não tinham material novo com o qual se ocupar, que eles começaram a se concentrar em criar os seus próprios. "Não tenho certeza se a popularidade que antecede os livros poderia ter acontecido se os livros tivessem saído muito rapidamente", disse Antonsson. “Ter tempo entre uma série de livros é o que alimenta a discussão nas comunidades. Dura mais”.
O acesso digital e as plataformas sociais estavam evoluindo para apoiar esses tipos de obsessões. Entre 1995 e 2005, o uso global da Internet aumentou de 44,4 milhões de usuários para 1,026 bilhão. Plataformas simples para blogs, como LiveJournal, WordPress e Xanga, tornaram mais fácil para as pessoas iniciarem blogs pessoais e compartilharem suas ideias sobre qualquer coisa, independentemente de quão arbitrárias ou específicas. E as primeiríssimas redes sociais da web, incluindo o MySpace e o Facebook, estavam na infância, assim como o conceito de podcasting.
Enquanto Martin continuava atualizando sua base de fãs através de um LiveJournal chamado Not a Blog, seus fãs adoradores lidavam com sua impaciência de formas cada vez mais criativas. A maioria preferiu vasculhar os fóruns de Westeros.org ou Tower of the Hand, onde puderam analisar todas as teorias possíveis em torno de cada enredo e propor suas próprias. Uma facção de leitores impacientes se separou para formar uma comunidade ressentida conhecida como GRRuMblers. O fundador do site Winter Is Coming, Phil Bicking se agarrou a um anúncio de 2007 de que a HBO adquirira os direitos da série As Crônicas de Gelo e Fogo, e redirecionou sua energia para um site do Blogger que registrava o elenco, as filmagens e a produção da série. Mesmo antes de o piloto ter sido filmado, os fãs no site de Bicking começaram a tratar os anúncios do elenco como mistérios não resolvidos. Como um colunista de fofoca, Martin iria postar dicas sobre quem foi escalado para determinado papel em seu blog, para alimentar a chama. "Então a base de fãs passaria dias debruçado sobre aquilo, tentando desvendar o teste", disse Bicking. “Nós descobrimos todos eles. Fiquei chocado que as pessoas foram capazes de descobrir até mesmo Isaac Hempstead Wright, que interpreta Bran, e estava em um comercial antes disso”. Bicking se lembra de ter começado dois tópicos separados para discutir rumores e vê-lo ser encher com quase 1.000 comentários cada um. “Então, eu fiquei tipo: 'OK, eu tenho aqui uma comunidade dedica e de bom”, disse ele. A grande imprensa estava tomando conhecimento". Algum programa de TV recente gerou mais entusiasmo on-line, sendo que nem mesmo é um programa de TV?", perguntou o The Hollywood Reporter em 2010.
Quando a HBO estreou Game of Thrones em 2011, Martin já era famoso. Ele havia vendido mais de 15 milhões de livros em todo o mundo, fora retratado pelo The New Yorker e poderia levar sua legião de adoradores e haters ao frenesi com uma simples foto de férias postada em seu LiveJournal. Tudo isso significava que, quando o programa estreou em 17 de abril, ele se saiu bastante bem segundo os padrões de televisão. Cerca de 2,22 milhões de pessoas assistiram à estreia, o que foi menos do que o número de espectadores conquistados por Storage Wars da A&E e por The Killing da AMC, e mais do que Khloe & Lamar do E!.
Ainda assim, a crítica o recebeu de forma foi irregular. Embora muitos analistas tenham elogiado a capacidade da HBO de estabelecer um palco exuberante e cativante para a história complexa e abrangente de Martin, outros a consideraram um sinal de declínio da rede. Slate o chamou de “lixo de fantasia semi-medieval e repleto de dragões”. O New York Times o descreveu como “drama em traje de época com pingue-pongue sexual”. Em uma fala indicativa de uma conversa muito maior sobre a legitimidade da cultura nerd e sua perceptível falta de inclusão de gênero, a crítica Ginia Bellafante detonou o show por glorificar “a ficção infantil paternalmente acabou atingindo a outra metade da população”, e concluiu que “se você não é avesso à estética de Dungeons & Dragons, a série pode valer a pena”.
Enquanto isso, os servidores da Westeros.org estavam caindo. A agitação que antecedeu a estreia do programa deixou García e Antonsson com cerca de 17.000 membros registrados no Westeros.org. Mas o casal estava totalmente despreparado para a onda de interesse que se seguiu à estréia da série. Na noite em que foi ao ar, o site foi torpedeado pelas buscas do Google, e os dois cuidavam de seu único servidor como um recém-nascido com cólica. Para desviar o fluxo de tráfego, García ajustou o site para que apenas os membros registrados pudessem ver as postagens. "Eu imaginei que isso impediria as pessoas de entrarem", disse ele. No dia seguinte, ele acordou com 9.000 novas solicitações de conta. García passou horas aprovando manualmente os recém-chegados. A espera entre o terceiro e o quarto romance estimulou um aumento lento e constante de fãs, talvez um ou dois mil membros por ano entrando no fórum. Mas com a chegada do programa de TV, eles poderiam acumular vários milhares em um único dia. "Foi impressionante", disse García. “Os membros do nosso fórum chamaram a onda de novas pessoas de 'The Floob' - uma enxurrada de noobs.” Foi nessa época que García e Antonsson abandonaram suas atividades acadêmicas para se concentrarem no site em tempo integral.
Embora o casal tenha perdido alguns dos dados do número de visitantes dos primeiros dias, Antonsson lembra-se de ter assistido a vazão e o refluxo do tráfego em A Wiki of Ice and Fire quando os recém-chegados reagiram aos principais pontos da trama da primeira temporada. Esses picos foram particularmente pronunciados no episódio 9, quando o herói do programa, Ned Stark, foi executado inesperadamente. “Logo após o episódio terminar, todo mundo foi até a página de Ned Stark para checar: Ele está bem? Né?” - lembrou Antonsson. (Ele não estava.) O final da temporada do show foi assistido ao vivo por cerca de 3,04 milhões de lares - cerca de 820 mil a mais do que a estréia. A primeira temporada mais tarde viria a ser indicada para 13 Emmys e ganharia dois, para Melhor Design de Abertura e para a performance de Peter Dinklage como Tyrion na categoria Melhor Ator Coadjuvante em série dramática. Ao matar o herói de Westeros antes mesmo que a temporada terminasse, Benioff e Weiss chocaram seus espectadores menos maduros, agradaram os superfãs dos livros e plantaram uma semente de curiosidade que sustentaria a série ao longo dos próximos oito anos.
O que García e Antonsson testemunharam em seu site naqueles primeiros dias se assemelhava à conversa em duas frentes de Game of Thrones que logo surgiria na mídia e na internet como um todo. Depois de cada novo episódio televisivo, aqueles que não leram os livros (agora presumivelmente na casa dos milhões, tendo em conta a audiência do programa) correm para a Internet em busca de contexto, enquanto os leitores de livros (também uma base crescente) riem de diversão e depois analisam as diferenças entre o show e o cânone. Essa “camada paralela” de conversação, como a T Magazine do New York Times a chamou, pode ao mesmo tempo fornecer aos recém-chegados uma melhor compreensão do universo de Westeros e permitir que os veteranos testassem seu conhecimento detalhado do cânone em contraste com o show.
[...]
E há o Deus Imperador Butler. Embora o programa esteja chegando ao fim e não esteja claro se ou quando os livros remanescentes de Martin serão publicados, a comunidade que ele aprecia sobre Thrones continua viva. Em agosto, muito depois do final da série, ele participará de sua 17ª reunião da Brotherhood Without Banners na Worldcon em Dublin. "Seria meio triste não ir", disse ele.
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2019.04.20 04:05 roybatty_2049 Me sinto completamente desconectado da minha família. Não consigo lidar com como tudo mudou desde a chegada do meu padrasto

Olá, Brasil.
Sou lurker aqui do grupo há um tempo e, no meio de tantos desabafos com os quais esbarro aqui, decidi fazer o meu também. É algo que me deixa envergonhado e só dividi com uma ex-namorada que tive (com a atual nunca comentei) mas que me machuca bastante por razões estranhas. Bem, vou começar pelo fato em si: eu me sinto completamente separado da minha família, que eu vejo hoje como completamente irreconhecível e da qual não consigo me sentir parte de forma alguma. A culpa disso é do meu padastro, que não fez absolutamente nada de errado. Na verdade, ele é um cara bem maneiro, segundo a percepção geral. Até minha. E eu tenho total noção de que essa ausência de qualquer sensação de pertencimento é mais minha do que de qualquer outra pessoa.
Vou contar a história de forma cronológica, para vocês compreenderem.
Minha mãe e meu pai me tiveram bem jovens, ambos tinham 20 e poucos anos. Combinada, a situação financeira dos dois não era ruim. Meu pai e minha mãe passaram para concursos públicos de nível médio com salários de classe média quando tinham 19/20 anos. Como conseguiram essa estabilidade financeira jovens, decidiram casar. Meu pai biológico tinha um emprego melhor, minha mãe tinha um com uma remuneração menor como assistente administrativo.
Só que, quando eu tinha 2 anos (ela 23, ele 25), eles se separaram. Não foi uma separação amigável, na verdade foi bem caótica. Meu pai começou a fazer faculdade de Direito e o acordo na casa foi de que, uma vez terminada a faculdade dele, minha mãe faria um curso superior. Os dois fazendo trabalho + faculdade ao mesmo tempo não tinha condição, até porque tinham um filho.
O problema é que o casamento desandou. Meu pai traiu minha mãe, depois não cumpriu esse acordo de deixá-la fazer faculdade e ficava postergando, arrumando desculpas. Com o diploma de Direito, ele eventualmente conseguiu passar em um concurso bem melhor e com um excelente salário. E se divorciou da minha mãe tão logo recebeu a notícia de que tinha passado no concurso.
Houve um acordo para pensão de forma informal, mas meu pai vivia o descumprindo, atrasava. Dava um jeito de humilhar minha mãe sempre que faria o pagamento. Isso fez com que ela desistisse de cobrá-lo e eu tive uma infância bem braba: mãe trabalhando, dinheiro escasso, meu pai completamente sumido e a família da minha mãe é muito pequena, então tinha pouca gente para ajudar na criação. Minha mãe é filha única, minha vó materna tem uma saúde extremamente frágil já há algum tempo e meu avô materno a abandonou. A família do meu pai e meu pai nunca mostraram interesse na gente, era como se a gente fosse um acidente de percurso.
Minha mãe ganhava pouco, mas ao menos tinha a estabilidade de um serviço público. Por isso, conseguimos morar numa casa que fica na entrada de uma comunidade extremamente violenta na cidade onde vivemos, tinha uma boca de fumo braba a literalmente 200 metros da minha casa. Não dava para brincar na rua nem nada, nem tinha play.
Criança é criança, então na escola até que minha vida era tranquila. Mas, em casa, minha vida era muito ruim. Minha mãe tentava equilibrar o trabalho full-time comigo, então a casa vivia sempre bagunçada, a alimentação era ruim e não havia luxo. Era uma casa de um quarto só, então nem privacidade rolava direito e eu dormia na sala ou com a minha mãe no quarto. Tudo na casa era meio velho e eu sempre tinha a sensação de que morava numa casa inacabada.
Não faltava comida, mas o resto era bem escasso. Ganhava muita coisa de segunda mão, não tive videogame ou PC, não tinha muito programa na rua porque a grana era pouca e no bairro onde a gente morava as opções públicas eram muito ruins. Minha mãe tinha depressão. Na época, eu não entendia, mas hoje fica bem claro para mim. Várias vezes eu via ela chorando antes de dormir, ou sem forças para fazer nada o dia todo. E ela engordou bastante nessa época.
Essa merda toda me fez ter um carinho enorme pela minha mãe. Eu fiz questão de aprender a lavar louça, cozinhar, ir no mercado e na escola sozinho. Já com uns 10/11 anos, eu era mais independente do que muitos amigos que eu tenho hoje em dia. E isso fez a gente ficar muito próximo como mãe e filho. Não vou mentir, a nossa vida era bem triste, humilde e solitária. Mas nós tínhamos um vínculo de proximidade muito forte e eu me sentia na responsabilidade de tirar ela desse buraco, de ajudá-la.
Aí vem o plot twist inesperado, meu padrasto.
Meu padrasto conheceu minha mãe na adolescência, eles foram amigos por uns anos e depois do segundo grau acabaram perdendo contato completamente. Eles se esbarraram por acaso resolvendo problema em cartório. Ele quis se aproximar, os dois começaram a trocar mensagens pela internet (sim, na época inda era Orkut e MSN) e engataram um relacionamento.
Preciso aqui inserir um parêntese para que vocês entendam que tipo de pessoa é o meu padrasto. Estou falando de um cara bem inteligente, com quase 1,90 de altura, forte para caralho e rato de academia, só que mais calmo do que um monge tibetano e bem sucedido financeiramente e profissionalmente (não era ricaço nem nada, mas tinha uma vida bem confortável). Quando ele aparecia para pegar a minha mãe na nossa rua, parecia que um ator de TV tinha aparecido, a vizinhança inteira parava para vê-lo. Eu mesmo ficava chocado com a situação de tão estranha que era.
Até porque a mulher por quem ele estava nitidamente apaixonado era a minha mãe. Uma mulher bem acima do peso, deprimida, com um emprego ferrado e que morava na entrada de uma comunidade, mãe solteira. Não estou falando que ela não merecia ele ou coisa do tipo, mas era uma situação muito peculiar.
Eu sempre ficava esperando que ia dar uma merda muito grande. Que a gente ia descobrir que ele é um agiota (e eu sabia o que era um agiota porque um vizinho nosso se meteu com um e não foi bonito), um bicheiro, um golpista, qualquer coisa do tipo. Mas não. O cara era realmente aquilo tudo.
Quando o relacionamento ficou mais sério, foi a vez da pequena família da minha mãe e seu círculo de amigas no trabalho ficarem apaixonadas por ele. Todo mundo queria saber mais sobre ele, todo mundo queria conhecer e bater um papo, todo mundo queria pegar dicas de exercício e alimentação, todo mundo queria ouvir a opinião dele sobre alguma coisa, política, negócios. Era bizarro, eu acho que nunca vi alguém cativar tanta gente com tanta facilidade antes.
Eu gosto de comparar ele ao Gastão da Bela e a Fera, só que um bom Gastão, obviamente. Todos esses anos com a minha mãe, eu não vi praticamente nada que o desabonasse, muito pelo contrário. Ele ate ajudou muito ela. Ela recuperou a auto-estima, começou a praticar exercícios físicos, emagreceu e parecia ter rejuvenecido. Sério, minha mãe com 35 tinha cara de 50. Minha mãe com 39 tinha cara de não ter 30. Chega a ser chocante ver as fotos (e meio chato começar a conviver com amigos que acham sua mãe gostosa, mas isso é outro problema).
Ele até tentou, de maneira bem tranquila e respeitosa, se aproximar de mim. Eu tava no meio da adolescência e até deixei no começo, mas eu continuava achando quela situação muito estranha, continuava vendo aquilo como uma intrusão. Eu gostava dele, mas tudo parecia meio irreal.
Aí veio a merda: eu passei para uma faculdade em outro estado.
Nesse período de pouca conexão com a minha família, a sensação foi de que essa sensação de estranheza só aumentou.
O sonho do meu padrasto era ter filhos. E eles tiveram duas meninas. Se mudaram para um belo apartamento em um bairro de classe média alta da cidade. Minha mãe abandonou o emprego público dela e passou a administrar uma franquia que ele comprou para ela. E muito disso rolou enquanto eu estava fora. Toda vez que eu voltava para casa, parecia que tinha rolado uma revolução.
Adendo importante aqui: talvez chamem isso de frescura racial, mas vamos lá. Meu pai era negro, minha mãe parda ou morena clara, como preferirem. Eu sou negro. Meu padrasto é branco em outro nível de brancura, as duas filhas que ele teve com a minha mãe são bem brancas também. Pode parecer besteira, mas isso aprofunda ainda mais essa sensação estranha de não pertencimento. Eu me sinto o cara negro que caiu de para-quedas na casa de uma família de comercial de margarina.
E às vezes eu tenho a sensação de que o meu passado não existiu. Todo esse período de infância e boa parte da adolescência - de perrengue, de roupas herdadas de terceiros, de ir num mercado fodido sozinho enquanto minha mãe tava no trabalho, de ter a luz cortada algumas vezes, de nunca sair com os amigos da escola, de ter só minha mãe como companhia, de viver num bairro quebrado - parece que não aconteceu. É algo tão distante que parece um sonho mesmo.
No meio disso tudo, eu voltei para a nossa cidade depois de terminar a faculdade já tem um ano e me sinto completamente não-pertencente a minha casa. Eu mal reconheço a minha mãe (que agora administra muito bem essa pequena franquia, virou crossfiteira e tem uma animação de outro mundo), minhas irmãs me viram pouco até agora porque passei a maior parte do tempo em São Paulo, e meu padrasto, apesar de sempre tentar se aproximar, parece essa figura que "causou" tudo isso.
Eu não sou idiota nem mesquinho, eu sei que ele é um cara maneiríssimo, trouxe felicidade para a minha mãe, ajudou ela a se reencontrar e é bem correto. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho sempre a sensação de que ele roubou minha família de mim. Que parte da minha identidade se perdeu quando minha família se tornou algo completamente diferente com o que eu estava acostumado.
Eu me sinto extremamente frustrado de não ver minha família como família, e sim uma mãe que mal reconheço, um padrasto do qual não sou próximo e duas meninas que parecem viver uma vida completamente diferente da que eu vivi e que possivelmente vão passar pouquíssimos perrengues na vida.
O tempo todo, eu só penso em meter o pé de casa, mas sei que isso não vai resolver tudo. Mas eu queria muito ver a minha família como um ninho, como conforto, como um lugar onde você vai quando tá com problema ou para desabafar. Mas hoje eu me sinto completamente desconectado deles, o que me deixa puto, triste, vazio e frustrado.
E o pior de tudo: eu sei que eu estou errado. Mas eu sinto que roubaram a família que eu tinha. E nem preciso dizer que o almoço de hoje em família só aprofundou mais isso.
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2019.03.05 05:58 Tempcontadesabafo O que há de errado comigo? Como parar???

Primeiro de tudo, gostaria de falar que estou passando por uns momentos dificeis, principalmente relacionado com minha cabeça. Mesmo que tudo esteja ocorrendo bem, não consigo parar de me foder.
Meu psicologo e psiquiatra disseram que tenho a impulsão de me auto destruir, de ser meu inimigo e de sabotar todos meus planos, segundo eles - e eu concordo pra ser sincero - eu não suporto me ver bem. Não por algum motivo específico, pelo menos não sei até o momento, mas é basicamente esse meu mindset. Já estou fazendo tratamento, mas ao mesmo tempo que vejo que estou progredindo (principalmente quando se fala no âmbito social), não consigo parar de pensar o quanto não mereço isso, o quanto todas as coisas boas que acontecem comigo são pura sorte e que eu sou só um impostor filho da puta que tá aproveitando das coisas que a vida dá e não vai fazer nada de útil com isso.
O pior de tudo é que eu sei que eu tô sendo um mimado filho da puta pensando assim, que tem muita gente que tá em uma situação mil vezes pior que a minha e tá dando a volta por cima. E isso só me deixa mais infeliz, com mais raiva e ódio do porquê eu tô me sentindo mal, do porquê eu tô me sentindo triste, mesmo com várias coisas dando certo, eu simplesmente não consigo parar de me odiar! Eu sei que isso é pura imbecilidade minha, e isso só piora tudo.
Sim, eu sei que isso pode ser falta de dopamina no meu corpo ou consequências da doença que sofro, mas puta que pariu, será que não posso simplesmente tomar meu medicamento e fazer meu tratamento e melhorar como alguém normal? Já tô à 3 anos no mínimo nessa merda e não consigo me sentir bem, não consigo parar de me sabotar, de desistir e isso me irrita, me deixa puto.
Parece idiota, mas eu me vejo como "duas pessoas", as duas têm opiniões completamente diferentes e querem construir algo completamente diferente. Uma delas é alguém sociável, que quer se dar bem na vida, evoluir como pessoa, dar orgulho para si e para as pessoas que ama e não acabar em um poço sem fundo que ela mesmo construiu. A outra, quer destruir tudo o que essa pessoa construir, o objetivo principal dela é colocar o pé na frente enquanto ela estiver correndo, deixar ela cair etc. Eu simplesmente não sei qual é qual, eu não sei qual escutar. E eu me sinto completamente humilhado e um merda quando tento explicar o que sinto, porque tudo que vejo é que no final estou pegando todas as coisas que foram construídas pelas pessoas que amo e jogando no lixo, todo o investimento produzido por meus pais jogado no lixo porque eu sempre fui um filho da puta que se auto sabota, que é contra o próprio progresso. Eu não consigo ser eu. Eu não sei o que eu sou.
Enfim, hoje percebi que estou destinado a fazer alguma merda, principalmente com algo que demorei um tempo para construir, por isso que criei essa conta no reddit, para que as pessoas envolvidas não saibam quem eu sou.
Hoje comecei um namoro com uma garota que estou apaixonado a muito tempo, e me espanta ver que ela está apaixonada por mim. Hoje saímos para o parque, ficamos junto e nos divertimos, pedi ela em namoro ali mesmo, mesmo sendo um fodido de merda, atuo muito bem, sempre consegui fingir ser sociável, justamente pra não jogar nas pessoas tudo que sinto, saca? Tudo que mais quero no mundo é guardar toda a merda que penso e sinto na minha cabeça, e não jogar nos outros sendo que eles não tem culpa nenhuma. É hipocrita dizer isso, e é o que eu sou no final. Enfim, tudo deu certo, saímos, nos divertimos e fizemos sexo... eu me senti tão bem na hora, ela é simplesmente apaixonante, e tudo que quero é estar com ela. Mas eu tenho medo, medo de quando vou me isolar e me sabotar, quando vou estragar esse relacionamento, quando vou simplesmente foder com minha vida como sempre faço. Tenho medo dela me julgar, mesmo sabendo que ela não é de fazer isso, a última coisa que alguém quer é um descontrolado, impulsivo e auto destrutivo na sua vida, não é? Eu não culpo ela, se eu pudesse, não conviviria comigo mesmo. Tudo deu certo, fiz questão de trata-la o melhor possível, ela merece o melhor. Mas eu não me sinto o melhor, me sinto um merda. Um merda pra mim e pra ela.
Mas o problema ocorreu - e sempre ocorre - quando eu estava sozinho. Na primeira oportunidade, eu sempre arrumo um jeito de me auto destruir, de sentir nojo de mim mesmo. Enquanto voltava pra casa, não consegui pensar em nada que não seja o quão repulsivo sou e o quanto ela não me merece, o quanto tô fodendo com a vida dela por conviver comigo. De novo, sei que é pura estupidez e que eu deveria estar orgulhoso e feliz, mas eu não consigo e isso me deixa pior.
Não quero destruir esse relacionamento, mas não quero destruir ela com meu comportamento de auto destruição. Quero parar de pensar assim, quero ser alguém normal, quero poder dormir tranquilo e não dormir pensando o quanto eu simplesmente não mereço tudo o que está rolando, o quanto eu não fiz esforço nenhum e o quão hipocrita e retardado eu sou por sentir o que sinto.
Eu sei que muito disso é culpa dos meus disturbios mentais e de personalidade. Mas eu simplesmente não consigo ser racional comigo mesmo, eu não consigo parar de sofrer com as merdas que penso. Escrevendo esse texto só consigo pensar o quão retardado to agindo, o quão filho da puta é simplesmente encher o saco dos outros com problemas que ninguém tem haver. Sendo que tem milhões de coisas mais importantes no mundo.
No final, eu me sinto igual a um adolescente "sadboy" de facebook buscando atenção e mostrando o quão deprimido eu sou para o mundo, para que as pessoas tenham dó e me dem atenção. Talvez tudo que eu queira seja atenção, e isso só piora as coisas.
Desculpem-me pelo texto gigantesco, e desculpa por não fazer nenhum resumo, não estou bem pra escrever mais. Obrigado se você leu.
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2018.11.20 16:48 notsureiflying Conversando sobre Alinhamento/Tendência

Eu queria falar um pouco sobre Alinhamentos/Tendências em D&D: porquê eu acho que alinhamento é descartável em 95% das situações e como jogadores e DMs podem ignorar o alinhamento pra desenvolver personagens (jogáveis ou não) e culturas pra seus jogos.
Já antecipo que é uma postagem longa, mas acho que a leitura pode ser útil para jogadores e DMs, novatos ou veteranos.
Antes de mais nada, o que é alinhamento? Vou usar uma definição de um cara que é referência em Game Development e escreveu o principal livro sobre criação de mundos virtuais, o Richard Bartle (tradução livre):
Alinhamento é uma maneira de categorizar um personagem [...] Alinhamento foi projetado para ajudar a definir a atuação, ilustrando a maneira com que a personagem enxerga o mundo e lida com suas questões. Um jogador decide como a personagem deve se comportar, então atribui um alinhamento, que vai ser uma referência para a atuação daquele personagem.
Pois bem, dessa passagem podemos abordar a questão de alinhamento de duas formas distintas: - Alinhamento serve para definir o comportamento de um personagem - O comportamento do personagem serve para definir seu alinhamento.
A diferença entre essas duas afirmações é bem importante, e acredito que a maioria dos players e DMs tenham a tendência de usar a 1a definição.
Na 1a afirmação o jogador escolhe um alinhamento para sua personagem e, ao longo do jogo, usa esse alinhamento como 'régua' para decidir como a personagem se comporta. Cada vez que precisa agir ou reagir a algo, o jogador olha pro alinhamento e pensa 'como alguém com esse alinhamento reagiria a isso?'
Já na 2a afirmação o jogador pensa em diversos aspectos de personalidade e valores da personagem e então 'encaixa' o alinhamento que mais se alinha a essa personalidade e esses valores.
Eu, particularmente, acho a 2a abordagem MUITO mais interessante e isso tem a ver com as óbvias limitações do sistema de alinhamento em dois eixos (Leal-Caótico x Bom-Mau:
Primeira Limitação: "Bom" e "Mau" são questões pessoais, culturais, subjetivas. Em uma tribo que tem contato direto com o Deus da Morte, tratar de um doente em estado terminal e dar a ele uma sobrevida é algo "Bom" ou "Mau"? Se uma população que sabe que vai ao paraíso após morrer em combate, forçar a paz entre grupos rivais ao mesmo tempo que se aplica fortes sanções econômicas é algo "Bom" ou "Mau"? Roubar é "Bom" ou "Mau"? E se a pessoa roubada tiver roubado antes? E se a riqueza hoje é consequência de investimentos ilegais feitos dezenas de gerações atrás? Impedir o Lich de devorar almas inocentes é "Bom" ou "Mau"? E se as almas forem dos piores criminosos do continente? E se o Lich for a melhor maneira de manter a paz do reino?
Definir o 'grau' de bondade de um valor moral é algo não tão simples de se fazer, especialmente no vácuo. O sistema de alinhamento nos direciona a um esquema de moralidade 'preto e branco', o que tende a se tornar simplório na maioria dos jogos.
Segunda Limitação: O sistema de duplo eixo é simplista, reducionista. Pessoas muito raramente são consistentes em sua maneira de lidar com questões morais. Uma pessoa pode ser extramente altruísta no tocante a dinheiro e ao mesmo tempo ser super vingativa quando se sente pessoalmente ofendida. Um Rei pode lutar pelo bem de sua nação e bem estar de seus súditos, ao mesmo tempo que é racista, violento com estrangeiros e trata os filhos extremamente mal. Ele é "Bom" ou "Mau"? Pessoas são complexas, valores éticos e morais são abordados de forma diferente dependendo do contexto e da situação e também mudam ao longo do tempo.
Essas duas limitações que eu destaquei levam a problemas tanto na criação e atuação de personagens, quanto na criação e desenvolvimento de culturas/criaturas.
Caso você siga a primeira afirmação:
Alinhamento serve para definir o comportamento de um personagem
Você vai se ver em diversas situações em que sua personagem age como um robô, seguindo 'regras morais' que não fazem muito sentido e, pior ainda, removendo toda profundidade de sua personalidade.
Afirmar que uma determinada espécie inteligente é de determinado alinhamento é algo muito estranho, também. O que isso quer dizer? Não há variação cultural/moral/ética entre os membros dessa espécie? Que tipo de sociedade não contém pessoas com opiniões e valores diferentes?
Existem algumas explicações para alguns comportamentos de espécies como um , como características biológicas (a espécie é incapaz de sentir empatia, portanto tende a ser má), religiosas (a espécie foi criada pelo deus tal e é incapaz de agir de forma contrária aos dogmas do deus) e até mágicas (a espécie foi alvo de um ritual ancião e é incapaz de romper contratos). Essas expicações ajudam a montar sociedades/espécies que são contidas em determinados alinhamentos, mas na maioria dos mundos de rpg isso deveria ser a exceção, não a regra. Porém mesmo em casos extremos, como ação direta de uma divindade, é possível (e esperado) que existam opiniões divergentes e 'sub-alinhamentos' dentro daquela sociedade. Dentro do povo incapaz de romper contratos você pode encontrar pessoas que mintam ativamente para que o contrato assinado seja benéfico para eles, ou pessoas que agem de maneira transparente: mesmo numa sociedade 'leal' você tem pessoas que se comportam de forma 'leal' e 'caótica'.
Poxa, beleza, mas se eu acho alinhamento uma parada tão escrota, que que eu sugiro fazer?
Uma maneira é criar uma personagem em função de conflitos ou valores. Outra maneira é criar uma personagem a partir da backstory: Eu olho pros principais acontecimentos da backstory e a partir daí esboço como essa personagem lida com questões específicas. Quando os principais valores da personagem estão bem delineados está tudo certo, questões que não são ligadas a esses valores 'primários' são solucionadas de acordo com o contexto.
Dando um exemplo de cada:
  • Vou fazer uma personagem em função da luta por liberdade individual:
O Meio-Orc nasceu e viveu sua vida toda como escravo, trabalhando dia e noite nas minas de rubi-estrela de um Lorde local. Ele nunca recebeu um nome; fazia parte do minúsculo grupo de Meio-Orcs dentre os escravos e sofria com a violência dos guardas e dos humanos em servidão que considerava todo orc impuro, estúpido e claramente inferior. Durante uma usual sessão de chibatadas o Meio-Orc desmaiou de dor e exaustão. Ele acordou com a mina em caos completo, com um machado em sua mão e os corpos de 3 guardas dilacerados no chão, ainda quentes e sangrando, caídos ao lado das correntes que atavam os braços do orc. Os humanos corriam por todos os lados, usando pedras, picaretas, correntes e pedaços de pau como armas, urrando e se jogando contra os apavorados guardas. O Meio-Orc escapou junto aos sobreviventes que não o chamam mais de ‘monstro’, ‘estúpido’ ou ‘Orc’. Agora ele é ‘Herói’, ‘Valente’, ‘Bárbaro’ e, mais importante, “Corrente-Quebrada”.
Pronto. Como se comporta essa personagem? Ele vai lutar por sua liberdade individual, isso é certo. Ele nunca vai aceitar ser enviado à servidão. Ele provavelmente vai tentar se vingar do tal Lorde, talvez por isso ele apoie quem esteja em uma jornada de vingança, boa ou má. Ele provavelmente vai se opor a quem condena outros a trabalho forçado, independente se o motivo é justo ou não. Ele provavelmente vai se opor a preconceitos raciais/de espécie. Ele provavelmente vai defender o direito de auto-defesa. É possível que ele tente ajudar quem nada tem (porque já viveu numa situação em que nada teve) ou que ele não ajude quem nada tem (porque cresceu em um ambiente em que ninguém o ajudou). Esse personagem é bom/mau/leal/caótico? Tanto faz! Eu tenho os valores centrais dele, e de resto eu vou decidir dependendo do desenvolvimento do personagem ao longo da campanha.
  • Vamos criar uma personagem a partir da backstory:
Brandy “Goodwife” era uma garçonete numa taverna portuária que se apaixonou por um jovem marinheiro cheio de histórias para contar sobre o mar e terras distantes com maravilhas inimagináveis. Depois intensas de juras de amor o jovem partiu para uma ‘curta jornada’ e nunca mais retornou. Brandy sofreu com o luto até o dia que reconheceu a figura de seu amado em uma moeda usada por um cliente: aparentemente seu ‘jovem marinheiro’ era o filho de um nobre que estava curtindo a vida antes de seu casamento arranjado. Brandy decidiu que ia ensinar uma lição ou outra para o malandro nobrezinho e entrou escondida no navio pirata “Apogeu” a fim de eventualmente chegar nas terras do filho da puta. Brandy, descoberta pela capitã do navio, fez de tudo: lavou, limpou, amarrou, aprendeu a ler as estrelas e as correntes do mar, a segurar o sabre e manter a postura mesmo com o balanço da embarcação. Descobriu como confiar em cada membro de sua nova família, como farejar as mentiras das tripulações que capturavam e como aproveitar as noites à deriva regadas a rum e luxúria.
A Brandy tá aí. Pela backstory dela eu imagino que ela seja extremamente leal a quem faz parte da sua ‘tripulação’, mas nem pensa duas vezes na hora de roubar ou dar aquela interrogada mais agressiva. Ela quer se vingar do nobrezinho lá, mas talvez faça isso de forma política, sem apelar pra violência direta. É capaz que ela tenha um ponto fraco por jovens casais apaixonados que não sabem nada do mundo. É possível que ela siga um código de conduta comum a marinheiros/piratas. Ela é boa/má/leal/caótica? Tanto faz! Eu tenho uma ideia de como essa personagem se desenvolveu até agora (de jovem impressionável pra mulher independente) e sei de algumas coisas que ela valoriza/pretende fazer (valoriza quem trabalha lado a lado com ela, pretende mostrar pro nobre que ele não é intocável), então fica fácil de me colocar no lugar dela e definir como ela deve agir.
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2018.10.03 17:48 maia125 Introdução à realidade.

Introdução à realidade: lições de vida e conselhos para o quotidiano—
Criei este post para que pudéssemos partilhar lições de vida que aprendemos à nossa custa, ou em alternativa, ao vermos os outros errarem.
Vou começar com uma bastante básica: agora percebo o porquê de pessoal mais velho dizer "se soubesse o que sei hoje, tinha estudado mais".
E vocês, que lição de vida querem partilhar?

Edit: lições sugeridas nos comentários
  1. Estudar mais;
  2. Verificar se há papel higiénico na casa de banho;
  3. Nunca deixes de dar uma, se tiveres oportunidade para tal;
  4. Nunca tomar nada por garantido;
  5. O que os outros pensam é pouco relevante para o futuro;
  6. Se és o mais inteligente da sala, muda-te. Ou percebes que não eras tão inteligente ou tornas-te mais completo num outro sítio;
  7. Os amigos muito raramente são para sempre e às vezes acabamos por trabalhar demasiado em manter a amizade;
  8. Procura um trabalho onde te sintas apreciado;
  9. Ler pelo menos 30 minutos antes de dormir;
  10. Não fazes a mínima ideia do que é sentir medo enquanto não tiveres temido pela vida/futuro de um filho;
  11. O mundo está nos detalhes;
  12. Larga a Internet;
  13. Onde se ganha o pão não se come a carne;
  14. Não faças aos outros o que não gostavas que fizessem a ti;
  15. Deve-se masturbar uma vez por dia.
  16. Pensa antes de fazer algo, mas faz. Mesmo que falhes. Vais aprender algo e fazes melhor na próxima vez. Arrependimento por não fazer é lixado. Obviamente que não estou a falar de fazer coisas ilegais, que podem por em perigo a tua saúde e/ou a de terceiros, etc.
  17. Sê paciente. Não vale a pena esperar resultados imediatos. Estabelece objectivos e trabalha de forma incremental para os obter. Faz as coisas passo a passo, assegurando que cada passo contribui para atingir o objectivo.
  18. Cultiva a curiosidade. Sempre que vires algo que não percebes (na rua, na net, no jornal, a falar com amigos, etc.), não sejas apático: questiona. Tenta encontrar a resposta. Dica: perguntar é uma excelente maneira de obter respostas.
  19. Usa protector solar. Todos os dias.
  20. Aprende a tocar um instrumento musical. Não precisas de ser um músico, mas saber algo de música e tocar um instrumento musical é pessoalmente muito gratificante e quase sempre valorizado pelos outros.
  21. Se tens muito stress na vida, uma actividade física intensa é uma excelente forma de descarregar toda a frustração e hormonas e começar um novo dia com tudo isso para trás.
  22. Se fizeste merda e ninguém viu, não fizeste merda. Se alguém viu, admite e pede desculpa.
  23. Não faças sacrifícios por um chefe (ou trabalho) que não quer saber assim tanto de ti
  24. Não faças aos outros o que não gostavas que fizessem a ti
  25. O caminho longo faz-se dando um passo de cada vez. Se deres um hoje, amanhã o percurso é mais curto.
  26. Questiona qualquer informação que te for apresentada.
  27. Nunca confies totalmente em quem quer que seja, somente na família próxima
  28. Não te deixes enganar pela aparente realidade local
  29. Não te gabes se não consegues cumprir. Porque se dizes que fazes e aconteces, alguém vai querer ver resultados. E depois alguém vai fazer figura de urso.
  30. Pratica um desporto/atividade física que gostes e come de forma saudável.
  31. Não abdiques das 8 horas de sono
  32. Façam um check-ups regularmente.
  33. Não podes mudar o mundo. Aceita isso, ainda que continues todos os dias a tentar fazer coisas boas para a sociedade.
  34. Sê grato/a e percebe que isso não significa que não ambicionas mais para ti / para a tua vida.
  35. Não tenhas problemas em mostrar à tua família e aos teus amigos o quanto gostas deles.
  36. Ninguém tem o direito de roubar o nosso bem-estar emocional. Se vês que isso te está a acontecer, e por muito que te custe, corta relações com essa pessoa e faz por ti. Não tenhas vergonha de pedir ajuda.
  37. Na maioria das vezes, o pior que pode acontecer não é assim tão mau.
  38. No início de carreira escolhe um bom mentor em vez de um bom salário. Um bom mentor ensina-te boas práticas e ajuda-te na progressão de carreira. Como em tudo, equilíbrio é importante. Um bom mentor ou um excelente salário são coisas diferentes
  39. Seguir o teu coração, é sempre mais certeiro do que propriamente seguires o teu cérebro.
  40. Vai a um psicólogo, paga uma ou outra sessão.
  41. Se estás no secundário/prestes a entrar para a faculdade, ou até já na faculdade e nunca soubeste ao certo o que querias nem és mesmo apaixonado por uma área em específico, pesquisa muito bem sobre empregos bons (ótimos por vezes!) que nem requerem nada de especial para entrar, a não ser o limite de idade que no futuro te impedirá de concorrer ou o facto de nos primeiros meses/anos ter que se ir para outra cidade e enquanto és jovem não tens muito a perder.
  42. Faz o melhor de ti, mas nunca dês tudo de ti a algo q não merece essa atenção.
  43. Comer fruta e vegetais enquanto podes nunca se sabe o que pode aparecer mais tarde
  44. Começa a poupar desde cedo.
  45. Se alguém é injusto para contigo, não fiques calado, fala mas sem ser mal educado
  46. Uma pessoa abusiva/tóxica não é sempre abusiva, não desculpes o dano que te causam por uma ou duas boas ações.
  47. Faz voluntariado
  48. Façam sempre exames de rotina, incluindo colonoscopias, etc após os 50.
  49. Se tens algo de errado contigo e os sintomas duram uma semana vai ao médico
  50. Se tiveres fungos nas unhas, trata disso antes que tenhas de andar a tomar caixas de antibióticos e 3 meses a limá-las.
  51. Façam por experimentar coisas novas, nem que seja só um sabor de gelado ou uma receita.
  52. Aproveitem a vida, façam umas viagens de vez em quando.
  53. O que não tê solução resolvido está. Não vale a pena perder sono com isso.
  54. Aprender a como investir o seu dinheiro desde cedo. Educação Financeira é tudo.
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2018.04.20 20:34 CarroR24311 Como eu uso o Tinder pra despertar a “GP” interior em algumas mulheres

PRIMEIRO PASSO - O PERFIL
Bem, meu objetivo no Tinder sempre foi obter encontros com finalidade estritamente sexual, mas ao mesmo tempo precisava manter minha identidade preservada. Não estava buscando uma namorada, amante, crush, ou nada do tipo. "Ah, CarroR24311, mas não seria mais fácil então sair com uma GP?" Sim, seria...mas minhas motivações nem sempre são muito simples de serem definidas ou explicadas; encontro prazer no inusitado, no inesperado, na surpresa. Gosto de jogos, e me pareceu um jogo interessante essa "pescaria"...jogar a isca e ver quem nesse universo tão variado de meninas que aparecem todos os dias na descoberta do Tinder cairia na minha rede. Sabia desde o primeiro momento que seria uma loteria...sair com meninas das quais eu não sabia nada, das quais não tinha nenhuma informação senão meia dúzia de fotos e uma descrição que geralmente se resumia a signo, altura, gosta da série tal, dispensa quem quer apenas sexo (essa parte geralmente era a mais engraçada, por motivos óbvios).
Assim, o primeiro passo foi criar um facebook apenas com a finalidade de usar o Tinder, já que é obrigatório vincular uma conta do face ao Tinder. Feito isso, é hora de criar o perfil...por via de regras, no Tinder as pessoas avaliam as outras com base nas fotos e uma breve descrição. No meu caso a minha foto não mostrava a minha pessoa, mas sim uma sugestão sobre o meu objetivo ali. E minha descrição era bem objetiva, do tipo "Sou casado, busco relacionamento sexual e como retribuição ofereço um valor de até $$$ por cada encontro. Não busco romance ou namoro, ofereço e exijo o máximo de discrição".
SEGUNDO PASSO - A PESCARIA
Nesse momento se define o que se deseja, podendo limitar sua escolha por localização e faixa etária. No meu caso, no começo eu defini que gostaria de visualizar apenas meninas de 18-22 anos e localização de até 160 km do meu local. Nesse primeiro momento eu geralmente dava likes indiscriminadamente, queria mais ter um feeling se meu perfil iria fisgar a atenção de alguém. Logo no primeiro dia consegui 8 matchs, e então passei a ser mais seletivo, reduzindo o "range" de distância e concentrando meus likes apenas nas meninas que de fato me chamavam a atenção.
TERCEIRO PASSO - DEI MATCH, O QUE FAÇO AGORA
Bem, eu uso a seguinte regra: se dei like por último, eu começo a conversa, se a menina deu like por último, espero ela começar. No meu caso, tudo sempre começa com o famoso "Bom dia, tudo bem com você?", e em seguida eu pergunto se ela leu meu perfil por completo, se existe alguma dúvida com relação à minha proposta. Acho isso importante pois reforça a objetividade da oferta e não dá muita margem para a menina ficar de papo furado depois. Na maioria dos casos as meninas afirmam terem lido e estarem de acordo. Mas também na maioria dos casos elas vão querer saber um pouco sobre você, sua motivação, e principalmente, vão querer uma foto sua. Posso afirmar que 99% vão pedir para ver uma foto antes de seguir em frente, e existem mil maneiras que você pode enviar uma foto: colocando no próprio perfil do Tinder e depois tirando (não gosto de fazer isso, pois alguém conhecido pode justamente estar olhando seu perfil naquele exato momento), upando em um tumblr da vida e passando o link, ou então passando a conversa do Tinder para o popular WhatsApp. Eu geralmente uso essa última.
Bem, daí pra frente vai de cada um. Você vai ter que conversar com a menina e combinar o seu encontro. Eu geralmente pergunto à menina se ela prefere encontrar antes para tomar um café, conversar um pouco, quebrar o gelo, afinal de contas são garotas que na maioria das vezes nunca fizeram sexo em troca de dinheiro e ficam preocupadas de você ser um maníaco ao algo do tipo. Para uns 20% isso foi muito importante, e eu não teria sucesso com elas se não tivesse colocado essa possibilidade. As demais foram de boa para abate sem floreios. Também é bom salientar que na maioria dos casos de encontros pelo Tinder não é a menina que vem ao seu encontro. Você vai ter que ir atrás...e isso pode ser um empecilho para alguns.
Outra coisa, eu não pedi nudes para nenhuma menina. Como já disse lá no início, encarei essa experiência como uma loteria, e solicitar fotos sem roupas poderia colocar em risco meu objetivo. Tem muita gente no Tinder que fica só pedindo foto, e as meninas por razões óbvias vão ter muito receio de encaminha-las para um estranho. Em razão disso, tive alguns desapontamentos, mas no fim, como Edith Piaf posso afirmar que "Je ne regrette rien"
Com relação à duração dos encontros, isso também era algo totalmente em aberto. Eu particularmente preferia não definir nada, deixar rolar...assim, para algumas meninas eu paguei para ficar uma noite inteira o mesmo que valor que gastei para passar 20 minutos com outras.
Enfim, o resultado dessa experiência foram encontros com 19 meninas, das mais diversas origens e classes sociais. Vou descrever um resumo de cada um, para que tenham uma ideia do que poderão encontrar...
Menina 1 - Mesquita - 20 anos - Funcionária Pública
Bem, essa foi fisgada ainda na primeira leva de likes. Mulata, não muito bonita de rosto, mas tinha um corpão de passista de escola de samba. Combinamos na praça, e na hora marcada ela estava lá. Eu estava nervoso por ser meu primeiro encontro, e ela nitidamente também estava. Quando ela entra no carro bateu uma bad, pois as fotos haviam pegado apenas seus melhores ângulos, que eu pessoalmente não conseguia enxergar. Enfim, mas eu já estava ali, então ia tentar fazer daquele limão uma limonada. Já no carro ela começa a me elogiar, dizendo que me achou bonito e que não entendia o porque de eu estar pagando para sair com garotas, e no caso, estar saindo com ela. Eu pensei a mesma coisa, mas não disse. Como eu havia combinado antes com ela de sairmos para comer algumas coisa, fomos para o shopping almoçar e conversar um pouco, antes de ir para o hotel. Bem, pelo menos sem roupa ela compensava a cara. Menina bem gostosa, seios médios, bundão. pedia para chamar ela de puta e por fim, me ofereceu atrás que eu claro, não recusei. mas logo em seguida bateu a bad de novo, e disse a ela que tinha um compromisso e ia precisar ir embora. Devemos ter ficado em torno de 1 hora no hotel...na hora de pagar ela ficou muito constrangida, a princípio não quis receber. Mas depois de minha insistência, ela acabou aceitando.
No caminho para deixá-la de volta em casa ela contou que imaginava que iríamos ficar mais tempo, mas que como saiu cedo iria conseguir ir à reunião do grupo de jovens na igreja 54** . Achei essa parte engraçada, mas segurei para não rir. Dois minutos depois de deixá-la no local onde a peguei, descombinei no Tinder e fui seguindo meu caminho pra casa, quando ela me manda uma mensagem pelo WhatsApp perguntando o porque de eu ter descombinado. Enfim, como justamente estava nessa para não ter que dar satisfação a ninguém, não respondi e tratei de bloqueá-la no WhatsApp também. Ela foi a primeira de 36 contatos que estão bloquedos hoje no meu telefone, que vão de garotas que eu já saí e não quis repetir até meninas com quem eu comecei a conversar mas decidi por não encontrar.
Menina 2 - Volta Redonda - 21 anos - Estagiária em Escritório de Advocacia
Sim senhores, nesse afã por ppk eu fui parar em Volta Redonda. Como no começo meu "range" estava de até 160 km, acabei dando match com essa menina de lá, e ela me chamou tanta atenção que decidi que valeria a viagem. Pelas fotos do tinder e instagram ela parecia com a Mulan, personagem de um desenho da Disney. Na conversa pelo WhatsApp se mostrou instruída, tranquila, o que me animou ainda mais em encontra-la. Com ela não teve papo antes...nos encontramos e fomos direto para o hotel. Era a segunda vez que encontrava alguém em troca de grana e estava juntando para por silicone. Dei duas com ela, e poderia ter dado mais se quisesse, mas eu tinha que voltar ao Rio para trabalhar. Enfim, apesar de ter sido legal, não tinha intenção de repetir, então foi para o saco dos blocks também.
Menina 3 - Santa Cruz - 18 anos - Blogueira e Hostess
Fiquei impressionado com as fotos dela. Pelo WhatsApp a menina me pediu um monte de fotos, perguntou um monte de coisas, já estava ficando puto, mas como queria muito conhecê-la fui relevando. Até que ela passou um pouco dos limites, perguntando coisas da minha vida pessoal, daí eu dei-lhe um fora, e já imaginava que ela ia me xingar e cair fora, mas o oposto aconteceu. Ela pediu desculpas e ficou mansinha, me mandou até nudes sem eu pedir. hahahaha
Enfim, fui encontrá-la em Santa Cruz, e a menina queria manter as luzes apagadas no quarto. Muito gostosa, mas tinha um comportamento meio estranho. Parecia sofrer de distúrbio de dupla personalidade. Enfim, essa eu não bloqueei, pois achei que valeria a pena encontra-la novamente, mas três dias depois ela vem com uma história que estava precisando de grana para por implante no cabelo, se eu não podia adiantar, e tal...bem, percebi que essa mulher ia ficar no meu pé, então mais uma foi morar no saco dos blocks.
Menina 4 - Tijuca - 18 anos - Universitária
Quando dei match com ela eu nem acreditei. A menina era muito gata, mas muito mesmo...um corpo perfeito, conforme pude ver pelas suas fotos de biquíni. O relacionamento com ela extrapolou um pouco os limites que eu havia determinado para mim mesmo. Fui dormir na república onde ela morava, falava com ela todos os dias, já não pagava mais, mas a coisa já estava saindo do controle, então preferi me afastar. Dessa eu tenho saudades..
Menina 5 e 6 - Tijuca - 18 e 21 anos - Universitárias
Dei match com a de 21 anos, que durante as conversar informou que uma amiga também estava interessada. Me mandou fotos da amiga, que de fato parecia ser muito gata. Perguntei se ela e a amiga se pegavam, ela disse que não. Eu então questionei o sentido de eu sair com as duas. Elas disse que estava precisando muito de dinheiro, e que poderia fazer "2 pelo preço de 1,5". Bem, como eu estava muito afim de comer a amiga dela, topei. Nesse eu me dei mal...a amiga de fato era gata, mineira, 18 aninhos, branquinha, peitões. Uma delícia. Agora a menina que eu dei match era simplesmente diferente das fotos!!! Uma gordinha baixinha que eu não pegava nem de graça...mas é aquilo, "tá no inferno, abraça o capeta".
No hotel, as duas não podiam ficar no mesmo ambiente pois a mineira (que apesar de linda parecia um bicho do mato), tinha vergonha de dar na frente da amiga. Assim, a comi no banheiro enquanto a gordinha ficava no quarto olhando o que tinha na geladeira. Estava bom com a mineira, até que ela dá um troço e fala "agora vai com ela"...hahaha. Quase me desesperei, argumentei que estava bom ali, que não queria parar naquele momento, mas ela disse que estava ficando com a buceta ardendo por causa da camisinha. Enfim, muito puto fui comer a gordinha, que pelo menos tinha uma buceta quentinha e apertada...botei o travesseiro na cabeça dela e percebi que daquela forma, com ela de 4, até que não estava de todo ruim. Enfim, gozei e quando eu viro por lado a mineira já estava vindo arrumada do banheiro. isso não tinha passado nem 40 minutos de quando havíamos chegado. Pra não me estressar, levei as duas embora com a intenção de nunca mais ver a cara das delas. Até que um dia recebo uma mensagem no whatsapp de um número desconhecido, e para a minha surpresa era a mineira, que estava querendo sair de novo comigo (ou seja, estava precisando de grana). Falei que ela estava doida, que tinha me decepcionado da última vez e não estava afim de me aborrecer novamente. Daí ela falou que ia se esforçar para me agradar desta vez, pediu desculpas, quase implorou. Como ela era gostosa, e estava aparentemente arrependida, lá fui eu encontrá-la. Até que de fato foi melhor, mas ela estava afim de um patrono, e eu não queria ter compromisso de ter de ficar saindo sempre que ela precisasse de grana, então botei ela no saco junto com as outras.
Menina 7 - Baixada - 20 anos
Essa prefiro não relatar, sorry.
Menina 8 - Nova Iguaçu - 18 anos
Essa eu conheci por intermédio da menina 8, então boto na conta do tinder também. Branquinha, linda, uma princesa...essa eu faço questão de encontrar até hoje.
Menina 9 - Duque de Caxias - 18 anos - Lojista
As fotos dela eram sensacionais. Os seios foram os que mais me chamaram a atenção, mas o rosto era lindíssimo. Por isso até fiquei meio cabreiro. Mas ao vê-la pessoalmente fiquei impressionado em como ela era ainda mais bonita. Segundo ela, eu era apenas o segundo cara com quem ela fazia sexo na vida. O primeiro havia sido um namorado com quem ela havia terminado apenas dois meses antes. A menina era muito, mas muito gostosa, e além de tudo ainda deixou eu fazer várias coisas loucas. Detalhe, ela disse ter uma irmã gêmea, o que foi suficiente para aflorar em minha mente os mais perversos pensamentos. Infelizmente não encontrei mais com ela, embora tenhamos nos falado algumas vezes depois. Fico na esperança, pois dessa também tenho muitas saudades
Menina 10 - Magé - 20 anos - Universitária
Loira, 1,75 m de altura, mulherão. Mas com carinha de menina...essa foi engraçada, pois demoramos a nos encontrar. Ela só podia em um dia específico da semana, num espaço de duas horas. Como fui descobrir depois, ela estudava com o namorado, e a única matéria que eles não faziam juntos caia nesse horário. Então eu a pegava na porta da faculdade, saía correndo pro hotel, e antes da aula terminar eu tinha que deixá-la de volta, pois ela ia para casa com o corno. Nos encontramos 3 vezes, e só paguei a primeira...nas outras ela me chamou, pois como o namorado dela não comparecia (eram crentes), ela sentia falta de sexo e acabava pedindo minha "ajuda". Saí fora pois fiquei com receio de dar merda, mas valeu a pena a aventura.
Menina 11 - Duque de Caxias - 22 anos - Comerciante
Me chamou atenção pois parecia ser linda de rosto pelas fotos. E de fato era muito mas muito bonita. Mas tinha um corpo meio estranho. Já era mãe, e a gravidez acabou judiando da menina. Mas tinha os maiores seios que já vi na vida, ainda que um tanto que moles. Gente boa, não tive coragem de dar block de primeira, mas também não queria mais sair com ela. Só que ela ficava me mandando mensagem direto, daí não teve jeito e mandei pro saco também.
Menina 12 - Duque de Caxias - 21 anos - Universitária
Essa foi engraçado. Menina de Goiânia, nos falávamos pelo WhatsApp e seu sotaque dava o maior tesão, aquele "amorrr" fazia o pau subir na hora. Mas a menina era muito carente, e já no chat ficava falando que não ia querer receber pois tinha medo de isso afetar nosso futuro 08** 08** 08** . Bem, no dia do encontro saímos antes para tomar conversar, tomamos um chá, e a menina estava cheia de amor. Já no hotel se mostrou uma devassa na cama, muito gostosa, mas ela estava afim de romance, então tive de sair fora.
Menina 13 - Barra da Tijuca - 18 anos - Só fuma maconha 70**
Essa menina eu já encontrei algumas vezes. Tem um perfil social que difere da maioria das outras pois é de família abastada. Mora em uma mansão em condomínio fechado da Barra, tem tudo o que quer, e sinceramente eu não sei por que está nessa. Acho que ela curte o lance da aventura, sei lá...nunca entendi. Mas enfim, é gostosa demais, muito safada, então eu vou aproveitando.
Menina 14 - Campo Grande - 18 anos - Trabalha mas não sei aonde
Essa menina foi meio estranha, bonita, vivia me mandando nudes perguntando quando eu iria encontrá-la, até que um dia resolvi ir na longínqua Big Field. De fato muito gostosa, mas muito estranha também. Eu a elogiei assim que nos encontramos, tipo "você é muito bonita", e ela "eu sei!" 17** . Já fiquei meio bolado...calada, não falava absolutamente nada até chegarmos ao hotel. Bem gostosa, mas não me senti a vontade em nenhum momento com ela. Até que uma hora ela começa a ter dificuldades para respirar, e eu fiquei super bolado pensando que a menina ia morrer...ela disse que isso era normal, que ela precisava tomar um remédio para melhorar. Daí falei para irmos embora, mas ela não queria ir. Eu ficando desesperado, mas ela aparentou melhorar. Fumava igual um saci....fui puxar assunto, comentando que ela era muito quieta, até estranha. Que eu estava com medo dela...hahaha. Ela começou então a contar a história dela, que tinha vivido em orfanato até os 13 anos, um monte de história triste, daí fiquei na bad e insisti que tinha que ir embora. Finalmente ela aceitou. Nesse dia tive duas alegrias, uma quando a encontrei, e vi que era bonita, e outra quando consegui me ver livre dessa doida. Óbvio que foi para o saco.
Menina 15 - Jacaré - 18 anos - Terminando 2º grau
Menina bonita, mas meio feminista. Não depilava a perna nem as axilas. Estava menstruada quando nos encontramos (só descobri na hora), não chupava (nas palavras dela "não faço aquele job"), enfim, desastre total. E o pior é que ela ficou me ligando depois querendo me encontrar de novo...
Tiveram mais 4, inclusive uma que mora no Leblon, que eu até agora não acreditei que deu match. Conheci-a dois dias atrás e estou praticamente apaixonado. A mulher é tão linda, mas tão linda que só o fato de eu ter saído com ela valeu por todos os infortúnios que passei. Mas agora estou com preguiça de descrever, e esse texto está ficando muito longo. hahahaha
Enfim, fora essas, ainda tem 19 matchs para desenrolar, e isso tudo em pouco mais de 1 mês. As experiências foram das mais diversas, e dá para comer uma menina por dia nesse tinder se você tiver disposição, grana e tempo.
Espero que tenha sido útil para quem ainda tem dúvidas sobre a utilização desse app. Eu já estou perdendo o fôlego, tem umas meninas que ainda quero conhecer pois me chamaram muito a atenção, mas depois disso vou dar uma parada. Administrar a logística para todos esses encontros não foi fácil. Mas valeu a pena!
TL;DR: ofereço grana pra mulheres “normais” no Tinder em troca de sexo e elas aceitam. Seguem também relatos de alguns encontros.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.01.13 00:32 Pitiful-anonymous Pé Esquerdo no Chão e Mão Direita na Parede Faz o Quarto Parar de Girar

Abriram-se os olhos, o quarto iluminado, sabe-se que é noite. Uma lua falsa paira no teto. O quarto está imóvel, ainda que a lembrança dele girando permaneça. A cama, mais macia do que lembrava, o engole e o devora, e o descanso é só mais um exercício da vida. Mas chega de pretensões. Otávio acordou após uma noite de longa bebedeira, não gostava do álcool, apenas de seus efeitos. A normalidade embriaga e a indiferença é só mais uma ressaca.
A televisão ligada em um programa evangélico. Filas de rostos tristes prestes a dar seu alegre testemunho de libertação para uma vida de restrições. Ser livre cansa e ameaça a vida, e é melhor as restrições do Pai e o sangue do Cordeiro do que o mijo alcoólico do capeta. Viciados reformados, principalmente, incluindo o pastor. _Livrai-me deste vício então, ó pastor. - Disse Otávio colocando-se sentado na ponta da cama.
Estava sozinho. Beber até cair e então levantar, morrer e ressuscitar, é como ouvir o demônio falando verdadeiramente sobre o que pretendia Deus com humanos. Levantou-se e foi até a cozinha, bebeu uma garrafa de água e mexeu a água na boca na tentativa de curar a boca seca, engole a água e repete o processo mais duas vezes. Guarda a garrafa na geladeira e vai para o banheiro.
O álcool consumia seu organismo por inteiro. Sentia o cheiro e o ardor na respiração, a queimação ao mijar (ainda que houvesse a possibilidade de haver outro motivo), a dor nos rins, no fígado, o estômago embrulhado para presente, o peso nos olhos, a fome e o extremo desconforto. Deu descarga, lavou as mãos e voltou para a cama. Permaneceu parado, olhando para o teto até amanhecer. Abriu uma janela e colocou o corpo para fora, o próprio dia estava embriagado. Cheiro de vodka no ar.
Estava em uma cidade litorânea, decidira ir para lá apenas por ir, assim como se decidira a andar na praia apenas por andar.
Estava em um pequeno apartamento que era de um amigo que estava a viajar. Chamou o velho elevador, abriu a pesada porta de metal e entrou. Desceu e caminhou até a praia. A areia sob seus pés descalços e o quebrar das ondas o ajudaram, sentira-se quase revigorado. "Se ao menos a praia fosse dentro do apartamento." Pensou. A cidade estava cheia, mas vazia naquele horário, todos desmaiados em ébrio sonhar. Ouviu o caminhar atrás de si, passos leves. Ele estava sentado na areia perto das escadas de pedra por onde descia alguém, ouvia o chinelo bater contra a carne do pé.
E eis que surge um corpo feminino a sua frente, caminhando em direção ao mar. Biquíni azul, coxas grandes e firmes, longos cabelos negros e a pele branca como a branca areia. Ela atirou-se ao mar e nadou, olhou para trás e Otávio pode ver o resto de seu corpo, peitos médios, um pouco de barriga, mas lisa, linda e seu rosto... como o de uma boneca. Seu rosto era como o de uma boneca que foi atirada na brasa de uma churrasqueira de um churrasco em família por uma criança chata que roubou o brinquedo da prima... enfim, era derretido. Mas, talvez, fosse apenas impressão ela estava tão longe, nadara tanto já.
Mergulhava, permanecia por um minuto e voltava, a cada mergulho dava a impressão de que não voltaria. Mais um mergulho e mais uma volta, devia estar praticando para uma dessas competições em que nadam no mar. Após quinze minutos e diversos mergulhos, ela sai do mar e caminha pela areia até as escadas. Otávio pode ver de perto o rosto, realmente como o de uma boneca que foi atirada... enfim. Não possuía nariz, somente duas narinas em uma leve protuberância, ainda possuía pálpebras e um rosa na boca que talvez fossem lábios, nada realmente definido. Apesar do corpo branco, o rosto era de uma cor semelhante ao caramelo e aparentava uma textura como o plástico. Inexpressiva, porém sentia-se uma tristeza emanar dela.
Otávio nada sentia, além de seu cansaço. Sua pressão baixara subitamente e podia escutar os batimentos de seu coração. Esperou a moça desaparecer de vista e seguiu pela mesma rua. Voltou para a cama afim de dormir. O cansaço desaparecera, fez um esforço e nada. Não conseguiria dormir.
Levantou-se e pegou o celular que marcava meio-dia. Então dormira?... Ou sequer acordara?... De qualquer forma, preparou um almoço, encheu o prato, comeu duas garfadas e decidiu-se por satisfeito. Foi até a praia e permaneceu lá por duas horas, como se esperasse pela volta daquela mulher. Sonhos são impactantes, lembra-se deles faz com que vejamos os propósitos de nossas ações e ele sabia que a queria ao seu lado. Esperava por um sonho, amava um sonho e nutria uma esperança, um lírio nas areias. O lugar enchia-se, banhistas, música alta, o cheiro de carne, queijo e azedume. O mar escurecia com a sujeira dos turistas e o intenso cheiro de protetor solar aumentava cada vez mais.
As mulheres, com seus curtos biquínis, o prenderam ali por mais alguns minutos, valia a pena um pouco mais de sofrimento por um tesão de paisagem, conquanto a permanência inútil sem ação. Pelas dezoito horas começou a melhorar, sentiu-se mais disposto. Serviu-se então de copo de vinho e depois de mais muitos, até o calor do sono lhe tomar por completo. Despiu-se, jogou as roupas no chão e cambaleou para o quarto. Caiu em cima da coberta, arrastou-se para cima e cobriu os pés e...
Pela primeira vez, dormira até tarde. O sol já raiava no céu quando acordou e o amor certamente se escondera atrás de seu brilho. Perdera a chance de abraçar um sonho. Duas horas mais tarde do que de costume, preparou seu almoço, encheu o prato mais uma vez. A fome era angustiante e dolorida, quase não comera no dia anterior. Três garfadas espaçadas em que olhava para a parede branca em cima televisão ligada, nos intervalos pensava nela.
Uma boneca da vida real, irreal, edição única e inesquecível. Pensava no quanto deve ter sofrido em sua vida e no que havia acontecido para sua face ficar daquela maneira. Um belo rosto eternizado numa triste expressão. Uma segunda garfada. E sentir o calor de seu corpo, sua respiração úmida e seus beijos apaixonados no frio da noite, o luar pela janela e a vida valendo a pena ser vivida. Terceira garfada. Amar e ser amado. Colocou o prato de lado e se pôs a imaginá-la tão somente, sem pensar em nada específico. Continuou assim até perceber que faziam quinze minutos que encarava a parede. Jogou a comida fora, deixou a louça na pia e saiu para caminhar na praia. Andando pelas areias imaginava ela ao seu lado, segurando sua mão, aos olhares assustados dos transeuntes. "Que se foda o mundo", mostrando um perfeito amor entre imperfeitos. Voltou para casa, comeu um sanduíche e tomou um banho. Deitou-se e lá permaneceu até cansar-se. Voltou a pensar nela, estava sonolento. Seu corpo esquenta, seu pênis enrijece e Otávio começa a se masturbar, porém o sono o domina antes da quinta repetição e ele adormece com as calças abaixadas.
Meia-noite, o frio da janela aberta o incomoda. Ao fechar, percebe uma sombra mover-se no canto do seu olhar. "Uma barata". E realmente o era. Mexeu na cama e a viu correr para a porta, correu também e a esmagou pisando com o chinelo. O som do exoesqueleto partindo-se foi algo horrível, nojento. Percebeu então que estava com o pênis balançando para fora. Isso o fez pensar nela, não entendia o porquê. Enfim, pegou uma pá e jogou o inseto na privada e deu descarga, mijou e deu mais uma descarga. Lavou as mãos e olhou-se no espelho. Deu um sorriso. Não era um rosto horrível, mas certamente não era dos melhores. Desde criança fazia caretas ao se ver no espelho, agora sorri e sente que nada mudou. Uma madrugada cinza. Custou a cair no sono novamente.
Sua mente aflita acorda com os primeiros raios de sol que cortam seu quarto pelas frestas da janela. Como sem saber o que fazia exatamente, rapidamente arrumou-se, colocou um shorts e uma regata e correu até a praia. Sentou-se no mesmo ponto à frente das escadas e esperou. Esperou. Esperou. "Como será o boquete dela?" "Que pensamento horrível, porque eu pensei isso agora?" Esperou até a praia começar a encher com as músicas, com os cheiros, com a sujeira e com as pessoas. Envergonhado pelo desespero em encontrar uma pessoa aleatória, Otávio vai beber em um quiosque por ali. Que ridículo, como um sequestrador ou um estuprador, um tarado obsessivo, ele esperou ela.
Bebeu algumas cervejas até se dar conta de que ainda esperava que ela aparecesse. Então foi para um boteco no centro da cidade, ainda assim esperava encontrar ela lá, porém dessa forma não iria parecer tão ridículo para... bem, ninguém sabia, de qualquer forma. Fugir da própria consciência que nos julga. Deus é o vestígio de nossos pais em nossas mentes e os pecados são as formas como acreditamos que eles nos julgariam. Uma cerveja, um riso. "Que ridículo... haha". Uma cerveja, uma dúvida. "Quem era aquela garota?" Cervejas, risos e dúvidas. Álcool, alegrias e incertezas. Essa é a vida de alguns muitos. Alguns muitos otários por aí. Otávio é um deles. O estômago pesado, a respiração ardendo e a insensibilidade do rosto e do corpo. Estava bêbado até a televisão torná-lo sóbrio. Não havia som, para não incomodar os clientes, somente palavras e imagens. Descoberto corpo na praia. A foto é de uma indigente sem nome, com feições singulares e características. Ela não foi um sonho, era esperança morta. Suspeita-se suicídio. Por isso não havia me percebido, por isso mergulhava tanto. Foda-se o mundo.
Jogou todo seu dinheiro no garçom, mostrou-lhe o dedo do meio e gritou "FODA-SE O MUNDO!" Dançou até a praça do outro lado da rua e caiu na grama.
Já noite, acordou com um lírio brilhando no céu e entre diversas travestis e putas baratas disfarçadas de travestis e putas baratas fora do expediente. No boteco tocava um funk extremamente alto. Bêbados gritavam suas dores e riam, mulheres gordas cheias de tesão fumavam por ali e a polícia fazia-se de cega. Chamou uma travesti mais alta que ele, com peitos de plástico e bunda de óleo de cozinha, usava uma roupa de látex ou borracha vermelha com manchas brancas, perguntou o preço.
_Vinte reais e eu faço tudo. Se você quiser mamar, eu tô com a mamadeira cheia aqui.
Otávio pede que o siga para um canto escuro. "Ela" começa com um boquete. Ele não endurece, não adianta a insistência. Foda-se o mundo.
_Deixa quieto. Esquece, porra! - Diz empurrando a cabeça dela. - Eu nem tenho grana de qualquer jeito. Otávio sente uma forte dor no saco e logo desmaia. Só que o mundo é que te fode.
Abre lentamente os olhos, sua primeira ação é passar a mão por toda a extensão de seu pênis e saco. Tudo ali. Senta-se e observa a praça ao seu redor, crianças caminhando com suas mães por entre os mendigos em cima de papelões na grama.
Quem era aquela garota?
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Nosso momento de reflexão de hoje com Miguel Weber foi: Alguém pode amar duas pessoas ao mesmo tempo? Inscreva-se no canal e ative as notificações de novos vídeos. https://www.youtube.com ... Ultimamente tem pensado em duas pessoas ao mesmo tempo? Descubra aqui, se é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. Veja como solucionar esse drama Fonte:... - Enumerar 10 bênçãos diárias escrevendo em seu caderno de gratidão diário - hoje pode ser agradecendo as pessoas que passaram por sua vida e te ajudaram. - Escolher 3 pessoas para realizar ... As pessoas não querem ouvir a sua opinião, querem ouvir a opinião delas saído da sua boca É muito confortável encontrar pessoas com quem temos sintonia, pessoas com os mesmos valores, ideias ... Alguém pode amar duas pessoas ao mesmo tempo - Duration: 5 minutes, 24 seconds. DicasFree.com. ... Alguém pode ser preso por dívida - Duration: 5 minutes, 36 seconds. DicasFree.com. Minha avó costumava dizer que no começo tudo são flores. E é assim mesmo no início de todo relacionamento, seja entre duas pessoas, seja no seu relacionamento com Deus. E Pedro era essa cara ... Estar dividido entre o amor de duas pessoas é um dilema comum e que pode acontecer com qualquer pessoa. ... ser preenchida por um novo alguém. Pode ser que esse novo alguém te olhe de um jeito ...