Ama-me citar

21/07/2020 O maior erro que já cometi.

2020.07.23 03:55 rain21-07 21/07/2020 O maior erro que já cometi.

Olá,eu não entendo como o Reddit funciona direito e nem sei se um dia esse texto vai chegar a Thaynnara Ramalho,ela gosta muito de ver coisas no reddit,então as chances são de 30% pra 70%,mas enfim.
Eu sou só mais uma pessoa que vai contar como eu terminei o meu namoro,e como estou me sentindo sabendo que perdi alguém que me ama (amou) e que se doou 100% no relacionamento. Serei um pouco demorado,então tenham um pouco de paciência,é algo muito pessoal e muito doloroso,já que foi recente,tipo ontem...

Então antes dos afins,quero deixar bem claro que a minha decisão foi só minha,que eu tomei ela por conta própria e que a culpa do termino não foi por erros que cometemos ou algum erro que cometi e decidi me separar,eu só não queria que fosse tão doido,tanto pra mim quanto pra ela,mas infelizmente não existe termino saudável,doí e doí muito,você se pergunta se fez a escolha certa,e pensa e repensa em voltar rastejando,exatamente como eu estou me sentindo agora. deixando isso explicado e resolvido,vou me declarar e me expor,mostrando que eu tenho consciência que atitudes minhas foram toxicas,tanto pra mim quanto pra ela.

Eu conheci a Thaynnara pouco tempo depois da minha ex (não vou citar nome,então vamos chamá-la de "ST") terminar comigo pela 3° vez e ultima vez(teve uma recaída uma semana antes de eu pedir a Thaynnara em namoro) eu errei muito,pequei muito nesse relacionamento com a "ST",inclusive o que fez o nosso relacionamento ir por água a baixo foi eu ter gasto um dinheiro do cartão da tia dela e não ter contado(eu gastei 20 reais e paguei 60 reais,porquê ela passou a perna tbm) mas continuando... foram muitas intrigas,brigas e até agressões físicas por parte dela,isso me destruiu,eu fiquei chorando a semana toda depois que terminamos,eu aprendi muitas coisas com ela,porém disso tudo eu acabei levando magoas,amarguras e desconfiança,sem contar que eu já não me abria sentimentalmente,então me fechei totalmente pro mundo.
Então quando eu conheci a Thaynnara eu não tinha a intenção de ficar com ela,muito menos entrar em outro relacionamento,nesse dia já dito acima,os meus amigos e Paulo Silva(que nem gente é!) incentivaram-me a ficar com as meninas que estavam ali,eu fiquei com três meninas,e uma delas era a Thaynnara. Logo após o acontecido eu mantive contato com ela e com a amiga dela(vamos chamar de "BETA"porém "Beta" na época não tinha se assumido homossexual,e como eu tinha mais apreço pela thaynnara mantive mas contato com ela e marcamos de ir pra outra festa,demorou algumas festas,vários drinques e um video ridículo meu,que eu fiz pra dar de presente,até que um dia rolou,(bem.... quase rolou,eu fiquei nervoso e não subiu)mas sei lá,ela entendeu e a gente ficou pelado um na frente do outro fofocando,rindo e falando mal dos outros,ali... naquele dia,se estabeleceu uma conexão,eu sabia que gostava dela,mas não queria estar em um relacionamento,contudo no geral já estava se encaminhando pra isso,eu levei ela pra minha casa,apresentei ela a minha mãe,e quando ela dormia aqui,a gente ficava deitados apertadinho na minha cama de solteiro,e eu olhava pra ela e sabia que tudo aquilo se encaminhava pra algo maior.(obs: isso me faz sentir muita falta dela,eu estou em lagrimas e parece que o vazio tomou tudo)

E finalmente eu decidi pedir ela em namoro,eu me via sozinho e incompleto quando eu estava sem ela,mas ainda com pé atrás de me meter em uma furada e pensando também nela,já que eu não queria ferir os sentimentos dela,então a "ST" me liga,uma semana antes da minha decisão com a Thaynnara,me chamando pra ir na casa dela "conversar" transamos e ela queria voltar,porém eu só fui porque já sabia que íamos acabar transando e ela também,saí da casa dela chutado,e nunca mais ela entrou em contato.passando a semana eu já tinha me decidido,não era carência,não era necessidade de preencher algo que perdi ou algo superficial, era AMOR,eu realmente amei ela,e esse foi o meu único acerto nesse relacionamento com a Thaynnara.
Eu não vou estender essa estória do meu racionamento parte por parte,fase por fase,então nos parágrafos há baixo vai ser um resumão dessa semana do dia 20/07/2020 á 22/07/2020.

(é vamos pro final de tudo.)
Não teve briga,não teve mentiras,não teve absolutamente nada que me fizesse terminar o meu namoro,nenhum dos problemas anteriores meus e dela fizeram eu tomar essa decisão,eu menti pra ela algumas dezenas de vezes,é isso não é culpa dela,foi falta de caráter meu,(não pontuarei pontos dela,pois ela não está aqui pra se defender) no dia 19/07/2020 foi um dia comum,assistimos filmes,rirmos,comemos bolo de caneca,rirmos mais e assistimos mais filmes,no dia seguinte eu voltei pra casa e abri a lanchonete,até normal,entrei em contato com,a gente conversou, e tava tudo ok,(eu sei que cometi o maior erro da minha vida em questão de relacionamento mais ok,não irei superar.) no dia 21 já à noite,eu mandei mensagem no wpp pra ela falando que queria terminar,fui no menssenge dela e mandei a mesma coisa,logo em seguida ela me ligou,e tudo aconteceu,ela achou que eu estava brincando,que era uma pegadinha,mas não era real,eu fui um babaca quanto a isso,na verdade eu fui um completo babaca quanto a tudo,eu simplesmente disse que queria terminar e que não tinha qualquer motivo além do meu querer, e isso fez com que hoje,exatamente agora ,eu me arrependesse de ter feito isso,porém eu não vou voltar atrás e pedir perdão,não porquê eu sou cabeça dura,mas porque ela vai ficar bem melhor sem mim,e se eu fazer isso só vai balar mais o psicológico dela,o emocional dela e deixá-la mais confusa do que já esta.

EU COMETI O MAIR ERRO DA MINHA VIDA,DEIXEI IR EMBORA A PESSOA QUE ME APOIAVA,INCENTIVAVA,QUE ME AMAVA 100% E QUE FARIA TUDO PRA ME FAZER FELIZ,PERDÃO THAYNNARA,EU FALHEI COM VOCÊ,EU GASTEI O SEU TEMPO E OS SEUS ESFORÇOS E ISSO ME DESTRÓI PORQUE TE AGRIDE DIRETAMENTE. ME PERDOE POR ISSO,EU SOU UM LIXO E VOCÊ MERECE MAIS!
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2020.07.04 03:49 ___masami____ tá tudo uma bosta. salve rapazeada

eu tô com MUITO MEDO do meu namoro acabar :)
é coisa demais pra resumir
mas meu namorado anda tendo problemas bem complicados em fazer os próprios hobbies e passatempos sozinho (desde jogar com os amigos, o que ele ama, até simplesmente deitar e ver vídeos)
isso porque meses atrás, durante um bom tempo, eu acabei tendo problemas sérios de insegurança por traumas passados e sempre ficava mal quando ele fazia coisas separado de mim por muito tempo
eu melhorei e hoje não só não me importo como incentivo ele a fazer as próprias coisas
mas ele infelizmente desenvolveu um trauma
e há algumas semanas ele não consegue mas se dedicar aos jogos dele (adição: jogar já salvou ele de uma depressão profunda e é a paixão dele há 10 anos)
ele tem um transtorno de personalidade que faz com que ele tenha "facetas" pra cada tipo de pessoa (não que ele deixe de ser ele, mas o jeito de agir e como ele se permite sentir as coisas muda)
uma delas é a que ele usa com os melhores amigos nos jogos, a mais feliz e exagerada
comigo ele sempre conseguia ser só ele mesmo, sem nenhuma das facetas
mas ele desabafou agora a pouco e disse que não quer mais ser ele mesmo, porque ser ele tá sendo difícil e chato, quase insuportável
ele quer ser o "outro" ele, o *** (tem um nome, mas não irei citar) porque todo mundo ama ele e ele só se diverte
nós não andamos conversando muito porque ele sempre só fala que quer jogar ou que está frustrado por não conseguir se concentrar nos jogos (eu meio que sei que é minha culpa, mesmo que ele sempre negue)
enfim
só queria falar sobre pra alguém
e aqui tem uma galera
é isto
bebam água guys
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2020.05.28 13:49 crai_beibi Eu SoU MãE De FaMíLia

Olá luba meu yt preferido, gatas, tuxo, matheus, luiz, porta, quarto, led, almas do além, djabo, anjos, bunda de crossfit do luba, universo que me "ama" e possível convidado
Eu sou uma menina anormal em uma cidade normal que tem uma escola normal e uma professora praticamente mãe solteira casada (confuso neh?)
Isso foi esse ano quando a tia estava corrigindo algumas redações então a gente podia ficar de papo
Como eu n tinha ninguém mto próximo fui andar pela sala até que eu escutei a tia gritando: que PORRA é essa?
Eu ainda n tinha descoberto q ela era o pão amassado pelo djabo mas ok ʕ ꈍᴥꈍʔ
Eu fiquei meio paralisada pq minha escola é aquela escola de riquinho q n fala palavrão e falei: tia vc falando uma coisa dessa? (Nota: ela nem sabe o q eu "pensei" que ela tinha falado, e algumas pessoas da sala arregalaram os olhos então eles escutaram)
A tia ficou ofendida p kcta e ficou repetindo: Eu sou mãe de família eu nunca falaria isso ok? *Chama mestra do 6° ano (siim tenho 11 anos)" tia Tati (pode colocar pq é apelido e n nome) faz alguma coisa chama o pai dessa menina pq eu sou mãe de família e n falo esse tipo de coisa
Fui pra sala da mestra que quase me deu uma suspensão (tia tati puxa saco feladamae) e quando acabou o sermão e etc fui pra aula de educação física (estávamos jogando queimada/baleado) Então conheci as 3 partes da turma: os que escutaram e acharam q eu tinha razão, os que não escutaram e n acreditaram em mim e os que não escutaram e acharam q eu tinha razão
Nota que eu tinha esquecido de citar: minha amiga de infância viu a tia rindo de mim no corredor o q significa que a tia é uma cobra
Foi isso luba maravilhoso espero que leia
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2020.05.16 18:06 epilef_backwards Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).

Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).
Ninguém sabe o que o futuro reserva. É por isso que as possibilidades são infinitas.
É clicando com o botão direito e, imediatamente após, selecionando a opção de loop na OST "Christina I", belíssima instrumental composta pelo gênio do piano Abo Takeshi, que, em meio às lágrimas que rapidamente me vêm aos olhos ao relembrar do episódio 22, inicio a escrita da análise desse show. Devo avisar, de antemão, que Steins;Gate, animação que adapta a visual novel de mesmo nome, dirigido por Takuya Satō , não é um anime para qualquer um. Como bem dito por Thalius, ser para todos não significa ser para qualquer um. Essa citação, em particular, uma das minhas preferidas, cabe à animação não porque ela trata de assuntos supostamente incrivelmente complexos como o tempo, mas, sim, porque ela apresenta diversas camadas e níveis de entretenimento. É, sim, possível se entreter apenas com a camada mais superficial, aquela que apresenta uma história sci-fi sobre viagem no tempo, no entanto, o aproveitamento da mensagem real do anime só é despertado quando você adentra às profundezas de Steins;Gate. Para iniciar, é bem verdade que a presença de temas profundos e, mesmo, desconhecidos pela ciência atual pode parecer um tanto quanto amedrontador e até desencorajador, principalmente para aqueles que não estão acostumados com termos científicos ou não se interessam tanto pelas ciências "exatas". Felizmente, temos o primeiro acerto de Steins;Gate nesse ponto, e o início das características que o diferem de qualquer outro anime existente, pois o anime se prende apenas na intensidade necessária aos conceitos e explanações que supostamente deveriam ser complexas. Isso é inteligente por parte dos roteiristas, pois são apresentados, sim, momentos explanatórios sobre uma máquina que eles irão construir, sobre os conceitos utilizados nessa máquina ou, mesmo, sobre o funcionamento de certos princípios essenciais para o nosso entendimento;contudo, o anime nunca faz isso parecer monótono ou mais complicado do que é. Muito pelo contrário: Steins;Gate faz um trabalho excepcional em explicar os conceitos necessários à trama de maneira simples e compacta, sem necessidade de longos diálogos e/ou complicações extraordinários só para "cultizar" os personagens que realizam a explicação (sim, Sword Art Online: Alicization, eu estou olhando para você neste exato momento; para você e, principalmente, para a explicação longínqua, monótona e confusa sobre o funcionamento do mundo de realidade virtual apresentado na temporada). Desse modo, Steins;Gate consegue estabelecer rapidamente os conceitos principais que regem o show sem fazer parece-los bichos de sete cabeças, o que poderia, e, provavelmente, iria, afastar muitos indivíduos.
Outra qualidade louvável, ainda no mesmo plano da última, é a capacidade da animação em flutuar em um tema complexo como viagem no tempo e não apresentar furos no roteiro que embaralham a trama, fazendo que ela fique confusa e desconexa. Ao meus eu jamais tinha encontrado uma animação sobre viagens no tempo que não apresentasse sequer um furo de roteiro quando se trata de diversas linhas temporais. E exemplos contrários não faltam, incluindo o mundo fora das animações japoneses (a série The Flash, por exemplo, apresenta um roteiro fraco e repetitivo, no entanto, o que faz da experiência muito desagradável são os constantes furos criados pelo excesso de personagens indo e vindo em linhas do tempo que aparentemente são infinitas, porém, insuficientes para o roteiro, o qual usa e abusa em todos os níveis desse artifício do gênero). Isso é muito importante na consistência e no envolvimento com a obra, pois, assim que sabemos que o roteiro utiliza a viagem no tempo mais como artifício barato para resolver qualquer problema que apareça para ele, nosso senso de importância e de gravidade é drasticamente reduzido, uma vez que sabemos que, assim que o roteiro precisar, é só aparecer um personagem onisciente do futuro que irá resolver os problemas. Uma outra possibilidade de furo de roteiro causada pelo fator viagem no tempo é essa aparente onipresença de personagens que a utilizam. Em fato, talvez esse seja o maior problema nas histórias de viagem no tempo: personagens aparecem do nada e, bem como apareceram, começam a contar absolutamente tudo que irá acontecer, o que incluí detalhes impossíveis de serem lembrados. Tás posto um exemplo de ilustração: personagem A volta à linha do tempo que irá acontecer X evento de maneira a impedir aquele evento (lembrem-se, portanto, que é a primeira vez dela ali, o que significa que ela apenas tem noção de um PANORAMA sobre o futuro) e, de modo a confirmar que veio do futuro, diz que um copo de vidro irá ser derrubado e quebrado em exatos 5 segundos. Após os 5 segundos, bem como previsto por A, o copo é derrubado e, consequentemente, quebra ao tocar o chão. A pergunta mais simples e impossível de ser respondida é: como ela sabia do copo? Por acaso vir do futuro entrega à personagem conhecimento absoluto do que aconteceu antes? Sem contar que, em muitos casos, A sequer EXISTIA no momento que essa cena acontece, o que torna IMPOSSÍVEL o conhecimento do evento em questão. Esse truque é constantemente utilizado na parte da "solução do futuro distópico" e, por si só, não apresenta grande problema, o problema se instaura quando esse artifício compõe 90% das formas como a trama se resolve, pois fica clara a inabilidade do roteirista em utilizar sua criatividade e capacidade de escrever uma história no que tange à solução de problemáticas. Em suma, o problema não é haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática, o problema é só haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática. Quanto a isso, Steins;Gate dá uma aula de como resolver essa "intrincada do viajante do tempo", utilizando-se de uma série de artifícios narrativos para desviar o excessivo uso do já citado viajante. Em primeiro lugar, existem apenas dois personagens que possuem um conhecimento "sobrenatural": o protagonista, Okabe, e John Titor, aqui na pele de Suzuha, uma das personagens secundárias do show. Isso implica diretamente em dois fatores que devem ser de extrema atenção: existem menos personagens para furar o roteiro, uma vez que, quanto mais personagens transitam pelas linhas, mais fácil é do roteiro se perder em meio a tanta informação e o roteiro precisará de outras maneiras para resolver problemas, já que como se não fosse absurdo suficiente 20 personagens sabendo sobre linhas resolverem misticamente qualquer problema da trama, mais absurdo, ainda, é imaginar que apenas 2 o farão. Desse modo, Steins;Gate decide traçar um caminho que, embora seja mais complexo de ser realizado, pode entregar um resultado excepcional no final da obra. E felizmente é isso que acontece. Diferentemente das demais obras de viagem temporal, Steins;Gate apresenta um roteiro muito apurado e astuto, uma vez que ele se utiliza de personagens que já conhecemos como aqueles que irão, em um futuro, ter sapiência sobre tais viagens. Isso significa que os personagens que irão "dominar" o tempo já estão na trama, só precisamos dar tempo a eles para eles o dominarem. Em outras palavras: em teoria, temos somente dois personagens que sabem sobre viagens e máquinas do tempo e outras linhas temporais, no entanto, ao longo da própria história daquela linha do tempo, outros personagens também terão esses conhecimentos. Esse truque fica explícito na cena em que Daru reconstrói a máquina do tempo. Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que ali se alocava um furo de roteiro, uma vez que, mesmo ele sendo colocado com um grande conhecedor de máquinas, programação e mecânica no geral, é surreal alguém construir um objeto que será criado anos a frente. Contudo, assim que imaginamos a pensar isso, recebemos a informação que o Daru será o construtor da máquina, o que significa que há parte do "DNA" dele nela, ou seja, a maneira de pensar dele, de montar máquinas própria do personagem, o que explica como ele conseguiu consertá-la. Outra "esperteza" do roteiro é criar um porto seguro, ou seja, aquele personagem que, independente da linha temporal, irá conseguir entender o que o viajante do tempo fala. Eu normalmente não gosto desse artifício, uma vez que ele é usado de maneira porca na maioria dos casos, pois, geralmente, não há nenhuma explicação lógica para aquela personagem em específica acreditar no viajante do tempo. No entanto, Steins;Gate não é a maioria dos casos. Aqui, temos a personagem Kurisu como sendo o porto seguro do personagem principal ao longo da sua caminha de construção e desconstrução da linha temporal. E tinha que ser ela, justamente porque ela é quem apresenta o conhecimento "bruto" sobre tais assuntos, ela é quem desenvolveu a máquina de saltos temporais. Ou seja, a escolha do roteiro foi exata e faz que não duvidemos da autenticidade do fato dela aceitar e entender o que o Okabe fala sempre que ele salta de uma linha para outra.
Saindo puramente dos aspecto envolvendo viagens e saltos temporais, o anime mostra novamente como possuir um roteiro sólido é uma das bases para a construção de uma obra-prima. Percebam como nada acontece em apenas um plano em Steins;Gate. Utilizando os dois exemplos citados no parágrafo acima, enquanto o roteiro anula a possibilidade de haver incongruências temporais ao trazer à tona que Daru foi o construtor da linha do tempo, ele cria um dos muitos plot twists da série; enquanto o roteiro utiliza Kurisu como o porto seguro do próprio roteiro para servir como alguém que aceita e ajuda o protagonista após o salto, ele insere os momentos mais profundos de desenvolvimento do casal e da sua relação, bem como aproxima ambos os personagens dos espectadores ao gerar um senso de humanidade e sentimentalidade nos dois. Sempre que pensamos que estamos encarando uma camada do show, seja um plot twist ou outro artifício do roteiro, temos, ao menos, mais uma outra camada acontecendo ao mesmo tempo. Desse modo, nada em Steins;Gate é único, gratuito, não existem cenas por conta própria, todas elas servem aos plots da animação mesmo que em camadas mais escondidas dos espectadores. Um exemplo claro são os D-mails: enquanto eles claramente servem como preparação para o plot da metade do anime, por trás deles temos a ideia de o quanto enviar uma simples mensagem pode alterar com a vida de milhares e, por que não, bilhares de pessoas. Um simples D-mail alterou por completo o bairro de Akihabara. Um simples D-mail alterou o sexo de uma das personagens, causou uma confusão gigantesca envolvendo outra personagem, o suicídio de outra. E o principal: a imprevisibilidade do tempo. Nem nós, nem os envolvidos nas mensagens e nem mesmo Okabe e Suzuha sabiam o que iria acontecer a princípio. Essas camadas são de extrema importância para um bom desenvolvimento a trama, uma vez que 24 episódios, mesmo parecendo uma quantidade considerável, é pouco tempo para uma história, ainda mais se tratando de animes (os quais os episódios tendem a durar entre 22 e 24 minutos com aproximadamente 19~20 minutos de animação propriamente dita, já que deve haver espaço para a opening e ending). Um dos truques de mestre do roteiro de Steins;Gate é apresentar várias coisas ao mesmo tempo: enquanto há um plot, temos desenvolvimento da trama, dos personagens, explanação sobre temas complexos de maneira surpreendentemente acessível (alô, Thiago!) e uma mensagem sendo passada por trás daquilo.
Ainda no roteiro, é chegada a hora de falar sobre o que, ao menos para mim, separa completamente Steins;Gate dos demais animes que eu assisti, sim, de todos, é chegada a hora de falar sobre os personagens. Ou melhor, sobre o desenvolvimento dos personagens. É muito raro, em animes, haver um real desenvolvimento de personagem, ou seja, um arco completo de desenvolvimento. O que acontece em animes que levam com mais seriedade o ato de escrever uma história, realidade que, infelizmente, não é a da maioria dos animes, é um "pseudodesenvolvimento", o que significa que, ao invés de ser apresentado um arco completo, é apresentado um meio arco ou um arco de "tamanho" correlato. Ou seja, nos é dado certo desenvolvimento do personagem, porém, tal desenvolvimento é limitado em demasia e, em alguns casos, é dotado de uma única utilidade na trama: não deixa o personagem, normalmente o principal, planificado, sem sentimentos, sem evolução. Isso porque tal evolução é o que humaniza o personagem, é o que nos faz sentir algo por ele, sentir suas dores e suas conquistas, pois criamos empatia por ele. E em Steins;Gate temos o que eu considero como sendo um dos melhores arcos de desenvolvimento de personagens do mundo dos animes. Antes de chegar nele, devo falar sobre os personagens em si.
A obra apresenta relativamente poucos personagens, estando esses relacionados de alguma forma com o laboratório, seja porque são um dos membros ou porque é quem aluga o laboratório para Okabe e seu grupo, o que possibilita a criação de uma identidade para cada um deles: os personagens de Steins;Gate, mesmo os secundários, são quase que exclusivos da obra. Mesmo muitos seguindo alguns estereótipos, eles sempre apresentam algo para nos lembrarmos de que eles são humanos e cada um apresenta sua própria personalidade. Isso, em si, já se caracteriza como uma característica importante no desenvolvimento de um anime de qualidade: é sempre bom termos bons personagens ao nosso lado durante a caminhada que nos será contada. Contudo, apenas bons personagens não fazem uma trama. É necessário haver o desenvolvimento deles, uma vez que é importante demonstrar que o que aconteceu na estória afetou eles de algum modo, afinal de contas, se não afetou meros personagens criados por outros humanos, quem dirá um humano. E, novamente, Steins;Gate acerta em cheio. Com momentos pequenos que demonstram o estado emocional dos personagens (falo de olhares, maneirismos criados ou deixados de lado, estado corporal, postura, etc) e de explanações necessárias sobre como personagens está se sentindo ou sobre como ele mudou após certo acontecimento, Steins;Gate desenvolve os seus personagens por meio de outros acontecimentos da trama(lembram do "sempre há mais de uma camada?" então...). Além de compactar a trama, os momentos de twists e plots são de extrema importância em um show porque é ali onde deve haver um impacto maior nas personagens e em nós espectadores, e Steins;Gate não deixa devendo em absolutamente nada quando falamos de plots e twists de uma estória. É inacreditável a capacidade do roteirista de subverter possíveis convenções do gênero em momentos tocantes, emotivos e importantes para a trama. É ao subverter as nossas expectativas após termos contato com tantas obras mal feitas sobre viagem no tempo que o roteiro encontra o elo entre as diversas partes da trama da animação; em outras palavras, é quando achamos que sabemos o que está acontecendo que o roteiro nos pega desprevenidos, é quando achamos que a situação não pode ficar pior que ela, de alguma maneira, consegue realizar esse feito. Inclusive, Steins;Gate apresenta algo único, ao menos eu nunca assisti uma obra com tal característica, ao realizar um dos maiores plots da série com algo que já tínhamos conhecimento. É o já conhecido, e muito bem utilizado nas melhores obras de todos os tempos do cinema, "nossa, como eu pude não perceber isso". Estou falando do momento em que o Okabe percebe que, ao decidir voltar à linha beta, ele também fez uma outra decisão: sacrificar Makise Kurisu. Um dos raros momentos nos animes que me dão arrepios ao lembrar dele. Mesmo já sendo algo que você sabe, afinal de contas ela morre naquela linha temporal no primeiro episódio, o anime faz questão de nunca mais tocar no assunto, de esconder tal fato, a fim de, no momento em que imaginamos estar tudo certo, nos pegar com os rabos entre as pernas. Absolutamente genial. São poucos os pontos que eu sequer cheguei a cogitar um erro quando se trata do roteiro de Steins;Gate.
E não bastando os inacreditáveis plots da série, temos um arco de desenvolvimento duplo que ocorre concomitantemente à evolução da trama e à preparação de outros plots (novamente, nunca é apenas uma camada): o arco do Okabe. Eu poderia resumir ele a algo como "assista por conta própria e experimente o que é a evolução real de um personagem", porém, estaria sendo injusto comigo mesmo, porque o fator que mais me motivou a escrever essa crítica foi esse arco. No início do anime nos é apresentado um estranho e peculiar cientistita japonês nomeado de Okabe Rintarou, o qual possuí um também estranho e peculiar laboratório composto por outos dois membros: Daru, conhecido como "super hackar", e Mayuri, uma gentil e inocente amiga de infânce de Okabe. No laboratório, eles testam equipamentos supostamente tecnologicamente avançados. Embora seja um local mais parecido com um mini-apartamento que foi utilizado por 20 anos como oficina e não com um laboratório, Daru e Okabe são extremamente inteligentes e realmente projetam e criam alguns objetos interessantes (enquanto Mayuri fica ao fundo compensando a aura nerd em demasia dos dois). Ao ser apresentado, Okabe apresenta diversos maneirismos e atitudes únicas do personagem, fatores que já estabelecem uma relação direta com o personagem: tudo aquilo que é novo é intrigante, e, se é intrigante o suficiente, por que não tentar entendê-lo? É apartir dessa ideia de peculiaridade do personagem que nos gradualmente, ao decorrer dos primeiros 11 episódios, aprendemos a gostar do personagem, a reconhecer tais pecualirades não apenas como esquizitices do personagem, mas sim como traços que componhem a sua personalidade animada, radiante e até despojada, mesmo ficando claro que ele não é o melhor cara do mundo quando se trata de relações interpessoais. No entanto, nunca é passada aquela ideia de pessoa isolada, que nega os demais em prol de uma ideia maluca da sua cabeça (a qual é muito presenta em cientistas malucos; geralmente, o personagem é um completo babaca), o que nos conecta de vez com o personagem. No entanto, tudo muda quando os efeitos dos D-mails começam a aparecer, tudo muda quando ele precisa a largar o seu estilo despreocupado com o mundo e começar a tomar decisões que vão alterar a sua vida e a vida de todos aqueles que ele ama. Inclusive as duas que ele mais ama. Mayuri e Kurisu são personagens chaves na história à medida que são elas, ou fatos que acontecem com elas, que guiam as tomadas de decisão de Okabe: ora a morte da Mayuri faz que Okabe decida ir de volta à linha Beta, ora Kurisu o faz entender de outra maneira a situação e o ajuda a superar os desafios dessa árdua caminhada. É ao longo dela, portanto, que temos o desenvolvimento desses dois como um casal e como figuras isoladas com um aumento considerado do "screen time" de ambos juntos, o que demonstra a inteção do roteiro em enfatizar eles como um casal. Mas lembram-se do que eu disse antes? Nunca é apenas uma camada. Não somente temos a intenção do casal pelo simples fato de ambos parecerem, e, quem sabe, serem feitos um para o outro, mas sim porque é desse desenvolvimento que o anime prepara o choque que tanto Okabe como nós iremos sentir: o da decisão entre quem irá viver e quem irá morrer. Vejam como aquelas ideias colocadas anteriormente sobre o porto seguro se conectam diretamente ao que acabara de ser exposta: é Kurisu quem serve de porto seguro, para a trama e para Okabe. É ela quem o ajuda nos momentos mais desesperadores, quem sorri para ele quando o mesmo só consegue ver uma linha que leva a um final desastroso. É, portanto, do desenvolvimento de um simples casal que o roteiro retira um rico arco de um dos personagens. Aliás, cito o romance dele com a Kurisu como o principal pois de fato ele o é, porém, cada personagem em específico da obra serve de desenvolvimento para o Okabe e cada linha temporal que ele volta ou avança apresenta uma direta alteração nele. Percebam como o anime dedicou um episódio inteiro apenas para ele e Ruka poderem ter seus conflitos e suas sub-tramas resolvidas. Nada é deixado para trás em Steins;Gate, bem como nada é de graça. Percebam como outro episódio é dedicado à explanação sobre a realidade da Moeka e sobre como ela foi induzida a realizar o ato que desencadeou toda a jornada de Okabe. As pontas das linhas da animação sempre se encontram devidamente amarradas.
No entanto, para completar o arco do personagem e separar, de uma vez por todas, Steins;Gate dos demais animes, temos a mensagem principal do anime. Percebam que eu sequer toquei nela ao longo da escrita, e isso se dá justamente porque o anime contém diversas mensagens, cada uma em sua devida camada de entretenimento. No entanto, foi após terminar o episódio 24, sentar e pensar um tanto sobre a obra que eu consegui enxergar o que o autor realmente quis passar para quem assiste a animação: muito mais do que uma obra sobre o tempo, sobre pulos, viagens e temáticas temporais, sobre um casal destinado a ficar junto, sobre como os humanos não devem brincar com o tempo achando que não haverão consequências futuras, Steins;Gate é sobre memórias. Não somente memórias, mas como essas memórias podem afetar uma pessoa. Como essas memórias moldam que nós, humanos, somos, como essas memórias são uma dádiva e uma maldição: esquecer elas pode ser doloroso, porém viver com elas pode ser tão doloroso quanto. Todos esses pontos convergem no que, para mim, foi o melhor momento do show: o episódio 22. Foi um dos únicos três momentos dentre os que eu já experimentei assistindo animes em que o pranto foi inevitável. Porque não somente é o ápice perfeito para um casal perfeito, não somente é um momento que todos pensávamos até então, não somente é um turbilhão de emoções: é sobre como esses momentos mágicos e líricos podem ser, em fato, um laço à realidade que vivemos que terá de ser partido de maneira dolorosa e melancólica. A dor de conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma e ela sequer saber direito quem você é. A dor de ter que guardar as memórias vividas. A dor de ter que lidar com memórias que, como o nome sugere, são, agora, apenas memórias. Como bem dito por Kurisu, a Teoria da Relatividade é muito romântica. Mas muito triste.
Nada do que foi colocado seria tão efetivo se não tivéssemos uma brilhante trilha sonora de fundo. Em específico, devo citar a música que coloquei no início do texto. Essa é a OST que aparece no episódio 22, e justamente por ser o episódio mais emotivo e doloroso da série, essa OST carrega consigo um peso, uma clara dor, uma clara sensação de algo que ficou no passado. Ou melhor, em outra linha temporal. Algo que você amou e se agarrou com todas as forças, porém o destino inevitavelmente fez você perdê-lo. No geral, Steins;Gate tem muitas das melhores OSTs das animações, sempre cumprindo com o papel de reforçar o mood da situação.
Em suma, Steins;Gate é uma animação única pois consegue fazer muito bem tudo aquilo que se propõe a fazer: apresenta personagens incríveis e únicos, plots e twists de levar você do céu a terra em questão de segundos (os quais vão completamente te hipnotizar e forçá-lo a terminar o show sem pausas), arcos emocionais, principalmente o de Okabe, ímpares e cumpre a difícil missão de apelar o mínimo possível às convenções de obras do tipo. Se pudesse resumir o anime em uma palavra seria a palavra "único", pois diversas das características citadas não se encontram em outros animes ou, caso se encontrem, são minimizadas pela pressa do roteiro em querer demonstrar logo os plots da série. Não posso deixar de falar, antes de terminar o texto, sobre o passo do anime. Mesmo muitos criticando a primeira metade, ela, para mim, é o exemplo perfeito de como uma história deve ser feita. Sem pressa, demonstrando os personagens e dando a eles peso, importância, expressão, unicidade e humanidade. Steins;Gate é uma obra-prima do início ao fim e mesmo que possa apresentar algumas peças que, por se tratar de uma animação relativamente curta (lembremos que outras animações que fizeram algo parecido com Steins;Gate tiveram 40~50 para tal), podem faltar, as peças que se encontram montando o quebra-cabeça compensam completamente as que podem faltar. É como olhar uma Pixel Art a distância: um ou outro bloquinho faltando não retira a primazia do todo.
Minha nota perfeita é muito mais sobre como o anime me impactou do que seu número de acertos e erros, e é por isso que Steins;Gate segue sendo uma das quatro notas 10 na minha lista e meu terceiro anime preferido. Estonteante, imprevisível e apaixonante, certamente é um anime que te fará pensar sobre conceitos complexos, como viagens e saltos temporais, e, ao mesmo tempo, conceitos completamente humanos, como perda, memórias e escolhas.
Se tivesse acesso a uma máquina do tempo, buscaria alguma linha temporal em que o meu eu não se apaixonou completamente por Steins;Gate, porém, devo concordar com Okabe sobre como tudo parece convergir para um inevitável fim.
Escrita ao longo dos dias 14, 15 e 16 de maio de 2020, 16 anos antes da Terceira Grande Guerra.
Um dos poucos momentos na história da animação em que a perfeição foi alcançada. O final do episódio 24, junto com o episódio 22, são os melhores momentos que eu tive ao assistir uma animação japonesa ao longo das centenas assistidas.
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2020.04.12 04:33 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 7

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

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Sinais e Portentos

Uma das habilidades mais impressionantes doeGRRM como escritor, em minha opnião, é sua capacidade de ocultar prenúncios [foreshadows] em cenas aparentemente irrelevantes a serem revisitadas pelo leitor, que maravilhará com elas. Por exemplo:
Quando Podrick quis saber o nome da estalagem onde esperavam passar a noite, Septão Meribald apegou-se avidamente à pergunta [...].
– Alguns a chamam Velha Estalagem. Ali existe uma estalagem há muitas centenas de anos, embora esta só tenha sido construída durante o reinado do primeiro Jaehaerys […].
Mais tarde, passou para um cavaleiro aleijado chamado Jon Comprido Heddle, que se dedicou a trabalhar o ferro quando ficou idoso demais para combater. Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. [...]
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick qui saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem. O estalajadeiro não voltou a pendurar outro sinal, e os homens esqueceram-se do dragão.
(AFFC, Brienne VII)
Aqui está a essência da teoria de que Aegriff é um pretendente de Blackfyre explicada por meio de brasões. O dragão negro retornando a Westeros via mar disfarçado de vermelho. Existem inúmeros pequenas recompensa nos livros para os fãs desenterrarem e, geralmente, quanto mais importante é a história, mais difusas são as dicas. R + L = J é provavelmente o atual campeão disso, com alusões a ela freqüentemente despontando em diálogos casuais sobre Jon ou envolvendo-o. Como por exemplo, esta conversa de quando ele soltar Val na Floresta Assombrada para encontrar Tormund:
[Jon:] Você voltará. Pelo menino, se não por outra razão. [...]
[Val:] Assegure-se de que esteja protegido e aquecido. Pelo bem da mãe dele, e pelo meu. E o mantenha longe da mulher vermelha. Ela sabe quem ele é. Ela vê coisas nas chamas.
Arya, ele pensou, esperando que fosse assim.
– Cinzas e brasas.
– Reis e dragões.
Dragões novamente. Por um momento, Jon quase os viu também, serpenteando na noite, suas sombras escuras delineadas contra um mar de chamas.
(ADWD, Jon VIII)
Muito irônico que, mais cedo, em seu próprio capítulo, Melisandre olhe para as chamas e veja Jon, como ela faz há algum tempo. Jon, que é é rei e dragão (se R+L=J for verdade).
Portanto, a questão agora é se o GRRM deixou pistas que levem à Grande Conspiração Nortenha.
Mais homens de neve haviam sido erguidos no pátio quando Theon Greyjoy voltou. Para comandar as sentinelas de neve nas muralhas, os escudeiros haviam erigido uma dúzia de senhores de neve. Um claramente pretendia ser Lorde Manderly; era o homem de neve mais gordo que Theon já vira. O senhor de um braço só podia ser Harwood Stout, a boneca de neve, Barbrey Dustin. E um que estava mais perto da porta com a barba feita de pingentes de gelo devia ser o velho Terror-das-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Que escolha interessante de bonecos de neve para citar e assim chamar à atenção. No mesmo capítulo, especula-se que Manderly, Terror-das-Rameiras, Stout e a Senhora Dustin formam uma espécie de corrente humana para transmitir informações sobre os Starks (a sobrevivência de Bran e Rickon, com certeza) com o fim derradeiro de trazer a Senhora Dustin e os Ryswells para a secreta liga anti-Bolton.
Ainda mais intrigante é o fato de que isso também pode ser lido como um jogo de palavras que sugerem o apoio norte de Jon. Assim como Wylla Manderly proclama sua lealdade aos Starks durante a audiência de seu avô com Davos, dizendo que os Manderlys juravam ser sempre “homens Stark”, se Lord Wyman e seus co-conspiradores decidissem apoiar o decreto de Robb de nomear Jon seu herdeiro, eles seriam "homens de neve" [Snow men].
Outro conjunto de pistas em potencial está na escolha de músicas de Manderly durante a festa do casamento (ADWD, O príncipe de Winterfell). Por que Manderly quer que Abel contemple os Freys com uma música sobre o Rato Cozinheiro já foi discutido, mas qual das outras duas músicas ele pede pelo nome? Os tristes contos de Danny Flint e "A Noite que Terminou".
Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinou, antes de seu nome ter sido varrido da memória dos homens. Foi ali que o Cozinheiro Ratazana serviu ao rei ândalo seu empadão de príncipe e bacon, que as setenta e nove sentinelas mantiveram-se de vigia, que o bravo jovem Danny Flint foi violado e assassinado.
(ASOS, Bran IV)
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[Jon:] Mance alguma vez cantou Bravo Danny Flint?
[Tormund:] Não que eu me lembre. Quem era ele?
– Uma garota que se vestiu de menino para tomar o negro. Sua canção é triste e bonita. O que aconteceu com ela não foi. – Em algumas versões da canção, seu fantasma ainda caminhava pelo Fortenoite.
(ADWD, Jon XII)
Já foi teorizado que o elemento chave da história de Danny Flint que Manderly tem em mente é a farsa por meio de uma identidade falsa. Jeyne Poole é outra garota que finge ser alguém que não é e, embora o faça sob coação, seu destino é tão terrível quanto o de Danny Flint.
Manderly pode ter desvendado a falsa Arya? Como? Na verdade, duas falsas Aryas são analisadas e julgadas não convincentes - primeiro Jeyne por Theon (ADWD, Fedor II), depois Alys Karstark por Jon (ADWD, Jon IX). Theon percebe imediatamente que os olhos de Jeyne são castanhos, não cinza. Jon também verifica o cabelo e a cor dos olhos de Alys, que combinam com os de Arya, mas percebe que ela é velha demais para ser sua irmã mais nova. O mesmo vale para Jeyne, que era a melhor amiga de Sansa e, portanto, provavelmente da mesma idade dela, alguns anos mais velha que Arya. A questão é que o estratagema dos Bolton não é perfeito, e uma pessoa familiarizada com Arya pode identificar as discrepâncias. Existe alguém assim em Winterfell além de Theon?
Os Cerwyns são bons candidatos, em minha opinião. Eles moram a apenas meio dia de viagem de Winterfell (ACOK, Bran II) e pode-se esperar que tenham visitado os Starks com frequência suficiente para observar Arya de perto. O próprio Mance Rayder é outro, tendo supostamente aparecido em Winterfell durante o festim real em A Guerra dos Tronos com o propósito declarado de espiar. Harwin, se ele é realmente o misterioso homem encapuzado que Theon encontra. Outros senhores do Norte talvez também suspeitem, pois se interessariam em Arya pelas perspectivas de seu casamento.
Por fim, “A Noite que Terminou” é aparentemente uma música que comemora a última Longa Noite e a vitória da humanidade sobre os Outros.
Muito mais tarde, depois de todos os doces terem sido servidos e empurrados para baixo com galões de vinho de verão, a comida foi levada e as mesas encostadas às paredes para abrir espaço para a dança. A música tornou-se mais animada, os tambores juntaram-se a ela, e Hother Umber apresentou um enorme corno de guerra encurvado com faixas de prata. Quando o cantor chegou à parte de A Noite que Terminou, em que a Patrulha da Noite avançava ao encontro dos Outros na Batalha da Madrugada, deu um sopro tão forte que fez todos os cães latirem.
(ACOK, Bran III)
Em conjunto, a playlist de Manderly no casamento diz àqueles inteligentes o suficiente para ouvir que ele não está se deixando enganar pelas mentiras dos Bolton, ele já derramou sangue Frey às escondidas e seu lado será o vencedor no final. Há outra singularidade em sua seleção de músicas, no entanto. Uma que sugere novamente uma conexão com Jon. Todos as três cançoes são sobre a Patrulha da Noite.
O Rato Cozinheiro era um irmão negro que se vingou, e Danny Flint queria ser um. " A Noite que Terminou " apresenta a Patrulha em glorioso triunfo sobre os Outros, salvando o reino no processo. Certamente, há outras músicas sobre garotas bonitas disfarçadas e mentirosas recebendo sua punição, ou sobre vitórias Stark sobre os ândalos, selvagens ou homens de ferro que Manderly poderia ter pedido. A menos que ele (ou GRRM!) esteja, de fato, inserindo outro ponto muito sutil com isso: que Jon Snow não tenha sido esquecido pelos vassalos leais de seu falecido pai e irmão.
E há uma terceira referência a Jon! Quais são os nomes das duas garotas que tão comovente e retumbantemente falam do amor do Norte pelos Starks? Wylla Manderly e Lyanna Mormont. Pode ser simples coincidência que uma compartilhe um nome com a ama de leite de Jon (que Ned afirmou ser sua mãe) e a outro tenha o nome da verdadeira mãe biológica de Jon (assumindo R + L = J como verdadeiro). Uma vez que estamos falando das Crônicas de Gelo e Fogo , no entanto, eu digo que provavelmente não é coincidência.
Um último potencial prenúncio tem a ver com Stannis e sua campanha para ganhar o Norte.
Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se emvolta de uma das sanguessugas.
– Diga o nome – ordenou Melisandre.
A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a umde seus dedos.
– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.
Stannis agarrou a segunda.
– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro […]
A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por ummomento, enquanto se contorcia entre seus dedos.
– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.
(ASOS, Davos IV)
Joffrey, Balon e Robb morrem nas mãos de homens, cujos planos estão em andamento muito antes de Stannis realizar qualquer ritual, não porque sejam amaldiçoados magicamente ou porque R'hllor quer que seja assim. Para que serve Stannis queimando as sanguessugas? Em seu capítulo em A Dança dos Dragões, vimos Melisandre apostar pesado nas aparências como uma maneira de conservar sua influência, mantendo os homens admirados por sua aura de misticismo. Uma demonstração de poder, a fim de recuperar a confiança de Stannis, não seria ruim após a derrota desastrosa no Àgua Negra e, por mais risíveis que tenham sido suas interpretações sobre Azor Ahai, Melisandre consegue prever eventos de importância política em suas chamas, às vezes com detalhes e precisão impressionantes.
[Jon:] Outros senhores se declararam por Bolton também?
A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.
– Vi uma cidade com muralhas de madeira, ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes se agitavam sobre suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabos longos cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos flamejantes.
– Hornwood, Cerwy n, Tallhart, Ryswell e Dustin – informou Sor Clayton Suggs. – Traidores, todos. Cãezinhos de estimação dos Lannister.
(ADWD, Jon IV)
Melisandre vê nas chamas que Joffrey, Balon e Robb não demorarão muito no mundo dos vivos e orquestra uma pequena farsa para Stannis; portanto, quando a notícia de suas mortes chegar até ele, sua crença nela e em suas habilidades será reforçada. Como tudo isso é relevante para a Grande Conspiração Nortenha? Lorde Bolton é chamado por alguns de Senhor Sanguessuga pelas sanguessugas que frequentemente usa para tratamentos de saúde.
[Roose:] Tem medo de sanguessugas, filha?
[Arya:] São só sanguessugas. Senhor.
– Meu escudeiro poderia aprender alguma coisa com você, ao que parece. Sangramentos frequentes são o segredo de uma vida longa. Um homem tem de se purgar do sangue ruim.
(ACOK, Arya IX)
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O quarto do senhor estava cheio de gente quando [Arya] entrou. Qyburn encontrava-se presente, bem como o severo Walton com seu camisão e grevas, além de uma dúzia de Frey, todos eles irmãos, meios-irmãos e primos. Roose Bolton estava na cama, nu. Sanguessugas aderiam à parte de dentro de seus braços e pernas e espalhavam-se por seu peito pálido, longas coisas translúcidas que se tornavam de um cor-de-rosa cintilante quando se alimentavam. Bolton não prestava mais atenção nelas do que em Arya.
(ACOK, Arya X)
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– O que você quer agora? – Gendry perguntou numa voz baixa e zangada.
[Arya:] Uma espada.
– O Polegar Preto mantém todas as lâminas trancadas, já lhe disse mais de cem vezes. É para o Senhor Sanguessuga?
(ACOK, Arya X)
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Os olhos de Harwin desceramdo rosto de Arya para o homem esfolado que trazia no gibão.
– Como é que me conhece? – disse, franzindo a testa, desconfiado. – O homem esfolado... quem é você, algum criado do Lorde Sanguessuga?
(Arya II, ASOS)
Qyburn, Jaime e a Senhora Dustin também observam a associação de Roose com sanguessugas (ASOS, Jaime IV / ADWD, O Príncipe de Winterfell). Figurativamente falando, Stannis está novamente queimando sanguessugas para se exibir em sua guerra contra os Boltons, esperando convencer os nortenhos a apoiarem sua tentativa pelo Trono de Ferro. Mas, assim como o teatro de Melisandre não resulta em nada além de aprofundar a confiança de Stannis nela, os experimentos de Stannis em A Dança dos Dragões podem ser inúteis caso outro Stark seja proclamado rei no norte. E há uma dica de que isso acontecerá.
A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia comvontade de esganá-la. – Mais usurpadores? Mais traidores?
– Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Em A Dança dos Dragões, mais reis falsos parecem ter substituído os que morreram, como profetiza Melisandre. Tommen assume a coroa de Joffrey e Euron a de Balon. E a coroa de Robb? Quem é o novo rei do norte?
Roose pode ter algumas ambições por lá (ADWD, O Príncipe de Winterfell), mas ele ainda não desafiou o Trono de Ferro ou os Lannisters, que o nomearam Protetor do Norte. De qualquer forma, é improvável que ele pudesse ganhar o apoio dos nortenhos, que prefeririam que um Stark os governasse. Pessoalmente, acho que a opção mais dramática para o próximo usurpador e traidor é Jon, que ganhou o respeito relutante de Stannis por um conselho honesto e pode continuar tendo discussões tensas (leia-se: divertidas!) com ele, de uma maneira que Rickon, de cinco anos de idade, bem, realmente não conseguiria.

Um tempo para lobos

Uma objeção comum à Grande Conspiração Nortenha é que, por mais persuasivo que seja, é otimista demais acreditar que GRRM permitirá que os Starks e seus aliados triunfem. Afinal, ele ganhou reputação por subverter clichês de fantasia de bem vs. Mal, e por matar ou mutilar personagens amados enquanto saboreia as lágrimas amargas de seus leitores.
GRRM é realmente tão pouco convencional? A morte de Ned Stark em A Guerra dos Tronos é frequentemente citada como o momento em que a ASOIAF rompe com as tradições de gênero, transcendendo a tendência juvenil da fantasia por finais de contos de fadas cortando a cabeça do protagonista. No entanto , eu argumentaria que não apenas os críticos da fantasia são os culpados por estereotipar e simplificar outros trabalhos como Senhor dos Anéis a ponto de não fazer sentido, em uma demonstração de memória seletiva. A própria estrutura narrativa da ASOIAF disfarça o fato de que Ned nunca foi o herói da história de GRRM, para começo de conversa.
Ned é uma figura paterna, um mentor protetor e guia do tipo que quase sempre morre, às vezes antes de o primeiro ato de uma fantasia épica terminar (vide Obi-wan Kenobi). As crianças Stark nunca se desenvolveriam de verdade por si mesmas, a menos que o “porto seguro” Ned fosse removido, assim como Harry Potter não pôde depender de Dumbledore em seu confronto final com Voldemort. Dadas as habilidades de vidente verde de Bran, Ned pode até aparecer do além-túmulo para transmitir sabedoria ou divulgar segredos como fizeram Obi-wan e Dumbledore. Tudo isso é bastante convencional. GRRM é simplesmente um mestre da desorientação, e sua manipulação é evidente em muitas das grandes reviravoltas de ASOIAF.
Robb? Nunca teve um ponto de vista. Contos da carochinha sobre reinos perdidos por coisas pequenas são tão comuns quanto as sagas de reis guerreiros heróicos vitoriosos em conquista. As lendas arturianas, por exemplo, contam sobre a fundação da utópica Camelot e a morte de Arthur nas mãos de seu filho bastardo com sua meia-irmã, e sua rainha fugindo com um de seus cavaleiros.
GRRM explora inteligentemente o desejo do leitor de ver Ned vingado. Os Starks se reúnem para distrair os leitores para o prenúncio da morte de Robb no sonho de Theon (com um banquete de mortos em Winterfell) e as visões de Dany na Casa dos Imortais, ambos em A Fúria dos Reis.
Portanto, se a previsibilidade no desdobramento de um enredo não serve como teste para teoria dos fãs, em quais critérios os leitores da ASOIAF podem confiar? Penso que a questão-chave que deve ser colocada em qualquer especulação é: "como isso faz a história avançar?"
A Guerra dos Cinco Reis está marcada pelas mortes de Ned e Robb, a primeira instigando o conflito e a segunda efetivamente encerrando-o – ou pelo menos limpando a lousa para a próxima rodada. Por outro lado, em minha opinião, é narrativamente fraca a ideia de que Jon Snow está permanentemente morto e que seu assassinato levará à queda da Muralha, pensando-se que o atentado sozinho seja capaz de trazer caos a Castelo Negro, pois assim também perderemos Jon como personagem pelo resto da série, tornando inúteis todas aquelas páginas gastas em fazer dele indivíduo e não um simples instrumento do enredo.
Voltando finalmente à Grande Conspiração Nortenha, o que vejo como um dos principais problemas de GRRM em Os Ventos do Inverno é que, depois de cinco livros e quase duas décadas, os Outros ainda não causaram muito impacto. O apocalipse dos zumbis de gelo prometido no prólogo de A Guerra dos Tronos é bom acontecer em breve ou GRRM pode ser justamente acusado de deixar sua história inchar até ficar anticlimática.
Além disso, quando os Outros invadirem inevitavelmente Westeros, eles devem fazê-lo com poder devastador, a fim de estabelecer sua credibilidade como uma ameaça ao reino. No entanto, como pode o Norte, nas condições em que se encontra em A Dança dos Dragões – já devastado pela guerra e pelo inverno, dividido pela política e pelos conflitos de sangue, além de amplamente ignorante do perigo para-lá-da-Muralha –, suportaria realisticamente esse ataque? E as casas do norte, assim como os homens, devem sobreviver em número significativo.
Caso contrário, a tarefa de vencer a Batalha da Alvorada recairá inteiramente sobre Dany, seus dragões, quaisquer forças que a acompanhem de Essos e quaisquer senhores do sul que possam ser convencidos a prestar atenção nela. Acho essa uma perspectiva bastante desagradável, sem mencionar tematicamente inconsistente com o título da série, em que apenas os seres inumano feitos de gelo desempenham papéis principais.
Se for verdade, a Grande Conspiração Nortenha tem o benefício de rapidamente unificar o Norte novamente sob o comando dos Starks, que provavelmente serão liderados por Jon como o mais velho e com mais experiência militar aparente. Isso não recupera magicamente as baixas sofridas pelo Norte durante a guerra, nem produz colheitas para alimentar seu povo faminto e com frio (a menos que Sansa conquiste o Vale), mas garante que as Casas do norte viverão para, em minha opinião, participar do objetivo final de ASOIAF.
As bases para um ressurgimento Stark foram lançadas durante Festim e Dança. Os senhores do rio derrotados estão descontentes e os nortenhos mantêm fé nos Stark. Os Frey são párias para inimigos e aliados, enquanto os Lannisters estão em declínio ignominioso; O legado de Tywin compara-se pejorativamente ao de Ned, apesar da conveniência política do primeiro ser elogiada em detrimento do idealismo rígido do último. Parece que a honra muitas vezes ridicularizada de Ned alcançou uma vitória póstuma, o amor misturado com um respeito saudável provando ser uma influência muito mais duradoura sobre as pessoas do que um reino garantido pelo medo e pela força, que não apenas morre com você, mas também transforma seus filhos em herdeiros inadequados .
Além disso, a mera existência de um complô para coroar Jon não significa que ele será rei no norte. Por acaso, acho que o maior problema nos planos que especula-se que os nortenhos têm é que, após a devida consideração, Jon recusará categoricamente a legitimação e os títulos oferecidos. Considerando que ele seja filho de Lyanna e Rhaegar e que isso o põe como o herdeiro Targaryen do trono de ferro antes mesmo de Dany, seria bastante estranho Jon ser formalmente reconhecido como o rei Stark do norte separatista; Um imperativo dramático exige que Jon seja livre para aceitar o governo de todos os Westeros, quer ele o faça ou não. Jon ouvir a intenção de Robb de reconhecê-lo um verdadeiro filho de seu pai é suficiente para completar o arco de personagens discutido na Parte 1, e os Starks sobreviventes se aliariam a Jon, independentemente de como ele fosse estilizado, por ainda serem um alcatéia.
Não há necessidade de provar o vínculo de afeto de Jon e Arya. Ao resolver a disputa pelas terras de Hornwood, Bran prefere nomear herdeiro bastardo de Lorde Hornwood tendo Jon em mente (ACOK, Bran II). Enquanto isso, Sansa ficou completamente desiludida com o futuro como rainha e quer apenas ir para casa em Winterfell, a salvo de homens que desejam seu dote. É irônico, então, que Jon é um cavaleiro direto das canções outrora queridas de Sansa, pois é um príncipe oculto, cavalheiresco e verdadeiro, seu papel confirmado pela execução que fez de Janos Slynt. Não importa as maldades infantis que Sansa fez a Jon para agradar sua mãe e decorrentes de um senso de adequação, ela pensa com carinho nele agora e entende melhor como ser um bastardo o afeta.
Lorde Slynt, o da cara de sapo, sentava-se ao fundo da mesa do conselho, usando um gibão de veludo negro e uma reluzente capa de pano de ouro, acenando com aprovação cada vez que o rei pronunciava uma sentença. Sansa fitou duramente aquele rosto feio, lembrando-se de como o homem atirara o pai ao chão para que Sor Ilyn o decapitasse, desejando poder feri-lo, desejando que algum herói lhe atirasse ao chão e lhe cortasse a cabeça. Mas uma voz em seu interior sussurrou: Não há heróis.
(AGOT, Sansa VI)
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[Sansa] havia séculos que não pensava em Jon. Era apenas seu meio-irmão, mesmo assim... Com Robb, Bran e Rickon mortos, Jon Snow era o único irmão que lhe restava. Agora também sou bastarda, como ele. Oh, seria tão bom voltar a vê-lo. Mas estava claro que isso nunca poderia acontecer. Alayne Stone não tinha irmãos, ilegítimos ou não.
(AFFC, Alayne II)
E Rickon?
A procissão passara a não mais de um pé do local que lhe fora atribuído no banco, e Jon lançara um intenso e demorado olhar para todos eles. O senhor seu pai viera à frente, acompanhando a rainha. [...]Em seguida, veio o próprio Rei Robert, trazendo a Senhora Stark pelo braço. [...] Depois vieram os filhos. Primeiro o pequeno Rickon, dominando a longa caminhada com toda a dignidade que um garotinho de três anos é capaz de reunir. Jon teve de incentivá-lo a seguir, quando Rickon parou ao seu lado.
(AGOT, Jon I)
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Bran bebeu da taça do pai outro gole do vinho com mel e especiarias, [...] e se lembrou da última vez que tinha visto o senhor seu pai beber daquela taça.
Havia sido na noite do banquete de boas-vindas, quando o Rei Robert trouxera a corte a Winterfell. Então, ainda reinava o verão. Seus pais tinham dividido o estrado com Robert e sua rainha, com os irmãos dela a seu lado. Tio Benjen também estivera lá, todo vestido de preto. Bran e os irmãos e irmãs tinham se sentado com os filhos do rei, Joffrey, Tommen e a Princesa Myrcella, que passou a refeição inteira olhando Robb com olhos de adoração. Arya fazia caretas do outro lado da mesa quando ninguém estava olhando; Sansa escutava, em êxtase, as canções de cavalaria que o grande harpista do rei cantava, e Rickon não parava de perguntar por que motivo Jon não estava com eles.
– Porque é um bastardo – Bran teve de segredar-lhe por fim.
(ACOK, Bran III)
Jon tem duas vantagens adicionais sobre qualquer pessoa de fora para conseguir que Rickon o obedeça: 1) Fantasma, que pode subjugar Cão Felpudo. 2) Sua semelhança com Ned, de quem Rickon provavelmente se lembra como seu pai de tempos mais felizes. Assim como a semelhança de Sansa com Catelyn leva Mindinho a uma falsa sensação de segurança, a aparência de Jon pode reforçar sua posição como uma figura de autoridade para Rickon.
Em resumo, sinto que há boas chances de que o primeiro ato do rei Bran ou Rickon, da rainha Sansa ou de Arya seja nomear Jon seu conselheiro, confiável acima de todos os outros, e dê a ele o comando estratégico de seus exércitos, ou se não legitimá-lo como um Stark conforme os últimos desejos de Robb. E, francamente, a noção de que Stannis, Mindinho ou Manderly possamem convencer os Starks a uma disputa de sucessão mesquinha quando Jon é claramente o mais qualificado para liderar o Norte em uma segunda Longa Noite me parece implausível, contradizendo a caracterização estabelecida e a dinâmica familiar.
O que me leva à outra objeção comum a todas as variações de Jon como rei. Jon é honrado demais para quebrar seus votos, certo? Também usurpar os lugares de direito de seus irmãos enquanto eles estão vivos!
Lembremos a lição que Qhorin Meia-mão ensina a Jon: "Nossa honra não significa mais que nossas vidas, desde que o reino esteja seguro". (ACOK, Jon VII) No final de Dança dos Dragões, Jon resolveu fazer o que considerava certo e condenar o que as pessoas dizem sobre ele.
– Tem minha palavra, Lorde Snow. Retornarei com Tormund ou sem ele. – Val olhou o céu. A lua estava meio cheia. – Procure por mim no primeiro dia da lua cheia.
– Procurarei. – Não falhe comigo, pensou, ou Stannis terá minha cabeça. “Tenho sua palavra de que manterá nossa princesa por perto?”, o rei dissera, e Jon prometera que sim. Mas Val não é nenhuma princesa. Disse isso a ele meia centena de vezes. Era uma desculpa fraca, um triste farrapo enrolado em sua palavra quebrada. Seu pai nunca teria aprovado aquilo. Sou a espada que guarda os reinos dos homens, Jon recordou-se, no fim, isso deve valer mais do que a honra de um homem.
(Jon VIII, ADWD)
Apesar de sua aparência essencialmente Stark, Jon não é um clone de Ned, o qual, de todo modo, confessou uma traição que não cometeu, a fim de poupar a vida de Sansa e quase completsmente só sustenta a maior mentira da série em nome de Jon (supondo que R+L=J), por muitos anos antes disso. O entendimento de Jon sobre obrigações, juradas ou não, sempre foi flexível, porque sua própria existência é a prova de que o mais honroso dos homens pode falhar em seu dever. Se Ned, seu modelo de comportamento, não pode cumprir seus votos de casamento, como Jon pode esperar ser melhor, já que é um bastardo?
Depois de seu período com Meia-mão e Ygritte, a tarefa sísifa original de Jon, de alcançar padrões de honra impossivelmente altos, transformou-se em uma dedicação firme ao mais alto mandamento da Patrulha da Noite – ou seja, defender o reino contra os Outros. Existem inegáveis complicações emocionais por parte de Jon ao lidar com o Norte, já que ele não pode reprimir totalmente suas preocupações com a família e o lar, mas assumir o comando de nortenhos que não querem dobrar os joelhos para Stannis garantirá que o Muralha receba reforços e suprimentos necessários. Jon consideraria sua honra pessoal mais importante do que isso? Eu duvido.
Isso tudo, é claro, pressupõe que a Patrulha da Noite continue a existir de alguma forma após o fiasco do assassinato de Bowen Marsh, o que de maneira alguma é certo que ocorrerá.
Que a última cena de Jon em Dança dos Dragões faz paralelo com a morte de Júlio César é uma ideia amplamente aceita. Agora, considere que os senadores que mataram César, em vez de salvar a república romana de um tirano, precipitaram sua queda, descobrindo, para seu choque, que o povo não estava particularmente agradecido pelo assassinato de um líder popular, embora cometido em seu nome.
Guerras civis se seguiram, um império surgindo das ruínas. Ainda não se sabe se Jon é Otaviano / Augusto nesta reconstituição na fantasia. Ele tem à sua disposição um exército pessoal – depois de inconscientemente se tornar rei dos selvagens na ausência de Mance Rayder –e um contrato com o Banco de Ferro (ao que tudo indica).
Concluindo, passo a proibir que discussões posteriores a esta teoria de argumentem que uma conspiração para coroar Jon Rei do Norte esteja fora do mão para os (hipotéticos) conspiradores e os pretendentes Stark para Winterfell ou para GRRM, devido a sua aversão crônica a clichês. Ambas as afirmações foram usadas para descartar a teoria sem abordar as evidências que sustentariam a falta de substância, especialmente tendo em vista a maleabilidade de personagens e tropes nas mãos de um bom escritor (o que eu acredito que a maioria dos fãs da ASOIAF confia que o GRRM seja). Todo mundo deseja a ele boa sorte com Os Ventos do Inverno!
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2020.04.04 04:52 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 6

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53563214511
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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A Dama Faz Protestos Demasiados

No episódio anterior de A Grande Conspiração do Norte, Harwood Stout, juramentado a Lady Dustin, foi visto conversando baixinho com Terror das Rameiras Umber, um conhecido “sócio” de Lorde Manderly desde A Fúria dos Reis. Do que eles falaram? Não procure para além do tour guiado por Lady Dustin às criptas de Winterfell no final do capítulo.
Theon vagueia sem rumo por algum tempo após o desjejum, atravessando as partes destruidas do castelo, subindo para as ameias e confessando no bosque sagrado. Durante esse mesmo período, a Senhora Dustin manda seus homens procurarem nas adegas, até nas masmorras, a entrada para as criptas. Seguindo as instruções de Theon, eles encontram essa entrada e passam meia hora cavando neve e entulho para descobrir a porta congelada, que precisou ser aberta com um machado. Todo esse esforço foi feito apenas para que ela se apresentasse um queixa antiga tendo apenas pedra fria, Theon e os silenciosos mortos como companhia. Que outro motivo a Senhora Dustin poderia ter para visitar as criptas?
Segundo a teoria, ela teria acabado de ouvir de Manderly (quem ouviu de Stout e Terror das Rameiras) que Bran e Rickon sobreviveram. Os meninos, Osha, Jojen, Meera e Hodor fugiram de seus perseguidores, escondendo-se nas criptas. É o que Bran conta ao moribundo meistre Luwin, enquanto Wex espia de seu esconderijo na árvore coração. O grupo de Bran também deixa evidências de sua estadia.
Osha levava sua longa lança de carvalho numa mão e o archote na outra. Uma espada nua pendia de suas costas, uma das últimas a ostentar a marca de Mikken. Forjara-a para a sepultura do Lorde Eddard, para deixar seu fantasma em descanso. Mas com Mikken morto e os homens de ferro de guarda no arsenal, era difícil resistir a bom aço, mesmo se implicasse assaltar uma tumba. Meera tinha ficado com a lâmina de Lorde Rickard, apesar de se queixar de seu peso. Bran ficou com a do seu homônimo, a espada feita para o tio que nunca conhecera.
(ACOK, Bran VII)
Até Hodor rouba uma espada ao sair.
O cavalariço tinha se esquecido de sua espada, mas agora se lembrara.
– Hodor! – exclamou. Foi buscar a arma.
Tinham três espadas mortuárias que trouxeramdas criptas de Winterfell quando Bran e o irmão Rickon se esconderam dos homens de ferro de Theon Greyjoy. Bran ficou com a espada do tio Brandon; Meera, com aquela que encontrara sobre os joelhos do avô, Lorde Rickard. A lâmina de Hodor era muito mais velha, um enorme e pesado pedaço de ferro, embotado por séculos de negligência e cheio de pontos de ferrugem.
(ASOS, Bran I)
Enquanto estava nas criptas com Theon, a Senhora Dustin nota especificamente as espadas que faltam.
– Aquele rei perdeu sua espada – a Senhora Dustin observou.
Era verdade. Theon não se lembrava que rei era aquele, mas a espada longa que devia segurar se fora. Marcas de ferrugem permaneciam para mostrar o lugar em que a lâmina estivera. [...] Seguiram adiante. O rosto de Barbrey Dustin parecia mais duro a cada passo. Ela não gosta deste lugar tanto quanto eu. Theon se ouviu falando:
– Minha senhora, por que odeia os Stark?
Ela o estudou.
– Pela mesma razão que você os ama. [...] Por que você ama os Stark?
– Eu... – Theon colocou uma mão enluvada contra um pilar. – ... eu queria ser um deles...
– E nunca pôde. Temos mais em comum do que imagina, meu senhor. Mas venha.
Apenas um pouco adiante, três tumbas estavam agrupadas juntas. Foi lá que pararam.
– Lorde Rickard – a Senhora Dustin observou, estudando a figura central. A estátua pairava sobre eles; rosto comprido, barbado, solene. Tinha os mesmos olhos de pedra dos demais, mas os seus pareciam tristes. – Ele tampouco possui uma espada.
Era verdade.
– Alguém esteve aqui embaixo roubando espadas. A de Brandon se foi também"Aquele rei está sentindo falta da espada", observou Lady Dustin.
(ADWD, O Vira-casaca)
Suponhamos que o verdadeiro objetivo da Senhora Dustin nas criptas seja confirmar a história de Wex. O que ela conta a Theon sobre sua história pessoal com os Starks não é mentira, é claro, mas também serve como cortina de fumaça para suas investigações, caso Ramsay (ou, pior ainda, Roose) questione suas ações. Embora a Senhora Dustin avise Theon para não repetir nada do que ela disse, ela deve saber que ele falharia na tentativa de manter segredos dos Bolton, se eles perguntassem abertamente. Theon e sua crença de que ela odeia os Starks são seu álibi.
No entanto, Roose parece ter certeza da lealdade da Senhora Dustin à Casa Bolton. Por que ela o abandonaria? Para começar, o que quer que os Starks tenham cometido com ela não muda o fato de que Rickard, Brandon e (agora) Ned estão todos mortos. Portanto, não são mais alvos satisfatórios de seu ressentimento. É verdade que a Senhora Dustin ainda pode guardar rancor contra os Starks. Porém não tanto quanto por Ramsay. A Senhora Dustin despreza Ramsay, e o sentimento é inteiramente mútuo.
– Deveria ter sido você a organizar o banquete, para celebrar meu retorno – Ramsay reclamou –, e deveria ter sido no Solar Acidentado, não nessa latrina de castelo.
– Solar Acidentado e suas cozinhas não estão a minha disposição – seu pai disse suavemente. – Sou apenas um convidado lá. O castelo e a cidade pertencem à Senhora Dustin, e ela não pode sustentá-lo lá.
O rosto de Ramsay ficou sombrio.
– Se eu cortar as tetas dela e der de comer para minhas garotas, ela me sustentará então? Ela me sustentará se eu arrancar a pele dela para fazer um par de botas para mim?
– Improvável. E essas botas sairiam caras. Elas nos custariam Vila Acidentada, a Casa Dustin e os Ryswell. – Roose Bolton sentou-se do outro lado da mesa, de frente para o filho. – Barbrey Dustin é a irmã mais nova da minha segunda esposa, filha de Rodrik Ryswell, irmã de Roger, Rickard e do meu homônimo Roose, prima dos outros Ryswell. Ela gostava do meu falecido filho e suspeita que você tenha alguma coisa a ver com a morte dele. A Senhora Barbrey é uma mulher que sabe nutrir uma mágoa. Seja grato por isso. Vila Acidentada é leal aos Bolton em grande parte porque ela ainda culpa Ned Stark pela morte do marido.
Leal? – Ramsay fervilhava. – Tudo o que ela faz é cuspir em mim. Chegará o dia em que colocarei fogo em sua preciosa cidade de madeira. Deixe ela cuspir nisso, para ver se apaga as chamas.
(ADWD, Fedor III)
O fato de Ramsay ter assassinado Domeric Bolton a sangue frio é um dos segredos mais mal guardados do Norte. Acho que a Senhora Dustin prefere que a justiça seja feita contra o assassino de seu amado sobrinho do que, em nome de sua vingança contra os Starks, continuar a apoiar um regime que legitima Ramsay como herdeiro. De todo modo, os Stark nem seriam culpados pela morte de seu marido, já que Lorde Dustin decide ir para o sul por seu próprio orgulho.
Além disso, a Senhora Dustin não estaria sozinha em sofrer se Ramsay herdarsse, legalmente ou não, o controle do norte. Vila Acidentada e seus habitantes poderão ser vítimas da ira indiscriminada de Ramsay, e os senhores menores sob a proteção dela, como Stout, provavelmente não se sairão muito melhor. No caso improvável de que Ramsay de alguma forma se contenha de responder ofensas passadas com fúria assassina, ele ainda não demostrou ter interesse em colocar o bem-estar de suas terras e povo sobre seu próprio bel-prazer egoísta. Tudo o que se pode dizer sobre os Starks, bons ou ruins, é que eles são governantes justos e nos quais pode-se confiar para proverem o Norte durante um inverno rigoroso, como fizeram por milhares de anos.
Por fim, a Senhora Dustin traça paralelos entre Theon e ela mesma. Theon, que percebeu que nunca odiava verdadeiramente os Starks. Ele os amava como a única família que conheceu e estava rancoroso por não poder ser um deles por completo. Faz dezesseis anos desde a Rebelião de Robert. Certamente, a Senhora Dustin fez uma pequena auot-reflexão e possivelmente chegou à mesma conclusão que Theon? Ela amava Brandon e talvez Lyanna também, como uma irmã, sendo ambas selvagens, ferozes e bonitas?
Em minha opinião, quando ela sai das criptas, a Senhora Dustin teria decidido participar da conspiração de Manderly. E ela traz os Ryswells consigo.
Há algum indício sobre a mudança de fidelidade da Senhora Dustin e Ryswell? Sim, de fato existem!
[Dustin:] E Lorde Wyman não é o único homem que perdeu um parente em seu Casamento Vermelho, Frey. Acha que o Terror-das-Rameiras tem algum bom sentimento por você? Se vocês não tivessem prendido Grande-Jon, ele teria arrancado suas entranhas e feito vocês comê-las, como a Senhora Hornwood comeu seus dedos. Flint, Cerwyn, Tallhart, Slate... todos tinham homens com o Jovem Lobo.
– A Casa Ryswell também – disse Roger Ryswell.
– Até os Dustin fora de Vila Acidentada – a Senhora Dustin separou seus lábios em um sorriso fino e selvagem. – O Norte se lembra, Frey.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Não apenas nós, leitores, ficamos sabendo que Ryswells e Dustins morreram no Casamento Vermelho, mas vimos a Senhora Dustin citar o slogan da vingança de Manderly para um Frey com um sorriso decididamente lupino.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Batedores Ryswell? Agora, lembre-se de que uma teoria coloca Robett Glover como líder do segundo exército do Norte, fora dos muros de Winterfell, o qual teria subido a Faca Branca no rastro de Manderly e se aproximado sob a cobertura da tempestade de neve. Talvez esses batedores desaparecidos tenham ordens para entrar em contato com Glover e informá-lo sobre a evolução da coisa em Winterfell? Ao menos eles não foram encontrados, vivos ou mortos, pelos homens de Stannis.
– Qualquer homem lá fora, neste tempo, estará com o pau congelado. [riu Rickard Ryswell]
– Lorde Stannis está perdido na tempestade – disse a Senhora Dustin. – Está a quilômetros de distância, morto ou moribundo. Deixe o inverno fazer o pior. Alguns poucos dias e as neves enterrarão ele e seu exército.
E nós também, pensou Theon, impressionado com a tolice da mulher. A Senhora Barbrey era do Norte e deveria saber mais. Os velhos deuses estariam ouvindo.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Talvez ela saiba mais, mas está tentando ganhar tempo. Tanto para os conspiradores finalizarem seus preparativos quanto para Stannis chegue com um exército de reserva.
– O que está sugerindo, Frey? – O Senhor de Porto Branco secou a boca com a manga. – Não gosto do seu tom, sor. Não, nem um maldito bocado.
– Vá para o pátio, seu saco de sebo, e eu servirei todos os malditos bocados que seu estômago aguentar – disse Sor Hosteen.
Wyman Manderly riu, mas meia dúzia de seus cavaleiros ficou em pé ao mesmo tempo. Coube a Roger Ryswell e Barbrey Dustin acalmá-los com palavras apaziguadoras. Roose Bolton não disse nada. Mas Theon Greyjoy viu um olhar em seus olhos claros que nunca vira antes – uma inquietação e, até mesmo, uma pitada de temor.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Roose sabe há muito tempo que Manderly planeja uma traição (ADWD, Fedor III), mas o fato de que Lorde Wyman tenha abandonado a cautela, antagonizando abertamente os Freys durante a ceia, deveria sugerir que os planos de seus amigos estão alcançando o objetivo. E não acredito que Roose tenha certeza de quais são esses planos ou quem está envolvido neles, daí o medo inquieto que Theon observa.
Com Lady Dustin e os Ryswells a bordo, praticamente todas as Casas nortenhas em Winterfell se viraram contra os Boltons, deixando de fora os Freys, que neste momento são homens mortos andando. Manderly provacando os Frey no último POV de Theon pode ter sido um ato premeditado para estimular que Roose fizesse exatamente o que ele fez. Ou seja, enviar os homens de Frey e Porto Branco juntos para dar batalha a Stannis. Muito provavelmente, em minha opinião, as forças de Manderly darão um golpe nos Freys na primeira boa oportunidade que tiverem – digamos, depois que a vanguarda dos Frey cair em um lago congelado – depois debater com Stannis e os quatro mil nortenhos que ele tem sobre como tomar Winterfell e remover os Boltons do poder.

O Problema com Stannis Baratheon

Grande Jon Umber já teve uma coisa ou duas a dizer sobre Stannis.
Renly Baratheon não é nada para mim, e Stannis também não. Por que haveriam de governar a mim e aos meus de uma cadeira florida qualquer em Jardim de Cima ou Dorne? Que sabem eles da Muralha ou da Mata de Lobos, ou das sepulturas dos Primeiros Homens? Até os seus deuses estão errados. Que os Outros levem também os Lannister, já tive deles mais do que a minha conta – esticou a mão atrás do ombro e puxou a sua imensa e longa espada de duas mãos. – Por que não havemos de nos governar de novo a nós mesmos? Foi com os dragões que casamos, e os dragões estão todos mortos! – apontou com a lâmina para Robb. – Está ali o único rei perante o qual pretendo vergar o meu joelho, senhores – trovejou. – O Rei do Norte!
(AGOT, Catelyn XI)
Bem, como se vê, Stannis realmente conhece pouco sobre a Muralha e da Mata dos Lobos, mas está disposto a aprender, através de uma experiência dolorosa em primeira mão. Sua determinação corajosa em A Dança dos Dragões de ver o Norte livfre dos Boltons e Freys ganhou muitos admiradores. E, para esses e outros leitores, parecia completamente ingrato que os nortenhos subsequentemente rejeitem Stannis como seu rei em uma traição que certamente manchará para sempre a honra do norte.
Infelizmente para Stannis, no entanto, existem dois fatores principais trabalhando contra ele: 1) Seu deus vermelho, sempre faminto por sacrifícios, ainda é o errado. 2) Os nnortenhos simplesmente amam mais os Starks e não se importam com o Trono de Ferro.
Seis homens da rainha lutavam para colocar dois enormes postes de pinheiro em buracos que outros seis homens da rainha haviam cavado. Asha não teve que perguntar para que serviam. Ela sabia. Estacas. O anoitecer estaria sobre eles em breve, e o deus vermelho precisava ser alimentado. Uma oferenda de sangue e fogo, os homens da rainha chamavam, para que o Senhor da Luz possa voltar seus olhos de fogo sobre nós e derreter estas neves três vezes amaldiçoadas.
– Mesmo neste lugar de medo e escuridão, o Senhor da Luz nos protege – Sor Godry Farring disse para os homens que haviam se reunido para ver as estacas sendo marteladas dentro dos buracos.
– O que esse seu deus sulista tem a ver com a neve? – exigiu saber Artos Flint. Sua barba negra tinha uma crosta de gelo. – Isso é a ira dos antigos deuses sobre nós. É a eles que devemos agradar.
– Sim – disse Grande Balde Wull. – O Rahloo vermelho não significa nada aqui. Vocês apenas deixarão os antigos deuses mais zangados. [...]
Os quatro foram acorrentados de costas uns para os outros, dois em cada estaca. [...]À visão de Stannis, dois dos homens atados às estacas começaram a implorar por misericórdia. O rei ouviu em silêncio, sua mandíbula cerrada. Então disse para Godry Farring:
– Pode começar. [...]
Depois de um tempo, os gritos pararam. [...]
Clayton Suggs esgueirou-se ao lado dela.
– A boceta de ferro gostou do espetáculo? [...] A multidão será ainda maior quando for você se contorcendo na estaca. [...]
[Alysane:] A Senhora Asha não será queimada.
– Ela será – insistiu Suggs. – Já abrigamos essa adoradora do demônio entre nós por muito tempo. [...]
A Mulher-Ursa falou.
– E se você a queimar e a neve continuar a cair, e então? Quem queimará em seguida? Eu?
Asha não pôde segurar a língua.
– Por que não Sor Clayton? Talvez R’hllor goste de um dos seus. [...]
Sor Justin riu. Suggs achou menos graça.
– Aproveite suas risadinhas, Massey. Se a neve continuar a cair, veremos quem vai rir por último. – Olhou para os homens mortos nas estacas, sorriu e foi se juntar a Sor Godry e os outros homens da rainha. [...]
[Massey:] Se juntarão a mim [para cear], minhas senhoras?
Aly Mormont sacudiu a cabeça.
– Não tenho fome.
– Nem eu. Mas faria bem em engolir um pouco de carne de cavalo mesmo assim, ou em breve poderá desejar ter feito isso. [...]
Aly sacudiu a cabeça.
– Eu não.
(ADWD, O Sacrifício)
Eu penso que seja seguro concluir que Alysane Mormont não está impressionado com R'hllor, seus seguidores ou que o rei Stannis aprove práticas tão cruéis. Tampouco estão os homens do clã das montanhas. Curiosamente, no jantar, Artos Flint, Grande Balde Wull e o resto dos líderes dos clãs não são mencionados, possivelmente indicando que estão ausentes. Isso levou a algumas especulações de que a reunião de Alysane com os Liddles, Norreys, Wulls e Flints, cujos julgamentos iniciais de Stannis teria sido favorável enquanto ele comeu e bebu com eles.
Jon avisa Melisandre que os clãs das montanhas não admitirão insultos às suas árvores do coração (ADWD, Jon IV). Melisandre não acompanha Stannis a Winterfell, mas, no entanto, o devido respeito não foi pago aos deuses antigos. Pior ainda, com Flints e Norreys em Castelo Negro, as notícias poderiam muito bem se espalhar sobre como a sacerdotisa vermelha de Stannis e os homens da rainha forçam os selvagens a queimar pedaços dos represeiros sagrados do norte ao atravessar a Muralha (ADWD, Jon III). Os nortenhos estão dispostos a tolerar a adoração dos Sete, pois criar algumas seitas aqui e ali não perturba seus bosques sagrados, mas R'hllor é um deus ciumento e seus arrogantes devotos sulistas fariam conversões à força.
Enquanto Stannis, sua rainha ou seus homens continuarem apoiando o R’hllorismo fanático, ele, em minha opinião, nunca poderá deter o Norte. Até Porto Branco será cauteloso, pois os Sete já foram usados para acender os fogos de R'hllor, assim como os deuses antigos, e muitos do povo de Manderly sem dúvida adotaram a religião dos Primeiros Homens nos mil anos desde que aqueles procuraram refúgio com os Starks.
Sobre o segundo obstáculo de Stannis, um aspecto marcante da história de Westeros após a conquista é o quão isolacionista o Norte permanece até a Rebelião de Robert (e até depois). Embora oficialmente sejam parte do reino e estejam sujeito à autoridade do Trono de Ferro, os Stark ainda são, extraoficialmente, reis em tudo, exceto no nome. O número de Targaryens que se aventuraram ao norte do Gargalo nos últimos trezentos anos pode ser contado em uma mão: 1-2) Rei Jaehaerys, o primeiro de seu nome, com sua esposa, a boa rainha Alysanne, seus dragões e metade da corte; 3) Egg enquanto se disfarçava com Dunk no próximo conto “The She-Wolves of Winterfell”; 4-5) Meistre Aemon, acompanhado por Corvo de Sangue, ambos para tomar o preto. Mesmo Robert nunca o visita, exceto em A Guerra dos Tronos (e nove anos antes para acabar com a revolta de Balon Greyjoy).
Enquanto quem quer que esteja sentado Trono de Ferro permaneça em Porto Real, todo o resto do reino sente-se bem fingindo que o Norte não é efetivamente auto-governado por Winterfell. Suspeito, porém, que Stannis, inflexível em exigir sua merecida lealdade como o legítimo rei de Westeros, não ficará satisfeito com um acordo por meio do qual seus comandos reais devem primeiro ser aprovados por um Stark antes de serem postos em prática.
No entanto, ao se opor a isso, ele estaria desafiando o legado Stark. Que alcançou status quase mítico após milhares de anos de domínio mais ou menos contínuo. Quando o Norte é ameaçado por selvagens ou homens de ferro, são os Starks que chamam os homens às armas. Um Stark construiu a Muralja e liderou a luta contra os Outros. Os Stark expulsou os ândalos invasores, fizeram do Norte o único reino dos Primeiros Homens que ainda resta, mas entregaram voluntariamente sua coroa aos Targaryen para poupar seu povo do fogo do dragão. Eles servem a seu tipo distinto de justiça para desertores e outros criminosos. Eles punem bandidos rebeldes, tomam reféns quando necessário e casam-se com as famílias do Norte em busca de alianças. Com as paredes aquecidas e os jardins de vidro de Winterfell, os Stark provavelmente fornecem necessidades básicas (comida, abrigo) para os plebeus durante os longos invernos. De inúmeras maneiras, grandes e pequenas, os Starks provaram seu valor. Tanto é assim que mesmo seus inimigos seculares, os selvagens, não suportam ouvir Theon Vira-casaca pronunciar o lema dos Stark (ADWD, Theon I).
Em minha opinião, nenhum senhor sulistas pode esperar competir com a idéia dos Starks. Com o que eles passaram a representar para os nortennhos através da longa associação de muitas gerações: proteção e estabilidade em tempos difíceis de inverno. Alys Karstark, por exemplo, procura a ajuda de Jon – não a de Stannis – na condição de "o último filho de Eddard Stark", apesar de que Robb tenha decapitado seu pai e da ostensiva neutralidade da Patrulha da Noite (ADWD, Jon IX).
Além do mais, os nortenhos não juraram a Stannis nenhum voto aos quais eles se considerariam obrigados a seguir. A Grande Conspiração Nortenha, se verdadeira, antecede a chegada de Stannis à Muralha. Os Mormonts, os Glovers, Manderly e os outros partidários dos Stark teriam agido contra os Boltons com ou sem Stannis. E agora, em Winterfell, Stannis depende dos homens nortenhos que compõem a maior parte de seu exército, especialmente devido ao desgaste de seus cavaleiros sulistas.
Então, onde isso deixa Stannis? Quando um Stark estiver em Winterfell novamente, os nortenhos poderiam lhe dizer: “Agradecemos a ajuda, Sua Graça. Saiba que o norte estará sempre aberto para você e os seus. O trono de ferro? É por ali, e você é bem-vindo a sentar nele. Mate alguns Lannisters por nós!”. O que Stannis poderia fazer a respeito se os senhores do Norte se recusassem a se juntar à guerra dele? Nada, na verdade.
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2020.01.20 17:11 MacCohen Le fonti del Libro di Mormon

Crescendo in chiesa ho sempre sentito e letto che il libro di Mormon era un esempio di letteratura ebraica e che sarebbe stato impossibile per Joseph Smith scriverlo. Con lo studio e il tempo sono però giunto alla conclusione che queste rivendicazioni avrebbero potuto essere vere solo se lui non avesse letto la Bibbia (da cui trae tutta la sua influenza ebraica) e che anzi il Libro di Mormon dimostra in molti modi come sia nato in una cultura ed un’epoca riconducibili agli Stati Uniti della prima metà del 1800.
Mark Twain ebbe l’occasione di leggere il Libro di Mormon durante un viaggio attraverso lo Utah nel 1861 e scrisse nel suo stile caustico che “Il libro non sembra altro che una prolissa cronaca immaginaria sulla falsariga del Vecchio Testamento, seguita da un tedioso plagio del Nuovo. L’autore si è dato una gran pena per infondere al suo linguaggio gli echi remoti e il ritmo inconfondibile della traduzione di Re Giacomo, e il risultato è un ibrido: una prosa per metà moderna e spigliata, e per metà scarna, arcaica e solenne. La prima è più spontanea, ma il contrasto con la seconda, faticosa e innaturale, le dà un che di grottesco. Ogni volta che Smith trovava il proprio stile troppo attuale – più o meno ogni due frasi – ci ficcava dentro un paio di locuzioni biblicheggianti come “Or avvenne che” o “In capo di alquanto tempo”, e sistemava tutto. Senza gli “Or avvenne che”, il suo intercalare preferito, questa Bibbia sarebbe rimasta un comunissimo pamphlet.” (In cerca di guai, 1872)
Oltre a far notare il linguaggio ispirato alla Bibbia del re Giacomo, che riprende uno stile letterario popolare negli Stati Uniti dal 1770 al 1830 (cfr. First Book of Napoleon e The Late War Between the United States and Great Britain, che presentano diverse espressioni identiche a quelle contenute nel Libro di Mormon che non ci sono nella Bibbia), Mark Twain rimarca che anche la trama ha elementi comuni alla Bibbia.
Fra le somiglianze c'è qualche episodio che mi ha sempre dato da pensare:
Ether 8 Marco 6
11 Ed ora, Omer era amico di Achish; pertanto, quando Giared ebbe mandato a chiamare Achish, la figlia di Giared danzò dinanzi a lui, cosicché gli piacque, tanto che egli la volle in moglie. E avvenne che egli disse a Giared: Dammela in moglie. 12 E Giared gli disse: Te la darò se mi porterai la testa di mio padre, il re. 22 La figliuola della stessa Erodiada essendo entrata, ballò e piacque ad Erode ed ai commensali. E il re disse alla fanciulla: Chiedimi quello che vuoi e te lo darò. 23 E le giurò: Ti darò quel che mi chiederai; fino alla metà del mio regno. 24 Costei, uscita, domandò a sua madre: «Che chiederò?» E quella le disse: «La testa di Giovanni Battista».
Alma 18 Giovanni 1
13 E uno dei servi del re gli disse: Rabbana, che interpretato significa potente o grande re; pensando che i re debbano essere potenti; e gli disse così: Rabbana, il re desidera che tu rimanga 38 E Gesù, voltatosi, e osservando che lo seguivano, domandò loro: Che cercate? Ed essi gli dissero: Rabbì (che, interpretato, vuol dire: Maestro), ove dimori?
Nonostante il Libro di Mormon dica di essere stato scritto dal VI secolo a.C., è costellato di passaggi biblici scritti dopo la conquista babilonese del regno di Giuda, che quindi non erano nelle tavole di Labano: il solo Nefi per esempio cita frequentemente nei suoi due libri il Deutero-Isaia (i capitoli di Isaia a partire dal 40 sono scritti dall’esilio babilonese in poi), Malachia (scritto dopo il ritorno dall’esilio), i quattro Vangeli, Atti, Apocalisse, metà delle lettere paoline (Romani, 1 e 2 Corinzi, Galati, Efesini, 1 Timoteo), Ebrei e 2 Pietro. I successori di Nefi citeranno oltre a questi anche Filippesi, Colossesi, 1 Tessalonicesi, Giacomo, 1 Pietro e 1 Giovanni prima che questi fossero scritti.
Il Libro di Mormon contiene versetti di Marco 16:9-20, un testo non presente nei manoscritti più antichi del Nuovo Testamento ma citato in 2 Nefi 31:14, 3 Nefi 11:33-34, Mormon 9:22-24 ed Ether 4:18. Poi 3 Nefi 13 riprende Matteo 6, ma al versetto 13 conclude la preghiera del Padre Nostro con la frase “Poiché tuo è il regno, e il potere, e la gloria, per sempre. Amen.” Questa si trova nella Bibbia del re Giacomo ma è in realtà un’aggiunta tarda e infatti non la troverete nella vostra Bibbia. Ci sono altri casi in cui il libro di Mormon cita testi spuri dalla re Giacomo, ma voglio restare conciso.
Le citazioni bibliche sono copiate tali e quali dalla Bibbia del re Giacomo, anche quando alcune di queste verranno poi modificate da Smith stesso nella sua Versione Ispirata (per esempio 3 Nefi 13:12, 25-27 e 14:6 sono identici a Matteo 6:13, 25-27 e 7:6 ma nella Versione Ispirata sono diversi). Una traduzione scorretta della Bibbia del re Giacomo porta Smith a parer mio a parlare dell’arco d’acciaio spezzato da Nefi (1 Nefi 16:18), tratta da Salmi 18:34 “He teacheth my hands to war, so that a bow of steel is broken by mine arms”. La traduzione più aggiornata di Luzzi lo rende in “ammaestra le mie mani alla battaglia e le mie braccia tendono un arco di rame” perché il termine originale nehushah in ebraico significa rame o bronzo, ma non acciaio.
I nomi ebraici sono copiati dalla Bibbia (abbiamo addirittura un Timoteo in 3 Nefi 19:4, che però è greco) e Smith arriva a imitare i nomi teoforici ebraici per darsi credibilità (Geremia, Isaia, Elia, Malachia o Zaccaria, composti col suffisso -iah, che indica Geova, ispirano Moroniha, Nefiha, Mathonia, Ammoniha, Cumeniha nel Libro di Mormon). I nomi non biblici invece sono inventati di sana pianta e non seguono l'onomastica ebraica o di qualche popolo precolombiano. I Giarediti, nonostante vivessero molti secoli prima della cultura ebraica, avevano stranamente anche nomi ebraici (Efraim è una collina in Ether 7:9, mentre personaggi chiamati Levi e Aaronne sono presenti nella genealogia di Ether 1:15, 20). La stessa collina di Cumora è secondo me ispirata al nome di Gomorra, che in inglese si pronuncia in modo molto simile.
Il Libro di Mormon è anche pieno di discorsi simili a quelli dei predicatori del secondo grande risveglio. Alexander Campbell, uno dei fondatori del restaurazionismo a cui era legato personalmente Sidney Rigdon, disse dopo aver letto il Libro di Mormon: “Questo profeta Smith, attraverso i suoi occhiali di pietra, ha scritto sulle tavole di Nefi, nel suo Libro di Mormon, ogni errore e quasi tutte le verità discusse nello Stato di New York negli ultimi dieci anni. Egli decide riguardo tutte le grandi controversie -battesimo di bambini, ordinazione, la trinità, rigenerazione, pentimento, giustificazione, la caduta dell’uomo, l’espiazione, transustanziazione, digiuno, penitenza, governo della chiesa, esperienza religiosa, la vocazione al ministero, la resurrezione generale, la punizione eterna, chi può battezzare e perfino la questione della massoneria, del governo repubblicano e i diritti dell’uomo. Ci sono riferimenti ripetuti a tutti questi argomenti. Quanto è benevolo ed intelligente questo apostolo americano, più dei santi dodici, anche aiutati da Paolo! Ha profetizzato su tutti questi argomenti e sull’apostasia e decide, in modo infallibile, con la propria autorità, ogni questione. Com’è facile profetizzare sul passato o sul tempo presente!” (An Analysis of the Book of Mormon, 1832, p. 13) Campbell fa anche notare alle pagine 9-10 dello stesso testo che nel Libro di Mormon ci sono discorsi religiosi antimassonici riguardo alle società segrete (come i ladroni di Gadianton), anch'essi molto comuni all'epoca per via del complottismo di alcune figure religiose e il caso nato dopo la misteriosa scomparsa di William Morgan, nonostante diversi membri della famiglia Smith fossero massoni. Lo stesso Martin Harris riteneva che il Libro di Mormon fosse "la Bibbia antimassonica e che tutti coloro che non ci credono saranno dannati" (Geauga Gazette, 15 marzo 1831)
Lo storico mormone Richard Bushman in un AMA su Reddit del 2015 scrive che “[…] leggendo Alma nel Libro di Mormon, ho iniziato a cercare su Google lunghe frasi dai sermoni e queste apparivano in sermoni nello stesso identico contesto dottrinale. Tutti i discorsi su Gesù nel Libro di Mormon, la sua gloria diremmo, hanno un certo non so che del XIX secolo. Secondo me dovremmo diventare gli esperti di questo materiale e capire cosa ci dice sulla traduzione e la natura del testo." Anche lo scrittore mormone Blake Ostler sostiene che "molte dottrine del Libro di Mormon si spiegano meglio in un contesto teologico del XIX secolo."
Lo stesso re Beniamino che si fa costruire una torre per predicare al popolo che si è disposto in tende rivolte verso di lui (Mosia 2:6-7), riprende i camp meetings del secondo grande risveglio, dove i viaggiatori disponevano l'ingresso delle loro tende davanti alla piattaforma da cui il predicatore parlava.
Che i nativi americani fossero discendenti degli ebrei era un’opinione condivisa da molti nordamericani nel XIX secolo: era in voga il mito dei Moundbuilders (costruttori di tumuli), per cui si sosteneva che i nativi americani non fossero abbastanza avanzati da aver potuto erigere i notevoli tumuli che costellano gli Stati uniti come quelli di Cahokia (Illinois) o Serpent Mound (Ohio), ma che doveva essere stato qualche popolo originario del Vecchio Mondo, magari discendenti delle tribù perdute di Israele, poi caduto nella barbarie o sterminato dagli antenati dei nativi americani. Per fortuna l'archeologia ha smentito da tempo questa leggenda degradante e razzista nei confronti dei nativi. Il concetto è importante anche per View of the Hebrews, un libro del 1823 che secondo il Settanta e assistente storico della Chiesa B. H. Roberts avrebbe potuto ispirare Joseph Smith nella stesura del Libro di Mormon. View of the Hebrews inizia parlando dell’assedio di Gerusalemme da parte di Tito, poi racconta di un gruppo di ebrei che fugge e arriva in America; qui si separano in due fazioni, una civilizzata e repubblicana e una barbarica dedita alla caccia che finirà per distruggere il primo. Si racconta anche di un nativo americano che dice che i suoi antenati avevano sepolto un loro antico libro perché non erano più in grado di leggerlo. View of the Hebrews ha la finalità di spiegare che i nativi americani sono discendenti degli ebrei e che invece di essere sterminati dagli Statunitensi dovrebbero essere convertiti per compiere il raduno di Israele, invocato con molte citazioni tratte da Isaia. (Studies of the Book of Mormon, redatto negli anni ’20 ma pubblicato solo nel 1985)
Il Libro di Mormon e in seguito Joseph Smith in numerose occasioni fanno riferimento alla lingua, alla conoscenza oppure all’astronomia egiziana (Nefi 1:2, Mormon 9:32). La spedizione archeologica sotto Napoleone in Egitto (1799-1801) diede inizio all’egittomania sia in Europa che negli Stati Uniti e Smith dimostrerà molto interesse anche quando comprerà le mummie con i papiri che daranno origine al Libro di Abrahamo e in vari testi in cui sosterrà di conoscere l’egiziano.
Altri eventi del Libro di Mormon vengono dalle esperienze personali di Smith e famiglia, per esempio il sogno di Lehi è ispirato a uno praticamente identico fatto da Joseph Smith Sr:
“Credevo di star viaggiando in un campo aperto e desolato che appariva molto brullo. […] La mia guida, che era al mio fianco come l’altra volta, disse: “Questo è il mondo desolato, ma prosegui.” […] Camminando per un altro breve tratto, giunsi a un sentiero stretto. Imboccai questo sentiero e, dopo averlo percorso per un po’, vidi un bel corso d’acqua che scorreva da est a ovest. Non potevo vedere né la fonte né la fine; ma ovunque arrivassero i miei occhi potevo vedere una fune che correva lungo la sua riva, posta a un’altezza che un uomo poteva raggiungere, e oltre c’era una vallata bassa ma molto piacevole nella quale sorgeva un albero come non ne avevo mai visti prima. Era estremamente bello, tanto che lo contemplai con stupore e meraviglia. I suoi bei rami si allargavano un po’ come un ombrello e reggeva certi frutti molto simili a un riccio di castagno e bianchi come la neve o anche più, se possibile. […] Mi avvicinai e cominciai a mangiarne e lo trovai delizioso oltre ogni descrizione. Mentre mangiavo dissi nel mio cuore: “Non posso mangiarne da solo, devo portare mia moglie e i figli perché possano prenderne parte con me.” Pertanto andai e portai la mia famiglia […] Nel mentre, vidi un edificio spazioso che si ergeva dalla parte opposta della valle nella quale eravamo e sembrava raggiungere il cielo stesso. Era pieno di porte e finestre ed esse erano tutte piene di persone vestite molto lussuosamente. Quando quelle persone ci videro in basso nella pianura, ci puntarono con dita di scherno e ci trattarono in ogni modo irrispettoso e disprezzante. Ma noi ci infischiammo completamente dei loro oltraggi. Poi mi volsi verso la mia guida e gli chiesi il significato del frutto che era tanto delizioso. Egli mi disse che era il puro amore di Dio, riversato nei cuori di tutti coloro che lo amano e osservano i suoi comandamenti. […] chiesi alla mia guida quale fosse il significato dell’edificio spazioso che avevo visto. Rispose “È Babilonia, è Babilonia, e deve cadere. Le persone alle porte e alle finestre sono i suoi abitanti, che scherniscono e disprezzano i Santi di Dio a causa della loro umiltà.” (Lucy Mack Smith, History, 1845, pp. 53-55).
I tesori che sprofondano nella terra e non si riescono più a recuperare, come in Helaman 13:35 e Mormon 1:18, sono la stessa scusa usata da Smith quando cercava tesori nascosti con le sue pietre divinatorie (come testimoniano negli affidavit di Hurlbut molte persone che lo frequentavano). Allo stesso modo, Moroni che protegge le tavole d'oro e che Smith trova con le pietre divinatorie riprende le storie dei cercatori di tesori dell'epoca.
I discorsi di eccezionalismo americano (1 Nefi 2, 13, 22; 2 Nefi 1, 10, Ether 2, 13 e così via) che parlano di come gli USA siano una terra speciale e scelta da Dio su cui non ci saranno re sono significativi, visto che Joseph Smith era nato una generazione dopo la guerra d’indipendenza americana: fa un po’ come Cuore, che era stato scritto per infondere l’amor di patria e la morale nella nuova generazione dell’unità d’Italia. Solomon Mack, nonno materno di Joseph, era un veterano della guerra d'indipendenza. Amici statunitensi, incensando il loro Paese e la sua origine divina, mi fecero realizzare quante somiglianze ci sono fra la versione idealizzata di George Washington (che dichiarò nel 1775 “Abbiamo imbracciato le armi in difesa della nostra libertà, delle nostre proprietà, delle nostre mogli e dei nostri bambini: siamo determinati a conservarle o a morire”, cfr. con Alma 46:12) e il capitano Moroni, che combattono contro gli uomini del re per la propria libertà e i diritti religiosi, idee che appaiono anche in lunghi discorsi politici sia in Nefi che in Alma e che gli Americani più patriottici amano ricordare e citare occasionalmente.
Nel libro sono presenti anche vari vaticinia ex eventu, descrizioni “profetiche” dettagliate di Giovanni Battista (1 Nefi 10:7), Maria (Alma 7:10), apostoli (1 Nefi 11:34), Cristoforo Colombo (1 Nefi 13:12), i Tre Testimoni (Ether 5:4) e anche Joseph Smith stesso (2 Nefi 3:15) incredibilmente specifiche quando si parla di eventi fino a Smith, ma parecchio vaghe quando si parla di avvenimenti successivi.
Si sostiene spesso che Joseph Smith fosse troppo ignorante per aver potuto dettare il Libro di Mormon, ma come si può vedere si era portato avanti grazie alla Bibbia, alla cultura dell’epoca e a esperienze personali che vennero inserite in svariate occasioni nel libro. La prima edizione del Libro di Mormon è poi ricchissima di errori grammaticali. David Whitmer, uno dei Tre Testimoni, dice che “Joseph Smith metteva la pietra divinatoria in un cappello e metteva la faccia nel cappello […] Appariva un pezzo di qualcosa che somigliava a pergamena e su quello appariva la scritta. Appariva un carattere alla volta e sotto questo c'era l'interpretazione in inglese. Il fratello Joseph leggeva l'inglese a Oliver Cowdery, che era il suo scrivano principale, e quando era trascritto e ripetuto al fratello Joseph per vedere se fosse corretto, allora scompariva ed appariva un altro carattere con la sua interpretazione” (An Address to All Believers in Christ, 1887, p. 12). Eppure, nonostante tutta questa precisione, erano presenti discrepanze, contraddizioni, errori gravi nella coniugazione di verbi, un uso sbagliato del pronome thou nelle sue varie forme (poco familiare agli anglofoni oggi, ma anche a Smith), di much e many, di preposizioni e anche una scelta di lessico impropria: errori provenienti da ciò che Smith stesso dettava e non da sbagli di Cowdery, come racconta David Whitmer. Molti di questi errori vengono in seguito corretti, ma mostrano un vocabolario e una costruzione testuale che mi sembrano provenienti proprio da Smith e dal suo stile più che da un dio infallibile.
Insomma, se il Libro di Mormon sembra molto moderno su certe tematiche non è perché è stato scritto “per i nostri giorni”, ma più semplicemente ai nostri giorni.
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2019.05.06 10:17 The-Old-Onee Meu primeiro relacionamento

A história do meu primeiro relacionamento foi algo que me marcou por um bom tempo. Até hoje, talvez.
Essa história pode não interessar muitas pessoas, mas aos que se interessarem, sejam bem vindos.
Tudo começou aos 6 anos de idade. Por isso, não esperem bastante maturidade vinda de mim. Na época em questão, eu havia acabado de me mudar com a minha família, e tinha entrado em uma escola pública. Foi nessa escola que encontrei a garota que viria a gostar.
Eu sempre vi muitas garotas bonitas em minha vida, mas nunca prestei muita atenção nelas, entretanto, algo me chamou atenção nessa garota. A propósito, pensei que poderia ser a sua beleza, mas isso não faria sentido por conta do fato anterior.
Sem nem mesmo conhecer um pingo de sua personalidade, eu acabei tendo a segunda paixão da minha vida, mais forte que a primeira.
Primeiramente, devo admitir que eu ficava muito sem jeito perto dela. Por isso, me impressionei comigo mesmo sobre como consegui pedir o seu telefone. As conversas eram inocentes, foçadas no meu herói de infância: Sonic.
Por favor, não ria.
Tive a sorte de descobrir que ela também era fã do Sonic, e isso unia as nossas conversas. Sem contar as minhas piadas sem-graça que sempre arrancavam um riso dela.
Depois de um tempo, as conversas terminaram. Não pude ligar para ela por um tempo, e logo perdi o seu número de telefone. Tímido, com vergonha de pedir novamente seu numero, aquela foi a última vez que eu conversei com ela no Ensino Fundamental.
Da segunda até a quarta série, eu estive gostando dela. Observando-a de canto, escrevendo seu nome em minhas coisas, imaginando um futuro promissor, até mesmo sendo motivado a ir para a escola simplesmente para ver o seu rosto. Uma criança apaixonada.
E com um óbvio mas bem escondido ciúmes quando rumores (falsos, no caso) de que ela namorava com o garoto mais inteligente da sala, começaram a surgir.
Eu, parabenizei ela por isso, mas amaldiçoei o garoto milhares de vezes, por dentro.
É uma das últimas vezes que lembro de ter dito algo para ela.
Quando passei para a quinta série, a escola escolheu uma nova escola da qual frequentaríamos, pois não tinha recursos para ter uma quinta série e além.
Fomos para a mesma escola.
Mas nada mudou, ficamos em salas diferentes. Nenhum dos meus amigos estavam ali, e para piorar, pelo meu jeito, passei a sofrer ofensas por outros colegas, das quais nunca me fizeram bem.
Ali, minha autoestima desmoronou completamente.
Eu sempre via ela algumas vezes, andando pelo pátio com os amigos, e talvez uma coisa que nunca cessou, foi minha paixão por ela.
Me lembro de um dia estar num evento de Festa Junina na escola. Cheguei cedo com a minha mãe, sentei em um banco no meio da praça, e ela sentou um pouco à frente. Queria falar com ela, mas nunca soube como começar.
Quando notei, ela se juntou com seus amigos, a conversa nunca aconteceu. Mas teria mudado algo afinal?
No meio daquele ano, eu me mudei mais uma vez. Dessa vez, fui para longe. Agradeci, nunca mais iria ver os retardados dos meus colegas, e como minhas notas eram baixas, não tinha o que perder.
Um dia, então, bem longe dela, passei a usar o Facebook. E por coincidência, encontrei o Facebook dela. Adicionei, e foi ali que a magia passou à acontecer.
Inicialmente, não me lembro de como ocorreu a primeira conversa, mas devo ter me apresentado, para ver se ela se lembraria de mim. Uma coisa que memorizo, entretanto, eram as sensações estranhas na minha barriga.
Eu devia ter o que? 9 ou 10 anos?
Fomos conversando, até chegar o dia da qual disse para ela como me sentia. Praticamente, disse que gostava dela. Nosso relacionamento nunca piorou, mas também não melhorou.
(Ps: uma das coisas que devo ressaltar, é que eu basicamente tinha medo da forma que ela reagiria. Por isso, nunca me declarei pessoalmente. Maldita covardia!)
Eu tentava sempre agir como um bom amigo. Tentava dar conselhos - me colocando no lugar dela - sempre tentava diverti-lá, no caso, sempre tentando encontrar um jeito de conquistar ela, até o dia que ela também passasse a gostar de mim.
Eu tentei ser o cara perfeito. Se eu consegui? Eu não faço a mínima ideia.
O tempo passou, e ela passou a ficar com outras pessoas. Quando ela ficava mal, eu sempre tentava animar ela. O ciúmes não era algo tão presente, pois no caso, eu só ficava interessado no bem-estar dela. Seus namorados eram um detalhe que eu procurava esquecer.
Enfim, um dia, o meu ciúmes me levou à entrar em discussão com um de seus amigos íntimos. Com esforço, eu consegui quebrar o relacionamento deles (isso soou tão mal).
A propósito, no início, ela falou que não terminaria com ele. Por isso, me senti inútil, e me afastei por um tempo. Bem decepcionado.
Quando voltei, ela havia me agradecido por ter ajudado a tirar o cara da vida dela. Nunca soube o porque, ela nunca me disse.
Enfim, nos reaproximamos, é nosso relacionamento evoluiu um pouco. Não tanto quanto eu gostaria.
Então, eu cometi um erro. Um grande, enorme, e fodido erro.
Basicamente, minha pessoa se cansou de ser o amigo consolador, e passou a ser mais impaciente com a situação. Então.. eu, com o meu jeito covarde de ser, chamei a própria pessoa que eu gostava, de oferecida.
O pior, foi em um post público. Com a clara intenção de humilhar.
Entramos obviamente em discussão, uma briga que nos afastou por um ano inteiro. Talvez, o melhor teria sido apenas conversar com ela e dizer o que sentia. Mas fui imaturo e inconsequente (sei que é praticamente a mesma coisa).
Depois que um ano se passou, eu tentei me reaproximar. Mas como dizem, um relacionamento é como uma folha de papel. As brigas amassam esse papel, e independente do que faça, ele nunca retornara ao que era antes.
Ela estava brava, brava com alguns amigos também, e eu acabei chegando nela situação. Basicamente, eu apenas tentei me desculpar.
Não me lembro, a propósito, se eu consegui. Mas depois de um tempo, acabei me afastando novamente.
Quando ganhei o meu primeiro celular, eu instalei o WhatsApp, e como não tinha muitos Contatos, pensei em adicionar algumas pessoas.
Eu já tinha ela como amiga, então pensei, porque não?
Aqui chegamos no terceiro e último arco dessa historia.
Pedi o seu número, e foi incrível como nossa relação prosseguiu x 0. Eu continuava sendo o mesmo amigo consolador, mas dessa vez, ainda mais apaixonado.
Consolei, ajudei, aconselhei, fiz tudo para ver ela feliz. Por mais que eu fosse um idiota completo, ainda tinha a felicidade dela como prioridade. Mesmo após anos.
Algo que devo citar, è ela dizer que na verdade sempre me amou, e na ocasião, namorou com outros caras simplesmente para me esquecer.
Eu não acho que precise afirmar que sempre estranhei aquela história, certo? Afinal, anos atrás, a mesma me trocou por outro cara.
Voltando ao assunto..
Foi então, que tendo ainda mais impaciência, eu falei o que queria falar há bastante tempo.
Por favor, porra, fica comigo?
(Ps: sim, foi virtual) (Ps2: não foi com essas palavras, obviamente) (Ps3: essa não è a sigla para PlayStation 3)
Ela aceitou, ótimo, não?
Os primeiros dias sendo seu namorado, mesmo que virtual, foram realmente maravilhosos. Acordar, e receber um bom-dia da pessoa que ama. Áudios, dizendo coisas carinhosas.. cada ação que te conquistava...
Os seis anos correndo atrás daquela garota valeram a pena naquele momento.
Obviamente, meu ciúmes aumentou. Quando ela falou que seu ex havia pedido uma foto dela para colocar como uma capa no perfil, eu não aguentei. Simplesmente dei um xilique.
O ciúmes realmente não è uma coisa saudável em situação alguma. Que sensação terrível..
Um mês depois, eu cometi outro grande erro.
Em um resumo, estávamos fazendo ciúmes um para o outro. Acontece que eu foi bem mais pesado, e não respondi ela por um tempo (1 hora).
Eu havia dito que estaria com outra garota, achei que a situação terminaria bem naquela noite. Vacilo meu.
Ela ficou completamente com ciúmes, não sei como a conversa seguiu, mas terminou com o fim do meu relacionamento com ela, e lágrimas silenciosas na noite.
Eu mesmo, terminei o relacionamento que demorei anos para construir.
Apesar de que o motivo do término foi outro. Basicamente, ela ainda gostava do ex, e eu, sabendo que não conseguiria dar para ela o que ela queria, libertei ela de mim.
Pode ter sido uma atitude meio corna. Mas sério? Eu nem sabia da existência dessa palavra.
Eu voltei a ser o amigo consolador. Mas agora, meu amor por ela começou a esfriar bem depressa.
Eu passei a evitar suas mensagens, responder apenas dias depois, fui me afastando sem notar.
Nesse tempo eu comecei a ficar mais quieto pessoalmente, motivos? Leia mais a frente.
Um dia, dando mais uma chance ao amor, eu tentei reatar com ela. Mas as palavras que me atingiram foram pior do que qualquer merda que eu possa imaginar.
“Eu te considero como um irmão”
Tipo... è sério isso?
Sim, è.
Como se eu sentisse que um buraco negro tivesse surgido no meu peito, um desespero tão grande, a sensação de rir de descrença enquanto chorava.
Era assim que as garotas dispensavam os caras agora?
Um simples não seria menos doloroso do que aquela resposta.
Eu sei que sou um completo babaca, fiz muita merda. Mas aquilo nunca tirou o meu direito de se sentir triste.
O resultado? Eu me afastei completamente dela.
O fim do meu relacionamento me trouxe uma resposta interessante: nada è como você pensa que vai ser.
Talvez, se essa história fosse um simulador de namoro, eu com certeza estaria vivendo o final ruim.
Se eu tivesse tido mais coragem no passado, e me declarado, talvez as coisas teriam sido diferente.
Quem sabe eu estivesse feliz hoje.
O foda disso tudo, foram os problemas familiares que por baixo sempre foderam com a minha mente.
Brigas o tempo todo, ameaça de divórcio, o xingamento pelos colegas, até mesmo ser traído pelo seu melhor amigo, essas coisas fodem com a cabeça de uma criança que nunca teve tantas dificuldades na vida.
(Apenas para avisar, éramos da classe baixa, graças ao meu pai, e ao meu bom Deus, conseguimos ir para a classe média. Mas desde lá de baixo eu já não sofria muito com isso)
Enfim, passaram-se os anos, ela começou a gostar de outras pessoas, e eu de outra pessoa. Um dia, entretanto, quando fui excluir meu facebook, eu encontrei nossas antigas conversas, que me acenderam uma pergunta:
Será que a culpa era minha?
De certa forma, sim. Minhas escolhas nos trouxe até aqui.
Por um bom tempo, eu vivi com aquilo na mente, até tomar coragem para enfim pedir desculpas.
Eu senti que precisava fazer aquilo para conseguir continuar vivendo em paz comigo mesmo.
Após anos, eu conversei com ela novamente. As respostas foram frias, diretas e mais cortantes do que Trimontina, mas eu aguentei.
A minha última conversa com ela, foi pedindo desculpa pelos meus erros. Se ela aceitou? Eu não sei.
Mas eu tentei. Mesmo que isso não viesse me trazer absolutamente nada de bom.
E esse è o final da minha história, sobre o final do meu primeiro relacionamento.
Aprendi com meus erros? Talvez, mas continuou um grande idiota que se esforça em aprender com as próprias merdas.
Mas agora digo isso para você, que está com vergonha de se declarar para seu amor secreto: simplesmente faça isso.
Se declarar pode ser algo difícil, pois você estará literalmente abrindo o seu coração sem a certeza de que será correspondido.
E quem saiba, esteja apenas se preocupando atoa, e tenha sim grandes chances,
Mas vai por mim.
Às vezes, è muito melhor receber um “não”, do que viver um futuro estruturado pela sua falta de coragem em dizer o que sente.
A vida è curta, mas o arrependimento è eterno. Por isso, apenas faça. Vá em frente, e se o garoto ou a garota apenas recusarem, não fique para baixo.
O mundo è feito de pessoas maravilhosas que podem te trazer a lua se você quiser. Basta você ter esperanças e nunca desistir do amor.
Enfim, aqui me despeço, e mais uma vez:
Não queiram viver o final ruim desse simulador de namoro que è a vida amorosa. Vá em frente, e corra atrás do que você quer.
Porque no final, aqueles que não desistem, sempre triunfam.
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2018.11.13 14:35 ZxdanixZ Altro Post ma è il mio Arrivederci (su Twitch) (No DiddoTherapy)

Ok, fermi. Calmi tutti. Se avete letto il titolo calate le torce, i forconi e i monkaS.
Questo post non andrà a parlare di cose tristi nè tantomeno uno sfogo da DiddoTherapy. Nonostante questo a molti di voi dispiacerà quello che sto per dire...
Come? Non siete dispiaciuti? Vi banno tutti DansGame.

Apparte le cazzate, volevo spendere tra le tante cose due parole a questo punto "conclusive" (?) se così posso chiamarle su quello che avete rappresentato TUTTI voi per me. Devo stare attento a non entrare in un DiddoTherapy per motivi precisi (uno solo in realtà) che vi spiegherò più avanti. Ma andiamo con ordine (cit),
non voglio girarci troppo intorno quindi ve lo sbatto dritto in faccia come farebbe Diddo ad una minorenne:
Abbandono Twitch.
Sì, ve ne avevo già parlato tempo fa, vi ricordate? Non avevo detto i particolari perchè era ancora tutto troppo confuso e non c'era quindi sicurezza concreta nei fatti. Ora... il motivo di questo mio "anticipato" abbandono è in parte collegato a quel lontano post che scrissi, ma sono successe delle cose che ne hanno fatto vertiginosamente anticipare il tutto.
Il punto è questo, il 22 Novembre compio 20 anni. E' un numero che mi terrorizza considerando il fatto che mi senti ancora quindicenne. Ci sono stati momenti nell'ultimo periodo (più che in precedenza) dove la mia testa mi ha fatto andare completamente fuori me stesso (alcuni di voi queste cose le sapevano) al punto di impazzire, non avere più controllo di nulla. A volte brevi sbalzi d'umore altre volte qualcosa di più duraturo e più difficile da gestire (e qui mi fermo). In contemporanea, un po' grazie anche all'aiuto dei miei genitori e dei professori sto ancora cercando di capire cosa abbia intenzione di fare una volta superati questi Esami di Stato. E' un periodo davvero difficile per quanto detta così sembri una cosa "banale" se si aggiunge il fatto che ogni giorno che passa la mia autostima sembri essere sempre più una completa estranea. Non entro in dettagli...
In mezzo a tutto questo ci siete voi. Tutto è iniziato quell'agosto del 2012 (ancora fatico a credere che sia passato così tanto tempo) quando per la prima volta vidi un ragazzo (il primo in italia) a portare gameplay con la webcam su youtube. Da quell'anno ne sono successe di cose, di belle e di brutte (più brutte che belle). Ora, in particolare dal Novembre 2018, mi è scattata quella scintilla che mi ha fatto dire basta, sento il bisogno di dover cambiare. Per fare questa cosa devo rinunciare momentaneamente a Twitch. E' davvero difficile darvi delle motivazioni così dal nulla perchè entrerei in un DiddoTherapy infinito. Vi avevo promesso che avrei portato anche quello, è vero... Ma mi sto rendendo conto che più passano i giorni più penso sempre a qualcosa che può "interferire" con i giorni (o addirittura mesi) passati. Per questo non voglio farlo, perchè non direi mai cose giuste, stabili per me. Essendo estremamente emotivo (come Jordy) riesco a cambiare stato d'animo in un battito di ciglia quindi mi sembra inutile entrare in argomenti che magari il mattino successivo non hanno più senso.
Vi basti sapere a voi che tra la scuola, famiglia e forse anche un po' più di vita sociale (incredibile ma vero) non riesco più ad avere tempo materiale ma sopratutto mentale di stare più dietro alle live.
Quindi a malincuore lascio questa piattaforma nella quale ho sempre trovato spazio per divertirmi.
Non fate i musoni che ci sono 2 buone notizie.
La prima è che vi sto parlando di un Arrivederci, quindi tornerò, sì. O almeno l'intenzione è quella. Non so quando, in che modo e in quale occasione. L'unica cosa che so per certo è che non accadrà così presto.
Inoltre (e con questo colgo l'occasione di ringraziare tutti voi per le bellissime serate passate insieme [compreso Jordy] e in particolare non posso non citare la Ilaria B A R A C C H I [sì, lo sto facendo pubblicamente Kappa] che mi ha supportato in modo molto incisivo in passato riguardo momenti davvero critici) sappiate che non sparirò completamente. Oltre ad essere sul gruppo wa della family potete trovarmi anche su instagram (mi chiamo 0danix0) e su facebook (senza che vi leako il nome, dovreste già saperlo), per qualunque cosa, anche semplici chiacchierate tra amici se si tratta di voi state certi che prima o poi vi risponderò :)
Grazie ancora una volta per questo bellissimo viaggio che mi avete fatto percorrere tra Youtube prima e Twitch adesso che a quanto pare sembri essere arrivato ad una destinazione. Chissà se ce ne saranno di altri con voi ancora più emozionanti...
Su Youtube quando mi capiterà mi guarderò sicuramente qualche spezzone di live giusto per non dimenticare il bellissimo (e autistico) ambiente che Jordy stesso ha creato su Twitch. Per una qualunque futura organizzazione di raduni o cose simili (anche Romics) prima del mio ritorno in live io sono disponibile, contattatemi dove volete.
Non dimenticatevi di me su Twitch e in generale <3 Ve se ama.
P.S. Per la tua risposta a questo post, Jordy, sappi che la ascolterò sicuramente in futuro magari su youtube o anche su twitch stesso se mi capita, vai tranquillo.
Buon proseguimento a tutti <3
Il Vostro Caro Mod Dani.
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2018.02.14 21:38 DeepNavyBlue [NFSW] Por que o sexo é proibido?

Depois de alguns discordarem da minha opinião que o sexo deveria ser algo liberal. Eu realmente gostaria de saber dessa opinião puritana de vocês, a única coisa que me veio a mente foi religião, é pecado e etc.
Eu realmente não entendo porque não pode passar na rua, a menina tá afim, o cara tá afim e se amar na praça como dois animais.
E vou muito mais longe, a mulher tem muitíssimo menos pudor do que o homem.
Nice shoes wanna fuck? Mude minha opinião.
Ah por favor, não me venham citar leis.
Edit Acho que foi uma conversa proveitosa. Compreendi que existe muito pudor e também faz muito sentido estar no roll da preservação da espécie. Mas o pudor aparenta ser o peso maior. Maldita maçã!
Se eu te amo e tu me amas E outro vem quando tu chamas Como poderei te condenar Infinita tua beleza Como podes ficar presa Que nem santa num altar...
Obrigado a todos! 🤗
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2018.01.26 16:52 porco-espinho Minha visão totalmente parcial, sobre como melhorar (e MUITO) a sua vida. Vi um post parecido em um finado forum uns sete anos atrás e isso mudou minha vida, agora chegou minha vez de contribuir.

Faz algum tempo que estou querendo escrever isso, não sou muito bom com textos, mas vou tentar dar o meu melhor aqui. Esse texto é o que eu enviaria para mim mesmo dez anos atrás, espero que ajude alguem. Você não precisa seguir tudo, isso não é uma biblia, é o que funcionou pra mim, adapte para o seu cotidiano/vida e tire o melhor.
Isso não é uma lista sobre como ser uma pessoa melhor, ou como mudar o mundo, e sim como ser totalmente egoista e melhorar a sua vida.
Nos meus cinco ultimos anos eu melhorei e muito a minha vida, hoje tenho meu próprio apartamento em uma capital, não preciso me preocupar com dinheiro, meu salário em 2018 é 15 vezes maior do que meu sálario em 2013 e tenho conquistado muito mais do que eu um dia poderia imaginar cinco anos atrás. Isso foi só pra chamar a sua atenção e ver que você tambem pode mudar sua vida.
Desative as notificações do seu celular - Não vou citar links aqui, mas cinco minutos de Google você acha milhares de pesquisas, fortemente fundamentadas, que mostram que milhares de pessoas não conseguem mais sentar e manter o foco por mais de 30 minutos por estarem viciadas em interrupções. Sério, desative as notificações e pare de checar seu celular igual louco, se alguma coisa realmente séria acontecer, você vai receber uma ligação te avisando. Você não precisa estar 24 horas por dia disponivel no WhatsApp ou no Facebook. Essa simples mudança vai te trazer beneficios incriveis, acredite.
“Suspeita é uma armadura pesada e o seu peso dificulta mais do que protege.” — Robert Burns
Se desinforme - Sério, o que mudou na sua vida desde que a Dilma caiu ou o Eduardo Cunha foi preso? Você acha mesmo que todo o tempo/energia que você perdeu lendo matérias e acompanhando esse caso valeu a pena? Ler noticia sobre o que não tem influencia direta na sua vida é entreterimento, é a mesma coisa de assistir uma novela, sempre tem um gancho no final pra tentar te fazer voltar no outro dia e ler mais. Isso tambem vale para outros tipos de entreterimento disfarçado de conhecimento, sério, qual o valor que te agrega saber "Como funcionam os buracos negros" sendo que você trabalha como Nutricionista? É puro entreterimento, trate esse tipo de conteudo como tal, perder horas no youtube em canais de ciências não são horas produtivas é só tempo jogado fora.
“A verdade pode às vezes machucar, mas ilusão causa mais malefícios.” — Vanna Bonta
Ninguem vive de amor e ideais - Sério, não vivemos em uma roda hippie, somos um mundo capitalista e isso NÃO VAI MUDAR, se acostume e aprenda a viver nele. Você precisa de dinheiro e quanto mais melhor, é muito mais fácil você ser feliz gastando seus finais de semanas com viagens incriveis do que discutindo na internet sobre seu politico preferido.
“Resistência é inútil.” — Doctor Who
O sistema pune aqueles que não seguem seus padrões - O sistema É PRECONCEITUOSO, se você é homem, você NÃO VAI ser professor infantil. Você pode passar a sua vida inteira lutando por isso, mas não vai valer a pena, sério, vai ser cinco vezes mais dificil pra você do que para as pessoas que estão competindo com você, escolha outra coisa e segue a sua vida. Você pode até pensar "aah, mas se eu não lutar isso nunca vai mudar", isso é verdade, mas esse post aqui é como melhorar a SUA vida e não o mundo, só aceite que tem coisas fora do seu alcance.
“O mestre compreende que o universo é para sempre fora de controle.” — Lao Tzu
Mantenha suas opiniões para você mesmo - Pessoas levam tudo para o lado pessoal, se você é a favor do aborto ou contra ele, não importa, se alguem te perguntar simplesmente fale "eu ainda não li o suficiente". Você não quer que a pessoa lembre de você como alguem que tem a opinião errada (do ponto de vista dela), então melhor se manter sempre na zona neutra. Evite qualquer tipo de polêmica, como aborto, futebol, religião, politica, liberdade sexual, etc... Já vi pessoas perderem a chance de serem indicadas para vagas incriveis só porque quem poderia indicar não concordava com a posição politica da pessoa em questão, é errado, mas acontece e você não quer ser vitima disso. Publicamente o quão mais perto dessa pessoa você estiver, mais chances você terá: Relacionamento heterossexual estável, visão politica neutra, academia em dia, religião tradicional, financeiramente estável e pontual alem claro das coisas que serão cobertas no tópico a seguir.
“Cedo ou tarde, todos lidam com as consequências.” — Robert Louis Stevenson
Existem padrões de beleza, siga-os - Exatamente a mesma questão dos preconceitos, quanto mais dentro dos padrões você se adequar, mais fácil será sua jornada e não vale a pena lutar contra. Se você é homem, precisa manter sua barba e cabelo sempre bem feitos, se é mulher precisa ter sempre sua maquiagem, unhas e cabelos alinhados. Sempre mantenha o pensamento "eu preciso estar sempre pronto para ir em uma balada cara, ou em um bar de alto nivel". Sempre seja alguem bem arrumado, cheiroso e com a academia em dia. Aquele cabelo colorido ou penteado "da moda", só vai fazer a sua jornada ficar mais dificil, não vale a pena. Aqui tambem entram tatuagens, sério, o preconceito existe, e o simples fato de você ter uma, já reduz estatisticamente suas chances de crescer na vida, evite, não vale a pena.
“Em geral, o orgulho está no fundo de todos os grandes erros.” — Steven H. Coogler
Não confunda hobbie com profissão - Só porque você gosta de tocar violão, não significa que você vai conseguir ganhar dinheiro com isso.
“A única coisa que constitui o fundamento de uma mudança positiva é o serviço a outro ser humano.” — Lee Lacocca
Escolha sua profissão de maneira analitica - Você deve escolher sua carreira de acordo com o que você tem disponivel. Querer ser um Fisico Nucear e morar no interior do Amapá não vai te facilitar em nada e dificilmente valerá a pena. Pesquise, pesquise e pesquise, veja quais vagas as empresas da sua região estão contratando. PERGUNTE as pessoas que já trabalham, sabe aquele seu tio que trabalha numa multinacional e faz rios de dinheiro? Pergunte pra ele quais são as vagas mais dificeis da empresa preencher. Faça uma lista com os maiores salários das vagas que você encontrar, veja quantas vagas estão disponiveis e veja a rotatividade com que essas vagas aparecem. Quanto mais tempo, você demorar escolhendo e analisando, maior a sua chance de sucesso. Você vai perceber que tem monte de empresa pagando R$3500,00 mensal em vaga que só precisa de um curso técnico (normalmente bem especifico) que você faz em seis meses ou menos.
“Se você não fizer as perguntas certas, você não irá obter as respostas corretas.” — Edward Hodnett
Faça o que ama e nunca trabalhará um dia é a maior mentira que já te contaram - Mesmo se você for jogador profissional de video-game, jogar o mesmo jogo todo dia das 08h até as 18h durante dois anos, vai deixar aquilo chato, entediante e previsivel, vão ter dias, semanas e meses péssimos, não importa a sua profissão. Já que vão ter dias péssimos é melhor você garantir que o seu sálario faça-os valer a pena. Melhor ter um mês péssimo e ir pra Londres tirar férias, do que ter um mês péssimo e passar o final de semana assistindo Netflix e contando as moedas pra pedir pizza.
“A verdade o libertará, mas primeiro ela vai lhe fazer infeliz.” — James A. Garfield
Começe a trabalhar o mais cedo possivel - Quando você está dentro de um mercado de trabalho, você vai começar a perceber quais são as vagas mais privilegiadas, quais tem mais mercado, quais tem um futuro mais promissor e vai ter uma noção ainda melhor de como você deve se especializar. Eu diria que o ideal é você sair do ensino médio e começar a trabalhar durante o dia e estudar de noite e quando eu falo em emprego é algum trabalho que realmente vá te ajudar a crescer, nada de caixa do McDonalds, é melhor fazer estágio de graça dentro de uma empresa grande do que ter um sub-emprego ganhando mil reais.
“O descontentamento é a primeira necessidade do progresso.” — Thomas Edison
É muito bom ser foda - Sério, você não tinha orgulho quando só você tirava 10 naquela prova que todo mundo foi mal? Então, é essa a sensação que você tem que perseguir pelo resto da sua vida.
“Confie apenas em si mesmo, e outro não deverá traí-lo.” — Thomas Fuller
Seja o melhor - Essa parece óbvia, mas tem muita gente que não leva isso à sério. Porque o projeto mais dificil fica com a pessoa X e não com você? O que ela tem de melhor? Descubra e COPIE, você vai ter que ficar melhor que aquela pessoa. Sempre mantenha em mente o seguinte: "Se a empresa cortar metade da minha equipe, eu tenho que garantir que sou bom o suficiente para não ser nem considerado nesse corte".
“Não pode haver progresso sem confronto direto.” — Christopher Hitchens
Não existe "dom" - Pra você ser bom em uma coisa é só uma questão de investimento de horas. SÉRIO! Se passar três meses, desenhando por 14 horas por dia, você vai ter investido 1260 horas (33014) em desenho, e você vai ficar FODA em desenho, sério, você vai passar do nivel "boneco de palitinho" para o nivel "Monalisa". Vai ser fácil? Não, nunca disse que era um caminho fácil, mas só depende de você.
“Ficar parado é a morte. Se não mudar, você morre. Simples assim, assustador assim” — Leonard Sweet
Fuja de vagas de gerencia de pessoas enquanto você é novo - Essa aqui foi uma dica que eu recebi e nunca esqueci. O exemplo é o seguinte: Você é designer na empresa X, numa equipe com outros N designers e todos vocês tem um Diretor de Arte, se esse diretor sair da empresa é MUITO MAIS PROVAVEL, que a vaga dela vai ser assumida por algum outro designer que já estava no time à bastante tempo e conhece toda a dinâmica da empresa. O que isso significa? Se você trabalhar numa empresa como Diretor de Arte por 3 anos e quiser mudar de empresa, vai ser MUITO mais dificil, de você encontrar outra vaga no mesmo como Diretor de Arte do que encontrar outra vaga como designer. Sério, só vá para vagas de gerenciamento quando tiver certeza que você quer ter muita estabilidade e não vai querer mudar de emprego em curto/médio prazo. Ficar preso numa empresa que você odeia porque não consegue achar outro emprego que tê pague tão bem quanto o seu atual é uma merda, você não vai querer isso.
“A verdade foge a todos os padrões.” — Bruce Lee
A ideia do post não é ser ofensivo, só estou sendo direto sobre coisas que acontecem no dia-a-dia, o mundo não é perfeito e não é um morango encantado, mas com esses truques simples sua vida vai ser MUUUITO mais fácil.
Mais uma vez, a ideia do post é melhorar a SUA vida e não o mundo, então eu entendo que muitas pessoas vão discordar de alguns pontos, já que são feitos de uma visão bem "egoista", mas isso vai de cada um sobre como aplicar isso e até onde vale a pena.
Peço desculpas antecipadas por erros de portugues, acentuação, e sobre a estrutura do texto em geral, sei que tem muita coisa errada ai.
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2016.09.12 12:10 dozzinale [rant] Storie d'amore, viaggi e l'incommensurabile tristezza delle rotture

Va che non son stato bravo mai a scrivere, però oggi io e la mia ragazza ci siam lasciati (ovviamente sto cercando una museruola per il mio cuore che grida), e non son qui a raccontarvi del perché o del percome, di come abbia ragione lei oppure io, o di qualsiasi altra cosa possa venirmi in mente. Vi voglio raccontare, a mo' di sfogo, perché /italy mi pare adatto, allo scopo, della manifesta concretezza di una partenza, della paura che arriva prima della partenza e dello straordinario momento in cui non si san più distinguere le certezze dalle ipocrisie.
Faccio un (semi) lavoro dove risulto ancora uno studente, uno di quei lavori con le sigle fighe, che risaltano agli occhi, che dura un qualcosa come tre anni e un po' di questo tempo lo devi passare fuori, all'estero, lontano dal tuo ufficio, dalla tua casa, dai tuoi affetti; per me, questo tempo coincide in circa novanta giorni, tornerò nella madre patria per Natale, a rimembrar di come si prospettava una festività bellissima, quest'anno, e invece (forse) no.
Si (era) è in una storia d'amore di quelle che non si possono conoscere né capire né comprendere, di quelle in cui se non si soffre, dai, non si vive. Si (era) è in una storia d'amore malata, in cui a me va di dare tutto, perché parliamoci chiaro, che si ama a fare, se non si ama alla follia? Datemi un'altra definizione, allora, ma non quella dell'amore. Dicevo: io un ventisettenne, lei un po' più piccina, stessa università ma corsi diversi, io non ne seguo più, di corsi, ma ne tengo, una birra qui, un libro lì, un po' di musica la e la meraviglia di vivere in simbiosi per un anno e passa, dove la mattina, se guardi bene, comprendi nella vita che l'alba è arrivata solo per farti vedere meglio lei, e il tramonto arriva frettoloso perché devi metterci un po' di tuo, e immaginarla al buio, tra le tue dita.
Tra una settimana, circa, parto, per questi famosi novanta giorni, e in un culmine di bugie, ipocrisie, nefandezze, la famosa frase "non posso sopportare la tua partenza, ma ti amo, ti amerò, ci sarò sempre per te, blan" però ovviamente ci si deve lasciare, e a me viene spontaneo citare quella famosa canzone che fa If I leave you it does not mean I love you any less, che a me è sempre sembrata una grande cazzata, a dir la verità.
E quindi finisce qui, la mia idea del grande amore, la mia idea della fiducia e dell'amare incondizionatamente; che non è neanche la prima volta, che sono un giovincello et simila, ma pensare senza la minima paura ad un tempo pieno di lei (dove lei è il mio amore, per te il tuo, per lei o per lui il suo e così via) fa sempre male. Il coraggio è bello, ma fa male.
E voi su /italy, che mi dite? Avete avuto esperienze simili? Cosa ne pensate?
Grazie (seriamente, grazie).
EDIT: non fate downvote a chi dice di scopare etc, li capisco, e tutti noi abbiamo reazioni e relazioni diverse verso l'amore. È anche vero che il loro commento non è pertinente alla mia domanda, però vabbeh.
EDIT2: probabilmente il vero motivo sta in un altro tizio, niente di più banale. Peccato non aver le prove dirette!
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2016.07.31 00:32 o_humanista FLUSSER E A LIBERDADE DE PENSAR ou Flusser e uma certa geração 60.

"Nasci em Praga em 1920 e meus antepassados parecem ter habitado a “Cidade Dourada” por mais de mil anos. Sou judeu e a sentença “o ano vindouro em Jerusalém” acompanhou toda a minha mocidade. Fui educado na cultura alemã e dela participo há vários anos. Embora minha passagem por Londres em 1940 tenha sido relativamente curta, ocorreu em época de vida em que a mente se forma de modo definitivo. Engajei-me, durante a maior parte da minha vida, na tentativa de sintetizar a cultura brasileira, a partir de culturemas ocidentais, levantinos, africanos, indígenas e extremo-ocidentais (e isso continua a fascinar-me). Atualmente moro em Robion, sul da França, integrando-me no tecido de aldeia provençal cujas origens se perdem na bruma do passado".
Este é o Flusser que conheço (e aprendi a conhecer) ao longo de espaços e tempos os mais descontínuos. Figura humana impressionante, dessas que causam impressão de matriz em nossos núcleos pessoais. Mesmo não havendo empatia, no primeiro ou nos encontros subseqüentes, jamais se fica neutro. Flusser ama o desafio, o “corpo a corpo” intelectual provocando-o mesmo, quase como a um gesto iniciático. E que venham as críticas, elogiosas ou não, tanto faz! “Um marco na cultura alemã”; “Um desrespeito filosófico, de Platão a Wittgenstein”: as duas críticas diametralmente opostas lhe foram dirigidas por ocasião de um seminário em Hamburgo sobre seu livro 'Para uma filosofia da fotografia'. Flusser relata a cena com a melhor das gargalhadas – traço personalíssimo do caráter desse autêntico homo ludens, um Macunaíma judeu-tcheco-paulistano. Em sua última passagem por São Paulo, a convite da 18ª Bienal para proferir palestras, ouvi-o falar sobre seu tema atual: texto/imagem. As sentenças, destiladas pelo “rigor da razão-e-da-paixão” (como Flusser, poucos conseguem amalgamar), eram como chicotadas, querendo sacudir-nos da letargia a que nos condena uma época ruidosa; querendo incomodar, para que não se tenha a ilusão de não sermos responsáveis e que o pensar e repensar tudo não vale mais a pena. Mas aquelas sentenças queriam também abraçar, atrair novos e mais parceiros ao diálogo. Flusser sempre faz pensar. E pensar dói. Pois continua o mesmo, esse nosso amigo, escritor, filósofo, engajando-se para fazer da reflexão alimento de primeira necessidade, gesto corporal do ser, prazer erótico. Não há dúvida que, para ele, o homem total é o ser pensante.
"Participo da desconfiança em analogias que tendem rapidamente a se transformarem em metáforas, isto é, transferências de raciocínio adequado a um dado contexto para contexto inapropriado. No entanto, nada captaremos sem modelo. De modo que todo modelo deve, primeiro, procurar pescar o problema, e depois, procurar modificar-se, ou em certos casos, ser jogado fora. (...) O dever de gente como nós, é engajar-se contra a ideologização e em favor da dúvida diante do mundo, que, de fato, é complexo e não simplificável. Engajamento difícil, por certo, mas nem por isto, apolítico. Para nós, Polis é a elite decisória e não a tal massa".
A intenção que move este relato, que se quer subjetivo, é possibilitar um testemunho humano – não mais que isso – da vívida presença entre nós, geralmente incompreendida, super-sub-estimada, deste que é, por muitos, considerado “o genuíno filósofo brasileiro”-, já que falar de sua obra é tarefa que exigiria plena desenvoltura no percurso de seu controvertido pensamento. Se o faço, é certamente apoiada pelo afeto, mas sobretudo por um tipo de engajamento. Publicar Flusser, no Brasil, é questão de honestidade, simples reconhecimento do valor de suas reflexões. Mas falar sobre a pessoa de Flusser é, talvez, querer ir mais longe, penetrar floresta escura, já invadindo quem sabe espaço transpessoal.
"Aprendi o seguinte: ao nascer fui jogado em tecido que me prendeu a pessoas. Não escolhi tal tecido. Ao viver, e sobretudo ao migrar, teci eu próprio fios que me prendem a pessoas e fiz em colaboração com tais pessoas. “Criei” amores e amizades (e ódios e antagonismos); é por tais fios que sou responsável. O patriotismo é nefasto porque assume e glorifica os fios impostos e menospreza os fios criados. Por certo: os fios impostos podem ser elaborados para se tornarem criados. Mas o que importa é isto: não sou responsável por meus laços familiais ou de vizinhança, mas por meus amigos e pela mulher que amo. Quanto aos fios que prendem as pessoas, tenho duas experiências opostas. Todas as pessoas às quais fui ligado em Praga morreram. Todas. Os judeus nos campos, os tchecos na resistência, os alemães em Stalingrado. As pessoas às quais fui ligado (e continuo ligado) em São Paulo, em sua maioria, continuam vivas. Embora, pois, Praga tenha sido mais “misteriosa” que São Paulo, o nó górdio cortado foi macabramente mais fácil".
Quando o conhecemos – refiro-me a um grupo de jovens universitários dos anos 60, geração que cultivava um jeito de vivenciar intelectualmente a sua angustia e cuja ironia não havia ainda descambado para o deboche–, estávamos todos submersos no grande vazio que é a busca de sentido. Flusser, estrangeiro no mundo, apátrida por excelência, assistia a tudo, promovendo tudo. Mas entre o seu engajamento na cultura brasileira e o nosso destacar-se do pano de fundo habitual-nativo, uma sutil dialética se estabelecerá.
"Nós os migrantes, somos janelas através das quais os nativos podem ver o mundo".
Seria ele, para nós, esta janela?
"Mistério mais profundo que o da pátria geográfica é o que cerca o outro. A pátria do apátrida é o outro".
Seríamos nós, para ele, esta pátria? Nós, jovens daquela geração niilista, vivenciávamos a saga de uma época em que, após ter aplaudido o célebre protesto de estudantes na Europa, nada passava mais a ter significado. Os anos 60, se de um lado traziam marcas como a rebeldia dos Beatles, a revelação do sexo, e a partir daí, o culto ao amor livre do movimento hippie e a escalada social do bissexualismo; o fracasso da potência americana no Vietnã, onde a inteligência venceu as armas, num combate que utilizou cobras, abelhas e bambus; toda uma poesia desordenada e todo um desencanto às coisas e aos valores estabelecidos, por um lado, deixou farrapos de um derradeiro “romantismo”: desejo da mão jovem querendo reconstruir o mundo e impedida pelos velhos (como sempre foi); o olhar do mundo culto e politizado para o primeiro movimento de objetivos definidos na América, ao som do slogan “cubanos si, yankees no”; a resposta de uma “geração triste” que começava a se redimir pela música e a poesia (“Tropicália” e os “Novíssimos”, apenas para citar alguns). No campo da Filosofia, Sartre, Camus e demais existencialistas marcavam a juventude intelectual brasileira, embora a grande maioria não tivesse acesso a tudo isso. O escritor Jorge Medauar é quem diz: “O Brasil não tem linha filosófica definida porque não tem pensadores”. Nosso grupo, porém, era privilegiado: freqüentávamos a casa de Flusser. Lá se canalizavam os turbilhões, ventos e brisas do mundo filosófico, em tertúlias que se alongavam por sábados e domingos, e quantas vezes não éramos surpreendidos por Guimarães Rosa, Samson Flexor, Vicente Ferreira da Silva! Flusser foi se revelando professor, cercado por aqueles moços e moças, de modo doméstico e peripatético (embora sempre sentado em sua cadeira no jardim-de-inverno, nos fundos daquela casa, no Jardim América) envolto às fumaças de seu cachimbo inseparável. Não há como apagar os primeiros passos na filosofia ensinada, transmitida assim... Paideia construída pelo con-viver, em chão de concretude, por um “modelo” vivo de existência. Tudo isso plasmou as nossas mentes, interagindo hoje na circunstância em que vivemos. Caso clássico de influência poderosa de patriarca intelectual – não faltará quem o diga. Alguns, não suportando o peso de tamanha in-formação, hoje o renegam e se refugiam nos cantos matreiros do inconsciente, omitindo-se ao confronto. Não lembraria Flusser, em certo aspecto, a personalidade de Freud? Como ele – subversivo, judeu, emigrado – também não foi aceito pelo establishment acadêmico, criando afetos, desafetos e uma fieira de pupilos dolorosamente estigmatizados. Ao longo dos trinta e um anos em que viveu na circunstancialidade brasileira, Flusser desenvolveu seu modo de pensar com um vigor e originalidade que cunham um de seus traços inconfundíveis – o que lhe valeu imagem mitificada, e até certo ponto, desconcertante para certos eruditos, que, tantas vezes, com ele se digladiaram. Como Nietzsche, Kierkegaard e tantos outros, Flusser não se propôs a construir um sistema filosófico. Seu pensamento é um fluir generoso que se vai tecendo fora de velhas ou modernas malhas, dentro da urdidura fundante que é a linguagem – “morada do ser”, como a nomeia Heidegger. Seu mergulho nas correntes da Fenomenologia levou-o à Filosofia da Linguagem, seu campo predileto, ao qual dedicou vários ensaios, livros e cursos. Chegou até a criar uma coluna em jornal (“Posto Zero” na Folha de São Paulo, de 1969 a 1971), onde fazia uma espécie de análise fenomenológica do cotidiano brasileiro. Quando escreve, e o faz como quem respira o ar fresco das manhãs, Flusser traduz e retraduz o mesmo texto para as línguas que domina: alemão, inglês, português, francês.
"Sinto-me abrigado por, pelo menos, quatro línguas, e isto se reflete no meu trabalho, uma das razões pelas quais me interesso pelos fenômenos da comunicação humana. Reflito sobre os abismos que separam os homens e as pontes que atravessam tais abismos, porque flutuo, eu próprio, por cima deles. De modo que a transcendência das pátrias é minha vivência concreta, meu trabalho cotidiano e o tema das reflexões às quais me dedico".
Max Planck, em sua biografia, diz que para haver uma idéia original são necessárias duas condições: que o “criador” esteja livre e que morra toda uma geração, porque apenas a seguinte poderá compreendê-la. Os contemporâneos estão comprometidos e escravizados, por isso se assustam com o novo. Eis, numa palavra, o pecado de Flusser: pensar o novo e, para tanto, estar livre. Qualquer pessoa que entra em contato com suas idéias percebe o quão ligadas estão ligadas com o que acontece à sua volta. Não se pode delimitar as bases de seu pensamento, porque ele está constantemente correlacionado a fatos, não importa de que natureza. A aguda capacidade de observar o mundo e captar a atualidade, filtrando a ambos pelos conceitos clássicos e construindo os seus próprios conceitos, tornam Vilém Flusser o pensador para a época “pós-histórica” que atravessamos. É precisamente a consonância entre observação dos fatos e sua resultante reflexão que nos dá a sensação do verdadeiro. Mas, para que tal sensação conduza à verdade, o que ainda nos falta? Aqui transcrevo pergunta feita ao psicanalista Isaías Kirschbaum, que após driblar com mestria: la reponse est la mort de la question...(que analista, afinal, não tem necessariamente de ser filósofo...) assim respondeu: “Consenso é que dá cunho de verdade”. Daí, minha indagação: teria sido o meio cultural brasileiro – e o paulistano em particular – propício à formação de um consenso ao pensamento flusseriano, consenso que, por sua vez, teria de ser o fruto maduro de exercícios de crítica responsável e consciente por parte da comunidade pensante?
"Migrar é situação criativa, mas dolorosa. Toda uma literatura trata da relação entre criatividade e sofrimento. Quem abandona a pátria (por necessidade ou decisão, e as duas são dificilmente separáveis), sofre. Porque mil fios o ligam à pátria, e quando estes são amputados, é como se intervenção cirúrgica tenha sido operada. Quando fui expulso de Praga (ou quando tomei a decisão corajosa de fugir), vivenciei o colapso do universo. É que confundi o meu intimo com o espaço lá fora. Sofri as dores dos fios amputados. Mas depois, na Londres dos primeiros anos da guerra, e com a premonição do horror dos campos, comecei a me dar conta de que tais dores não eram as de operação cirúrgica, mas de parto. Dei-me conta de que os fios cortados me tinham alimentado, e que estava sendo projetado para a liberdade. Fui tomado pela vertigem da liberdade, a qual se manifesta pela inversão da pergunta “livre de quê” em “livre para fazer o quê”. E assim somos todos os migrantes: seres tomados de vertigem".
Sei que Vilém Flusser tem algo a nos dizer. Algo para nos inquietar. Sejamos livres para ouvi-lo. E exerçamos com liberdade o direito de pensar.
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2015.04.02 22:17 ecotornillo Descomposición, una más

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Montiel entiende que el orden de la candidatura tenía un motivo y se mostró partidario de mantenerlo aunque ello suponga que alguno de los más votados deba pasar a puestos de no salida”. Si esto sucede, si esto se permite, si el dedo se impone a lo que la gente quiere, si los intereses personales están por encima de la voluntad de la gente que ha votado, es que estamos metidos en una inmensa mentira. Si este va a ser el resultado de las votaciones, que me las salto, porque no me gusta como ha quedado la lista, no entiendo para que se hacen, salvo que se quiera engañar a todo el mundo y para eso creo que ya tenemos otros partidos. La dirección nacional no puede permitir estas tropelías, y tengo muchas dudas de que el Sr. Montiel sea un representante válido, si estas son sus verdaderas intenciones y su manera de hacer política, al margen del desprecio absoluto que se hace a otros compañeros de PODEMOS que han sido apoyados por los ciudadanos. Si ha salido gente en la que no confías, porque eso es lo que estás diciendo con estas declaraciones, ¿Para qué los llevas en las lista? ¿De relleno? Si solo confías en 40 ó 50, por citar un número, haz una lista de 40 ó 50 y deja que se integren otras corrientes, pero no, es mejor hacer lista completa, aunque no se confíe en ella, y no dejar nada para otros que piensan de otra manera, y si además tienen la intención de no cumplir con el resultado de las votaciones, pues ya está todo dicho. Me integré en PODEMOS porque pensé que era distinto, eso nos ofrecieron. Nunca me he presentado en lista o cargo alguno, porque siempre he pensado que eso no era importante, que lo importante era tener unos representantes que escucharan la voz de la ciudadanía, y si lo ciudadanos decidimos, no importa quien nos represente. Siempre pensé que nuestros representantes pedirían el apoyo y la ayuda de las bases que representan, y ahí estaría mi papel, como el de tantos otros, ofreciendo cada uno lo que es capaz de dar para el interés de todos. Pero lo que nos va contando el tiempo, es que algunos órganos de dirección se están apartando de las bases y del espíritu de PODEMOS, y eso solo puede suceder por intereses particulares, algo muy alejado del interés general y con lo que no puedo estar de acuerdo, ni por tanto apoyar. He defendido a PODEMOS en los distintos foros y medios “hostiles” en los que participo, como algunos sabéis, desde su inicio. Lo he defendido por convencimiento, no por fanatismo. Me siento incapaz de defender algo en lo que deje de creer, y que se aleje mucho de lo que un día me motivó a integrarme en este movimiento, porque la verdad no solo se corrompe con la mentira, también con el silencio. Si la maniobra que pretende el Sr. Montiel, SG de la Comunidad Valenciana, se lleva a cabo, dejaré de ser miembro activo de PODEMOS, y en los mismos foros donde he defendido con pasión a PODEMOS, reconoceré mi error. A mí no me cuesta reconocer mis errores. La verdad y la transparencia más absoluta deben estar por encima de todo. Posiblemente a nadie importe una baja más o menos, pero me temo, para los que piensen así, que muchas más personas serán de mi misma opinión. Me siento incapaz de salir a la calle y venderle a los ciudadanos algo que sé que es mentira. Puedo dejarme la piel por algo en lo que creo, ser crítico, siempre en sentido constructivo con el ánimo de mejorar, pero no soy capaz de vender humo. Eso es superior a mi. Hace ya unos días, dije esto en un comentario dando respuesta a una compañera: “El gran problema de PODEMOS no vendrá de Venezuela, ni de todo lo que inventen de nosotros, vendrá, y viene, de todas estas actuaciones que son idénticas a las de los partidos que intentamos desalojar”. Lamentablemente, acciones como las que intenta el Sr. Montiel, me dan la razón. Un proverbio chico dice que para salir del pozo, lo primero que hay que hacer es dejar de cavar. Dejemos de cavar, y empecemos a mirar la manera de salir, pero si una parte no quiere, el pozo se irá haciendo cada vez más profundo. Y una gran frase de Mark Twain, “Es más fácil engañar a la gente, que convencerla de que la han engañado”. En esto se sustenta parte de la política del PPSOE, pero yo me niego a que sea el apoyo de la política de PODEMOS. Y por terminar, se supone que todos somos PODEMOS, que no deberían existir líneas oficialistas y “otras”. Aunque tengamos diferencias de opinión, el objetivo debe ser único y el mismo, pero respetando los principios y el espíritu de PODEMOS, que de no corregirse, cada día se irán diluyendo un poco más, hasta que dejen a PODEMOS en algo irreconocible y que nada tenga que ver con lo que generó tanta ilusión en tanta gente. Saludos a [email protected]. 24 comentarioscompartirguardarocultarregalar goldreportar ordenado por: mejores
ayuda de formatoreddiquette Save [–]kzlove 4 puntos 4 hours ago Lo siento pero no me fio de nada que venga de "el mundo" Entiendo que lo primero, es constatar directamente, cual es la version del SG enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]Hartoman[S] 3 puntos 2 hours ago Yo tampoco le doy credibilidad al Mundo, pero en este caso, por lo que conozco, sí que dice lo que está pasando. enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]virauli 4 puntos 2 hours ago Bueno, a ver, ¿Cómo puede decir eso?..La verdad a mi el SG, Antonio Montiel ni me gustó, ni me gusta un ápice. Nada de nada. Ya lo dije en un hilo en la Plaza de la Cdad.. Tan es así, qué sintiéndolo mucho a la Generalidad no voy a votar a este señor. Votaré a Compromíis. De verdad que lo siento.. Es más viendo la lista leo que Copete está en el lugar 101 y tiene más votos que el 100, ¿ y eso por qué?..Saludos. . enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]LosDeAbajoPodemos 2 puntos 2 hours ago +1 enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]raulor 1 punto an hour ago +1! enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]hortensfa 2 puntos 2 hours ago espero que se respete el resultado de las primarias, en la Comunidad Valenciana ya hay bastante decepción por culpa de algunos hoy candidatos y sus malas practicas, la cosa es mas grave de lo que parece, o se juega más limpiamente y se frena a los arribistas, que se están dedicando a desprestigiar a los militantes de buena fe, o terminan con Podemos antes de que halla enraizado. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]Alder1 1 punto 3 hours ago Me identifico con gran parte de tu escrito, espero que reflexionen y vean que se está cometiendo algún error, y no pasa nada! pero si está habiendo una deriva que cada vez se aleja mas del espíritu del principio. Todavía me queda esperanza.... pero cada vez menos ilusión. Abrazos. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]javier-b 1 punto 2 horas atrás Si esto fuese cierto, que hay que confirmarlo porque viene de donde viene, para mi habría que revocar a ese SG inmediatamente. Las normas son las que son, las hemos aprobado entre todos y hay que respetarlas cuando te gusta el resultado y cuando no. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]Hartoman[S] 1 punto 2 horas atrás Esto es cierto. y quizás todo derive por un problema en Alicante que no son capaces de enfrentar ni intentan solucionar, y unas cosas llevan a otras. enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]Hartoman[S] 2 puntos 2 horas atrás De todas maneras, este tema es muy fácil de solucionar. Que se pronuncie el Sr. Montiel o alguien autorizado del CC de la CV, que desmienta la información y que diga que se mantendrán las listas como han salido, que es como quieren los ciudadanos que han votado por ellas. De esa manera evitamos especulaciones de todo tipo. En cuanto a los que se pasan pro el hilo para intentar bajarlo, o votar negativo a los que opinan, me parece muy bien, cada uno es libre de actuar como quiera, pero ayudarán más emitiendo una opinión razonada de porqué están en contra de lo que digo. Este tema es muy serio, y puede asestar un duro golpe a PODEMOS. Debemos exigir una respuesta clara y que no deje lugar a dudas. Si se han hecho esas declaraciones, y si se está dispuesto a rectificar. Aparte les pediría a los compañeros que han salido elegidos y se les quiere retirar de los puestos, que no lo permitan, ellos tienen mucho que aportar en este sentido por PODEMOS, y si se avienen a ceder sus puestos por presiones de arriba, iniciaremos un camino sin retorno, hacia el descrédito y la nada. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]ajavier 3 puntos 3 horas atrás Echenique afirma que no se siente molesto al ver que Pablo Iglesias o Monedero se muestran partidarios de unas candidaturas sobre otras, y explica: "Por un lado no hay jefes en Podemos y no es un tema personal. El problema sería poner a dedo a la gente, pero a manifestar una preferencia no le veo mayor problema". enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]Hartoman[S] 3 puntos 2 horas atrás Efectivamente, no es que muestren preferencias por unos u otros, que eso siempre ha sido así, es que ha salido una lista en las votaciones y se quiere cambiar por lo que él tenía pensado, sin tener en cuenta lo que la gente ha votado. Eso es lo grave. enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]EAgulleiro 1 punto 3 horas atrás Eso es lo que se anda diciendo. Los de la Casta lo suelen hacer. En la Comunidad valenciana NO deberían hacerlo si no quieren que el 90% de los inscritos no vuelvan mas a votar. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]AGUSTINET 1 punto 3 horas atrás El video es de lo que sucedió en alicante. me lo paso un compañero y es increíble vale la pena de ver, lo que quieren hacer con la esencia de Podemos se lo van a cargar los que pablo apuesta por ellos es absurdo. En estos momentos no lo veo como presidente a este paso se queda en las municipales el símbolo de podemos si no lo remediamos salud y rep´blica del pueblo enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]AGUSTINET 0 puntos 4 horas atrás Si esto sucede y no se respeta el orden de las votaciones. Yo me marcho de podemos ya que no me representa un partido de nueva casta y autoritarismo. Dedocracias de candidato oficial de Podemos a la Generalitat, Antonio Montiel, tras lamentar las formas de los críticos y su intento de «incidir en listas ajenas», señaló que su intención es «recomponer la arquitectura de la lista original». Montiel entiende que el orden de la candidatura tenía un motivo y se mostró partidario de mantenerlo aunque ello suponga que alguno de los más votados deba pasar a puestos de no salida. http://www.elmundo.es/comunidad- https://www.youtube.com/watch?v=S5icqrc8Kf8&feature=youtu.be Salud y república del pueblo laico. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]BERTOUSKI -2 puntos 3 horas atrás sale diciendolo en el video puedes decir el minuto para no verlo entero, espero que si va en serio le paren los pies enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]AGUSTINET 0 puntos 3 horas atrás El video es de lo que sucedió en alicante enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [–]LosDeAbajoPodemos -4 puntos 4 horas atrás Perdona, però és País Valencià, no “Comunidad Valenciana”. De totes maneres jo fa més d'un any que que m'he n'adonat, que Podemos és un engany. Podemos està fet des de dalt per als de dalt. enlaceguardarreportarregalar goldresponder [–]anamaria666 2 puntos 4 horas atrás tonterias las justas, que estamos hablando de algo importante enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder [+]LosDeAbajoPodemos puntuación demasiado baja (3 hijos) [–]espialidoso 0 puntos 3 horas atrás Si..es del ibex35..vas fumat ? enlaceguardarpadrereportarregalar goldresponder acerca de blog acerca de equipo código fuente publicidad empleo ayuda site rules FAQ wiki reddiquette transparency contacto apps & tools Alien Blue iOS app aplicación de reddit AMA mobile site botones <3 reddit gold reddit store redditgifts reddit.tv radio reddit El uso de este sitio implica la aceptación del Acuerdo de Usuario y de la Privacy Policy. © 2015 reddit inc. Todos los derechos reservados. REDDIT and the ALIEN Logo are registered trademarks of reddit inc. π
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2014.09.04 13:22 10parrales Comentarios al pre-borrador de Ponencia Política de PODEMOS (1ª parte)

El documento de pre-borrador de Ponencia Política me parece una buena base para el debate político. Hay cosas con los que estoy de acuerdo y otras, que quiero compartir, que merecerían ser cambiadas, matizadas o ampliadas. Dado que me salió un poco largo, he dividido el texto de mis comentarios en tres partes, y reproduzco aquí la primera.
El primer apartado comienza describiendo brevemente la actual crisis social y política que vive el Estado español que es caracterizada, correctamente, como una “crisis del régimen de 1978” y señala, como expresión de la descomposición política y moral de las “élites dominantes”, su “desprestigio” y sus ataques al Estado del Bienestar y a los derechos sociales.
Estoy de acuerdo con esto, en general. Lo que echo en falta en el documento es una explicación más desarrollada del origen de esta “crisis de régimen”. Concretamente, echo en falta el vínculo que ata esta crisis de régimen con la crisis económica nacional e internacional. Pareciera que la crisis económica – la más profunda y prolongada de nuestra historia – no ha jugado papel alguno en explicar esta “crisis de régimen”. Y podría sacarse la conclusión de que ésta ha sido provocada por una especie de “agotamiento natural” del régimen o porque el “bloque dominante” decidió repentinamente mostrarse desagradable ante la población con los ajustes, los ataques a los derechos democráticos, etc.
El origen de la crisis del régimen
La actual crisis del régimen está vinculada al estallido de la crisis económica, que ha expuesto la debilidad de la economía española y el parasitismo del gran empresariado nacional. A su vez, la crisis española es consecuencia de la crisis que afecta a la economía mundial desde el 2008, que no fue provocada por la impericia de los gobiernos, la corrupción o motivaciones ideológicas; sino que hunde sus raíces en la propia esencia de la llamada economía de mercado, o economía capitalista.
Es bien conocido que el estallido de la burbuja inmobiliaria en EEUU y Europa, agravada por el endeudamiento masivo ya existente de empresas y familias que fue estimulado por los bancos desde fines de los 90, condujo a la quiebra de grandes empresas y bancos que fueron rescatados con dinero público a costa de incrementar las deudas estatales a niveles insoportables. Esto fue lo que inauguró la política salvaje de recortes y austeridad que vemos en todas partes. Pero el verdadero origen de la crisis económica no fue el estallido de la burbuja crediticia, que sólo fue su expresión última.
En realidad, el verdadero motor de la economía capitalista es el afán de lucro de los propietarios de las grandes compañías y multinacionales, lo que conduce inevitablemente a la sobreproducción de mercancías por su afán de vender más y más. Esto hizo caer la rentabilidad del sector productivo de la economía. De ahí que, en su sed insaciable por encontrar nuevas fuentes de beneficio, las inversiones de bancos y grandes compañías se orientaran a los negocios especulativos inmobiliarios y a la llamada “ingeniería financiera”. Todo esto condujo finalmente a la creación de burbujas especulativas que se hicieron insostenibles y terminaron estallando, provocando la crisis actual.
En última instancia, la crisis se da por la contradicción que existe entre la enorme capacidad productiva de la economía – que potencialmente podría solucionar todos los problemas sociales que aquejan a la humanidad – y el afán de lucro insaciable de los grandes propietarios de los monopolios, multinacionales, bancos y latifundios, que supeditan la producción social a su interés privado como oligarquía económica. Sólo la propiedad colectiva de los grandes medios de producción – democráticamente gestionada y planificada – puede terminar con todas las desigualdades y lacras sociales, y abrir un horizonte de futuro y bienestar al conjunto de la sociedad, en el Estado español y a nivel internacional.
De manera que la crisis del régimen que vemos en el Estado español es el producto de la aguda crisis social y política que vive la sociedad, causada por la crisis económica y la brutal agresión de ataques y recortes sociales que sufren la clase trabajadora y demás sectores populares. La oposición y el malestar popular a estos ataques han tomado cuerpo en las incesantes y extraordinarias movilizaciones populares y protestas de masas de los últimos 4 años, que han sido el verdadero motor del terremoto político que sacude el país.
El papel de la movilización social en el surgimiento de PODEMOS
El documento describe bien el papel del movimiento 15M como iniciador de la gran protesta social contra el régimen dominante, pero cfreo que debería mencionar y reconocer también el papel de los movimientos de protesta que le siguieron (Mareas, marcha minera, huelgas generales, luchas contra los desahucios, Marchas de la Dignidad, etc.). El ambiente social y la maduración política actuales operados en la conciencia popular no son fruto único y directo del movimiento 15M, sino consecuencia de un proceso de movilización masiva extraordinariamente rico y variado desarrollado a lo largo de 4 años.
Tampoco comparto un párrafo donde se subestima el sentimiento de clase de los trabajadores y su papel en la lucha social, cuando se dice:
“Pero la desafección se ha producido sobre un terreno social y cultural fragmentado por 30 años de neoliberalismo, con las identidades colectivas -la de clase en primer lugar, pero también las narrativas ideológicas tradicionales- en retroceso e incapaces de servir de superficie de inscripción para articular todos los diferentes descontentos con el statu quo”.
La realidad es que el problema no ha estado en la falta de disposición a la lucha o de conciencia de la clase obrera – que las ha demostrado y exhibido de manera elocuente – sino en el papel jugado en estos años por los dirigentes sindicales y de la izquierda en general. Baste citar las dos huelgas generales del 29 de marzo y del 14 de noviembre de 2012, las mayores protestas sociales en extensión y profundidad de un solo día habidas en estos 4 años de crisis y movilizaciones, siendo también las movilizaciones individuales que más gente sacaron a la calle a protestar.
Sólo la clase obrera, a través de sus organizaciones de masas, tiene la potestad de paralizar el país y hacer sentir pequeña a la clase dominante ¿Qué otra capa, grupo o clase social puede hacer lo mismo? La pregunta se responde sola. Cuando millones de obreros deciden parar un día y perder un día de salario, y lo hacen de manera organizada siguiendo el llamamiento de sus organizaciones sindicales, actuando como un solo cerebro y un solo cuerpo ¿cómo podrían actuar así sin una fuerte conciencia de clase? ¿Qué es, si no, la conciencia de clase? Y aún la clase obrera española tiene mucho que decir y hacer, y lo hará, en los tormentosos acontecimientos que nos aguardan.
Volviendo al tema del movimiento del 15M, es necesario partir de los hechos mismos. Ciertamente, las movilizaciones y protestas de masas que comenzaron a arrinconar al viejo régimen se iniciaron con el maravilloso movimiento de los “indignados” del 15 de Mayo. Pero luego continuaron con las luchas extraordinarias de las Mareas contra los recortes en la sanidad y la educación públicas, con la heroica marcha minera a Madrid en junio-julio de 2012, con las movilizaciones de Rodea el Congreso, con las 2 huelgas generales masivas en 2012 ya mencionadas contra la política antiobrera del PP, con las luchas contra los desahucios, con las huelgas indefinidas de decenas de empresas contra los despidos y las bajadas de salario en el otoño del 2013, con el levantamiento popular del barrio de Gamonal en Burgos en enero de este año, con las movilizaciones masivas de los pueblos catalán y vasco por su derecho a decidir, contra las reformas reaccionarias que recortan nuestras libertades (como la nueva Ley de Seguridad Ciudadana y la proyectada contra el derecho al aborto), con la maravillosa Marcha de la Dignidad del 22 de marzo en Madrid cuando 1 millón de personas tomamos la capital bajo las consignas de “pan, techo y trabajo”, y en general en las movilizaciones cotidianas contra la infame política de ataques del PP y la creciente represión policial y judicial contra los que luchan.
Hay otro párrafo que merece la pena ser comentado, donde se dice:
“Las hipótesis movimientistas y de gran parte de la extrema izquierda, instaladas en un cierto mecanicismo por el que “lo social” ha de preceder siempre a “lo político”, se han demostrado incorrectas para romper la impotencia de la espera y proponer pasos concretos más allá de la movilización”.
Tal cual está formulada, esta afirmación considera como compartimentos estancos y como opuestos lo “social” y lo “político”. Es cierto que sólo la acción política puede transformar la realidad, que es algo que no comprenden los anarquistas, y eso fue lo que finalmente provocó el agotamiento del Movimiento del 15M y su “apoliticismo”.
Pero toda la experiencia demuestra que toda acción política de masas siempre viene precedida de enormes movilizaciones sociales, que sirven precisamente para sacudir la conciencia de la clase trabajadora y demás sectores populares explotados, sacarlos de la rutina y del conservadurismo social, y encauzar la indignación y la decisión de cambiar la realidad hacia la acción política práctica. Es decir, hay una interrelación y una interdependencia entre lo “social” y lo “político”, y lo último siempre se viene precedido de lo primero.
Según las estadísticas oficiales, el 25% de la población ha participado en alguna manifestación, y en ambos años 2012 y 2013 (a falta de conocer los datos del 2014) hubo alrededor de 45.000 protestas de diverso tipo, una media de 123 ¡cada día!
Por tanto, el impacto y desarrollo de PODEMOS es la expresión política del descontento social; y demuestra que un sector creciente de la población – fundamentalmente trabajadores, jóvenes, amas de casa, jubilados y sectores empobrecidos de las clases medias – sienten la necesidad de movilizarse y organizarse políticamente para cambiar la sociedad.
PODEMOS ha dado expresión organizada a un sentimiento de indignación y de politización que existía entre amplias capas de la población que no encontraba un canal donde expresarse, al aparecer como una fuerza radical, enfrentada al “establishment”, a los ricos, y a los políticos profesionales que trabajan para aquéllos con sus políticas antisociales.
(continúa en la 2ª parte)
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